Viva a República!

Foi há 111 anos, neste mesmo 5 de Outubro, que Portugal viveu a sua primeira revolução democrática, 64 anos antes da liberdade de Abril. Uma revolução que derrubou uma monarquia decadente, varrendo do nosso país, para sempre, o privilégio de governar baseado na hereditariedade. Bem sei que a República tem os seus defeitos e lacunas (e a primeira foi particularmente desastrosa, tão desastrosa que abriu as portas para o regresso da ditadura), mas poder eleger os nossos representantes, ao invés de estar condenado a dobrar o joelho a alguém que nada mais fez que não fosse nascer na família certa, não tem preço. E quem não está contente tem bom remédio: vote, candidate-se, lute pelo poder. Em monarquia comia, calava e ainda se punha a jeito de levar uns açoites por querer ser mais do que um escravo da coroa.

Viva Portugal, viva a Democracia, viva a República!

 

25 de Abril sem chaimites, sempre

José Xavier Ezequiel

MARINHO_E_PINTO_MPT_MAIO_2014

Marinho e Pinto, nada à vontade com a utilização pouco católica da célebre barriga de aluguer, que agora o obriga a assumir a paternidade da criança e a ganhar um vergonhoso ordenado no Parlamento Europeu, fundou hoje o seu próprio partido.

Foi em Coimbra. Chamou-lhe Partido Democrático Republicano, uma ideia praticamente genial. Não só é democrático, como é mesmo republicano, o clássico dois-pelo-preço-de-um do Minipreço. Melhor ainda, fez a sua activação (como agora se diz no mundo da publicidade) no dia da República. É muito bem visto. Assim, à primeira vista.

Contudo, em Portugal, onde (excepto o hilariante PPM) todos os partidos são republicanos e, até por razões constitucionais, são também democráticos, chamar a um novo partido — Democrático Republicano — é o mesmo que chamar vinho tinto ao vinho tinto e vinho branco ao vinho branco. Ficamos a saber o mesmo. É um PRD sem general, aquele perfume revolucionário na frase, “Tal como as nacionalizações não foram irreversíveis, as privatizações também não o serão”, a incessante busca de um novo e verdejante “25 de Abril sem chaimites”.

No mundo empresarial, este expediente seria liminarmente proibido: não se pode registar um cabeleireiro chamado Cabeleireiro, uma tasca chamada Tasca ou um bordel chamado Bordel. Porém, no subportugal partidário, tudo é possível. Para usar a sonora adjectivação do arrependido do MPT, um autêntico “regabofe”.

A verdade é que ainda existe um Partido Popular Monárquico (tudo junto, no mesmo partido) e até um Partido dos Animais e da Natureza. Por isso, já nem consigo ficar espantado por ver o fundador de um novo partido afirmar, no exacto dia da sua fundação — “Queremos pôr termo ao monopólio dos partidos.”