25 de Abril sem chaimites, sempre

José Xavier Ezequiel

MARINHO_E_PINTO_MPT_MAIO_2014

Marinho e Pinto, nada à vontade com a utilização pouco católica da célebre barriga de aluguer, que agora o obriga a assumir a paternidade da criança e a ganhar um vergonhoso ordenado no Parlamento Europeu, fundou hoje o seu próprio partido.

Foi em Coimbra. Chamou-lhe Partido Democrático Republicano, uma ideia praticamente genial. Não só é democrático, como é mesmo republicano, o clássico dois-pelo-preço-de-um do Minipreço. Melhor ainda, fez a sua activação (como agora se diz no mundo da publicidade) no dia da República. É muito bem visto. Assim, à primeira vista.

Contudo, em Portugal, onde (excepto o hilariante PPM) todos os partidos são republicanos e, até por razões constitucionais, são também democráticos, chamar a um novo partido — Democrático Republicano — é o mesmo que chamar vinho tinto ao vinho tinto e vinho branco ao vinho branco. Ficamos a saber o mesmo. É um PRD sem general, aquele perfume revolucionário na frase, “Tal como as nacionalizações não foram irreversíveis, as privatizações também não o serão”, a incessante busca de um novo e verdejante “25 de Abril sem chaimites”.

No mundo empresarial, este expediente seria liminarmente proibido: não se pode registar um cabeleireiro chamado Cabeleireiro, uma tasca chamada Tasca ou um bordel chamado Bordel. Porém, no subportugal partidário, tudo é possível. Para usar a sonora adjectivação do arrependido do MPT, um autêntico “regabofe”.

A verdade é que ainda existe um Partido Popular Monárquico (tudo junto, no mesmo partido) e até um Partido dos Animais e da Natureza. Por isso, já nem consigo ficar espantado por ver o fundador de um novo partido afirmar, no exacto dia da sua fundação — “Queremos pôr termo ao monopólio dos partidos.”

Comments

  1. coelhopereira says:

    Pois… O que há agora é mais um eterno 24 de Abril com…”Pandurs”.

  2. Ferdinand says:

    Marinho e Pinto revelou-se como uma mero demagogo, apenas um pouco mais descarado, e com um estilo mais bruto que, por exemplo, Paulo Portas ou Passos Coelho.

    Marinho e Pinto revela-se também como não sendo particularmente muito inteligente pois foi necessário ir a Bruxelas para perceber que aquilo é um antro de grandes interesses, e sabemos que 4 mil e tal €uros não são suficientes para se “fazer vida” em Lisboa, não será ele muito inteligente mas chico-esperto é.

    Falar mal dos políticos é fácil, todos somos capazes disso, há quem ganhe dinheiro com isso, por exemplo, Medina Carreira, mas os políticos são facilmente descartáveis se não é um é outro qualquer que vai servir os grandes interesses, é preciso atacar esses grandes interesses diretamente mas isso Marinho e Pinto não o faz, e até se percebe porquê sendo ele uma criação mediática e tão dependente dos media “independentes”…

    Marinho e Pinto que se dedique ao wrestling, e convide a Moura Guedes para um combate já que a única coisa que ele quer é aparecer na TV e encher a conta bancária, a política já está cheia de “artistas” não são necessários mais.

  3. Não parece que Marinho Pinto fez um elling e des-enxertou a “face” que eta codrada e agora é rectangular – eis a diferença que oferece para o seu partido novo – mudar de visual – ai ai e de SALÀRIO

  4. niko says:

    a coisa já mexe

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