A luz ao fundo do penico

Desta vez, confesso que estou de acordo com Marinho Pinto. Soube que o candidato à Assembleia da República afirmou que “não vale tudo em matéria de política – e de humor também” e não podia estar mais de acordo, pelo menos quanto à primeira parte. Estas declarações do candidato vinham a propósito do sketch do programa “Isto é tudo muito bonito, mas…” do qual Marinho Pinto disse “Vi uma pessoa desconhecida a urinar na minha imagem.”

Eu também vi o sketch e acho que pecou sobretudo pela falta de graça, mas acho que já valeu a pena quanto mais não seja por ter arrancado a Marinho Pinto essa tardia, mas nem isso menos valiosa constatação: “Não vale tudo em matéria de política.”

E tomo esta declaração como um sentido mea culpa  de um político que, por exemplo, classificou a adopção e co-adopção por casais homossexuais como “disponibilizar crianças para satisfazer os caprichos onanísticos e preconceitos heterofóbicos dos gays e das lésbicas”. [Read more…]

Os Charlies a fingir

O Marinho Pinto em Janeiro também era Charlie.

Agora que estamos em Setembro já não é.

Pontaria

Não sei que número calça o Marinho, mas havendo dinheiro acerta sempre no dedo grande.

Quem tem medo de um novo partido?

Screenshot

Quem tem cu tem medo. Quem tem um partido onde está instalado, também.  A malta que anda a panicar com o partido do Marinho demonstra a falência do nosso quadro partidário, da esquerda à direita. Pouco inteligentes, não percebem como por cada vez que o atacam o homem lá ganha uns votos, a cereja sobre o bolo que lhe faltava é obviamente a da vitimização, ainda por cima justificada.

A criação de uma página falsa no facebook é o pratinho do dia. Numa segunda leitura qualquer um percebe que não  passa de provocação, mas muitos não foram qualquer um. A continuar assim, e resista a desbocar-se àMmarinho, vai aos 20% com uma perna às costas.

A casta que domina os partidos (todos, embora aqui não os misture, há diferenças) ou que neles milita, ou muito simplesmente por politizado que se sente não esteja a cheirar o país em que vive, teme a concorrência. Infelizmente por um Pablo Iglésias tenho um António Marinho Pinto. Fosse o contrário, e obviamente teria muito mais que o meu voto.

25 de Abril sem chaimites, sempre

José Xavier Ezequiel

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Marinho e Pinto, nada à vontade com a utilização pouco católica da célebre barriga de aluguer, que agora o obriga a assumir a paternidade da criança e a ganhar um vergonhoso ordenado no Parlamento Europeu, fundou hoje o seu próprio partido.

Foi em Coimbra. Chamou-lhe Partido Democrático Republicano, uma ideia praticamente genial. Não só é democrático, como é mesmo republicano, o clássico dois-pelo-preço-de-um do Minipreço. Melhor ainda, fez a sua activação (como agora se diz no mundo da publicidade) no dia da República. É muito bem visto. Assim, à primeira vista.

Contudo, em Portugal, onde (excepto o hilariante PPM) todos os partidos são republicanos e, até por razões constitucionais, são também democráticos, chamar a um novo partido — Democrático Republicano — é o mesmo que chamar vinho tinto ao vinho tinto e vinho branco ao vinho branco. Ficamos a saber o mesmo. É um PRD sem general, aquele perfume revolucionário na frase, “Tal como as nacionalizações não foram irreversíveis, as privatizações também não o serão”, a incessante busca de um novo e verdejante “25 de Abril sem chaimites”.

No mundo empresarial, este expediente seria liminarmente proibido: não se pode registar um cabeleireiro chamado Cabeleireiro, uma tasca chamada Tasca ou um bordel chamado Bordel. Porém, no subportugal partidário, tudo é possível. Para usar a sonora adjectivação do arrependido do MPT, um autêntico “regabofe”.

A verdade é que ainda existe um Partido Popular Monárquico (tudo junto, no mesmo partido) e até um Partido dos Animais e da Natureza. Por isso, já nem consigo ficar espantado por ver o fundador de um novo partido afirmar, no exacto dia da sua fundação — “Queremos pôr termo ao monopólio dos partidos.”

Retrato musicado de António Marinho e Pinto

Porque eu só estou bem
Aonde não estou

Na Terra de Miguel Sousa Tavares

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Marinho Pinto não conseguiu fazer com os Verdes a aliança que desejava no quadro do seu mandato parlamentar na assembleia da Europa, e lá terá de se juntar aos liberais, coitado (*). Ele e aquele senhor monárquico do Partido da Terra: boa surpresa eleitoral para uns (Miguel Sousa Tavares, por exemplo, chama-lhe «o nosso PT»), má surpresa para outros – depende da perspectiva com que se olha para as coisas da política, da Terra em que se está.

Preocupado com a desfeita dos Verdes (como se atreveram?), Miguel Sousa Tavares (MST) usou a última parte da sua crónica no Expresso de hoje para atacar os ambientalistas portugueses e, sobretudo, fazer a defesa de uma pelos vistos mais aceitável «convicção pessoal sobre costumes»: [Read more…]

A menina do papá e o filho da mãe

José Xavier Ezequiel

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A rapaziada de esquerda entrou em pânico com os resultados eleitorais das Europeias no Reino (dito) Unido e ‘na’ França.

O que sucedeu no ‘reyno de sua majestade’ não interessa para nada. No que diz respeito à questão Europeia, quero eu dizer. Qual lady Godiva, sempre esteve com um pé no estribo e o outro arreado. Só o facto de não ter aderido ao Euro, diz tudo. No fundo, nada de novo. Já Churchill afirmava — “Nós estamos com eles, mas não somos como eles”.

No entanto, o que se passa em França conta. E muito. Já que mais não seja porque, juntamente com a Alemanha, foi um dos dois grandes países fundadores da hoje União Europeia. Se ainda se lembram, durante décadas falava-se do eixo Paris-Bona. Agora, infelizmente, resta o eixo Berlim-Berlim. [Read more…]

Pum! Pum! abriu a caça ao Marinho

marinho pinto

Era fatal: quando alguém corre por fora e vence, leva. O António Marinho Pinto é, desde que surgiu nas sondagens como elegível, o alvo do tiro ao boneco.

Quem te mandou ter votos, pá? que ideia horrível, essa de ter alugado um partido pequeno e conseguido furar o sistema partidário, tão cioso da exclusividade das suas lideranças centralizadas. Que chatice, aparecer um tipo com um discurso rebelde, denunciador da corrupção instituída, da partidocracia dominante, que guarda para si não só o poder como o direito a ser sua oposição.

Como centenas de conterrâneos, conheço o Marinho da Anop há uns bons 30 anos. Desde as noitadas na Clep a uma experiência profissional que dificilmente poderia ter corrido pior para ambos. Posso enumerar os defeitos, alguns gritantes, começando num narcisismo antológico, mas também lhe conheço as qualidades, humanas e cívicas. Tem de tudo, como todos nós. [Read more…]

sem surpresas (mas com um certo ar de alarme)

pela primeira vez desde que tenho consciência cívica e política (desde os meus 11\12 anos) decidi não assistir a uma noite eleitoral. deixei o professor marcelo a pregar aos incautos, o dr. karamba marques mendes a adivinhar o número exacto dos próximos cortes orçamentais, a Judite de Sousa (sem ou com Montenegro; com ou sem equívoco na pessoa) num saco do Pingo Doce e a televisão desligada de forma a poupar energia e pagar menos à China Three Gorges. encontrei-me com a minha princesinha AMF e fomos ao cinema ver Grace of Monaco de Olivier Dahan. apesar da história ser batida, o filme de Dahan acaba por ser bastante interesse e, no plano técnico, é simplesmente fantástico. desde os planos à direcção das cenas, passando pelo límpido som de voz nos diálogos entre personagens.

a campanha foi degredante. do surfer rosa (bem que queria ir ver os pixies para a semana ao primavera sound mas mas todo o argent é escasso nos dias que correm) nos currículos escolares aos vírus despesistas. de reminiscências do holocausto que não foi vivido em verso à governação socratina. Até o filósofo (cientista política, teorético político) teve que se meter na querela e vir a público lavar roupa suja. Sócrates himself, teve ali uns 7 orgasmos seguidos durante os 3 episódios em que pode comentar a campanha. discutiu-se tudo excepto política europeia. discutiu-se tudo excepto os problemas que neste momento precisam de ser resolvidos na europa bem como os que estão a rebentar. como a deflação. o partido socialista ainda tentou lançar a discussão sobre a mutualização da dívida na fórmula desusada de eurobonds mas… com tamanha babugem estavam à espera que a malta andasse informada e estivesse minimamente ciente dos projectos europeus defendidos pelos candidatos?

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Marinho Pinto será naturalmente parvo?

“Um homem a fazer de mãe ou uma mulher a fazer de pai” não são “uma família natural”.

O discurso de António Marinho Pinto na abertura do Ano Judicial

Exmo. Senhor Presidente da República
Exmo. Senhor Vice-Presidente da Assembleia da República em representação da Senhora Presidente da Assembleia da República
Exma. Senhora Ministra da Justiça em representação do Senhor Primeiro-Ministro
Exmo. Senhor Presidente do Supremo Tribunal de Justiça
Exmo. Senhor Presidente do Tribunal Constitucional
Exmo. Senhor Presidente do Supremo Tribunal Administrativo
Exmo. Senhor Presidente do Tribunal de Contas
Exma. Senhora Ministra da Justiça
Exmos. Senhores Vice-Presidentes da Assembleia da República
Exmos. Senhores Presidentes dos Grupos Parlamentares
Exma. Senhora Procuradora-Geral da República
Exmo. Sr. Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas
Exmo. Senhor Provedor de Justiça
Exmo. Senhor Cardeal Patriarca de Lisboa
Demais Convidados
Senhores Magistrados
Caros Colegas
Minhas Senhoras e meus Senhores
Este é o último ano em que, em representação dos advogados portugueses, discurso nesta cerimónia.Uma cerimónia que, formalmente, é organizada em conjunto por este tribunal, pela Procuradoria-Geral da República e pela Ordem dos Advogados a que presido.

Este é, pois, um local comum às três principais profissões forenses.

Este Supremo Tribunal de Justiça é, pelo menos neste dia, a verdadeira Casa da Justiça portuguesa. [Read more…]

Marinho Pinto congela Cavaco Silva

Serei tudo o que disserem
por inveja ou negação:
cabeçudo, dromedário
fogueira de inquisição
teorema, corolário
poema de mão em mão
lãzudo, publicitário
malabarista, cabrão
Serei tudo o que disserem:
Advogado, castrado não.

(fonte)

Eu considero surreal é que Marinho Pinto se indigne por causa de quem fez as buscas

Marinho Pinto considera surreal ser a GNR a fazer buscas na Madeira

Porque o problema não é quem faz as buscas mas a necessidade delas existirem. E sobre isso, nem piu.

Subsídio-nomeados pelo governo

O ministro Álvaro Santos Pereira, ao anunciar as alterações ao Código Laboral, entre o café e o pastel de nata, declarou:

Não é suposto o Estado criar emprego mas sim condições para que as empresas o possam fazer.

Trata-se de mais uma denúncia contra o “monstro”. Rebelam-se contra o Estado, o Senhor Ministro Álvaro – oh Crespo, não lhe chamei apenas Álvaro – e mais um rol de outros ministros, secretários e subsecretários de estado, deputados e gestores públicos, ex e actuais, afinados pelo diapasão de sonoridades do actual governo.

Há, de facto, uma caterva de gente, sobretudo do PSD e do CDS, a condenar sistemática e contundentemente o Estado, a despeito de, anos a fio, trem vivido sob o tecto confortável e generoso desse mesmo Estado – do poder central ao local, a lista de quem, de pelintra a remediado, beneficiou da protecção e se catapultou para um estatuto socioeconómico de casta é imensa.

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Marinho Pinto vs. Paula T. da Cruz: vão decidir o combate aos pontos ou por KO?

O bastonário da Ordem dos Advogados e a ministra da Justiça gostam tanto um do outro como eu de piri-piri nos olhos. Round a round, cada um vai tentando amealhar uns pontos e fragilizar o outro. Além das tristes figuras institucionais que fazem, esquecem-se da tal justiça para a qual dizem trabalhar. É que alguns destes conflitos resolver-se-iam melhor nos locais próprios: a barra dos tribunais.

Uma auditoria levada a cabo pelo Ministério da Justiça afirma ter detectado 17 mil irregularidades nos pedidos de compensação feitos pelos advogados no âmbito do apoio judiciário e chega mesmo a falar de fraude. Num país transparente ocorreriam duas coisas: o MJ comunicaria o resultado das averiguações ao Ministério Público e a Ordem inquiriria os advogados e determinava sanções para os prevaricadores. Fora isso mantinham-se os dois caladinhos enquanto corriam os processos. Por cá não é bem assim – entre olhos negros e dentes partidos, Marinho e Paula vão dando uso às luvas de pugilismo.

Para já, e antes de apurar o que quer que seja

Em comunicado publicado na sua página da Internet, a Ordem dos Advogados acusa a ministra da Justiça de atacar a advocacia portuguesa ao “proferir afirmações gravemente atentatórias da honra e consideração dos advogados que participam no sistema do acesso ao direito” [Read more…]

O discurso na íntegra de Marinho e Pinto

Entre outros documentos, o discurso de Marinho e Pinto, Bastonário da Ordem dos Advogados, na sessão de abertura do ano judicial, na sua versão integral, poder ser lido e escutado na sua página do facebook.

Espero que na Ordem dos Advogados o bastonário não mude

Conheço o Marinho da Anop vai para mais de 30 anos. A despeito de profissionalmente os nossos caminhos se terem cruzado numa experiência para esquecer, sobre o homem testemunho a honestidade, a frontalidade e uma militância de homem de esquerda, da minha esquerda.

Enquanto bastonário da Ordem dos Advogados passou para fora uma imagem de socratista, como aqui em baixo se queixa o Ricardo. Não me meto em questões jurídicas mas nem tudo o que parece é. E no que toca à justiça pela primeira vez apareceu alguém a atacar quem impunemente dela usa e abusa, a explicar com clareza que a justiça que temos não é igual para todos, que em Portugal os ricos nunca cumprem penas e todos os dias um pobre é condenado sendo inocente, porque não teve posses para se defender, e também muito simplesmente por ser pobre. 

Achar que o Marinho ambiciona um escritório de advogados de topo está totalmente fora da realidade. O homem pode ser ingénuo, sempre foi voluntarioso, e sem dúvida que tem ambições políticas. Mas essa é outra conversa.

Espero que o resultado das eleições de hoje para a Ordem dos Advogados lhe seja favorável. Duvido muito, quem tocou nos poderes dos donos da advocacia tem tudo a concorrer contra si, mas era um excelente sinal para o país. Significaria que temos advogados livres em Portugal, e bem precisamos.

E além do blogue…

…anda igualmente pelo Twitter e pelo Facebook sem esquecer, como recordou o J. Mário, o  Combate Desigual o seu blogue.

Um candidato muito dado às redes sociais. Faz muito bem!

Marinho Pinto na TVI

O que acho piada é alguém se ter dado ao trabalho de filmar este momento “TV Rural” do Jornal Nacional da TVI. Fantástico!