Cinema pascal: Monty Pyton, A vida de Brian

É Páscoa, um dia as televisões também repetirão todos os anos este clássico do humor britânico, em tudo superior às chachadas do costume. Always Look on the Bright Side of Life.

Ficha IMDB. Legendado em português.

Hoje dá na net: Monty Python, A Vida de Brian

A Vida de Brian, dos Monty Python, um filme que vá-se lá saber porquê não passa nas tv´s nesta quadra. Realização de Terry Jones, com Graham Chapman, John Cleese, Terry Jones e Michael Palin

Ficha IMDB

Em inglês, com legendas.

Viver e morrer em Portugal

 

 

 

 Lenda: as terras do Luís

 

Tinha reservado o dia para comentar comentários de Aventar. Mas, uma má notícia, leva-me a protelar essas respostas para mais tarde. O filho de uma amiga deitou-se para descansar e nunca mais acordou. Deve andar pelos campos das Walküre, esse jovem engenheiro de alegre vida, cumprida cavalheira dourada enquanto a teve até aos seus trinta e poucos anos, cabelo que acabou por rapar no dia que começou a perder. Ficou….mais lindo que nunca. A sua mãe,  sem ajuda de ninguém, excepto da família, o criou como o menino preferido, o seu único filho, aliás, bom irmão da sua irmã mais velha e excelente sobrinho, primo e tio. A sua vida era diferente. Sabia imensa filosofia, lia tudo o que nas suas mãos aparecia e escrevia imensos comentários das suas longas viagens ao exterior, especialmente pelo Oriente. Essa sua vida diferente, foi aceite e apoiada por toda a família, que o guardou no seu seio, a ele e aos seus amigos e amigas. Há tanto texto escrito pelo Luís Miguel Pimentel Correia, que em duros apertos anda a mãe para editar cumpridos ensaios e publicar um livro dos seus poemas e outras histórias descritivas da família, de Tailândia, da China, do Japão e outros sítios exóticos que visitou. Teve uma vida cheia de felicidade e a sua melhor aventura, era o debate porque sim. Sabia tanto, que os debates eram sempre ganhos por ele: grande lábia, ideias esclarecidas. O seu melhor amigo guarda, na Grã-Bretanha, a papelada para entregar à família, amigo aceite pela família toda como mais um filho. Teve a morte do corpo mas não a das recordações e do conjunto imenso de pessoas que o adoravam. Porque em Portugal há 

várias formas de perecer. Há esta do Luís, que não é a pior, mas há outra que nos deixa tristes: a morte em vida. Ficamos doentes de bactéria social e as pessoas mais próximas afastam-se de nós. Não querem saber o que acontece connosco, pelo implícito temor da morte que levamos, desde a nascença até ao dia em que acontece. É a morte em vida: esse silêncio tão calado, que grita até  nos ensurdecer. Essa morte em vida que faz de nós pessoas que esquecem as palavras por não terem com quem as trocar; ou, se as trocamos, não sabemos qual é a palavra conveniente e adequada que deve ser proclamada. Acontece, especialmente, dentro das famílias em que ocorrem casos de violência doméstica. Não foi assim a vida do Luís, mas é a minha: família distante, família que não troca telefonemas com a desculpa de serem muito caros, pessoas que procuram a sua alegria de viver e tingem com sarna, na sua imaginação, o nosso corpo, esse ácaro que produz uma infecção cutânea e define certa distância entre amigos. Como a lepra, antigamente. Não foi o caso do Luís, mas é o meu. A família do Luís tem-me acolhido e cuidado: porque a minha, esqueceu-se da minha existência e culpa-me por factos nunca acontecidos. Nota-se bem que desconhecem a lei, nota-se bem a transferência do seu mal-estar para quem tem lutado imenso na vida para manter uma família isolada, unida. É como São Tomé costumava dizer: ver para crer. A vida do Luís foi uma vida calma e serena, tão calma que adormeceu de forma normal e não acordou. Mas vive nas recordações da família que sente o luto profundamente. Luto que por mim ninguém guarda por ser pessoa viva e aparentemente de boa saúde, como se as parcas não andassem por perto. Tive um amigo que me denominava, por escrito, campeão da amizade. Onde anda agora? Imenso trabalho? Todos temos, especialmente os etnopsicólogos, que analisamos e somos, também, escritores. Que escrevo mal em português? Paciência! Quem o aprendeu passados os trinta anos de idade e usa muitas outras línguas no quotidiano, é em todas elas faltoso…Viver em Portugal? Já o expliquei antes noutro texto: é andar pelas ruas da amargura e, para estar acompanhado e entretido, é preciso pagar. Sou português, faz-me falta uma família do país que me acompanhe. Triste? Estou. Inveja do acolhimento que o Luís Miguel teve? Imensa. Mas a sua família anda comigo enquanto a morte real não apareça, em silêncio. Se sou amado por outros? Sempre pensei que sim e vou continuar a pensar da mesma forma: choramingar nem acompanha, nem melhora, nem acorda o Luís do seu profundo sono. Ou a mim. Amei profundamente na minha vida, criei uma pequena família, adoro a minha descendência, mas faltam os amigos e a comunicação humana. Senhor leitor, é um desabafo que não merece ler, mas lá vai. Queria ser justo com os que me acompanham e, eventualmente, visitam. Estar doente neste país é a sarna que afasta de nós os mais queridos, excepto as senhoras que amam e amamos, sempre uma. Mania de ser fiel!

Lenda: homem feliz  que choraminga de forma injusta…

 

Blasfémia! Ele disse-o outra vez!

 

As minhas desculpas pela ausência de legendas, não consegui encontrar nenhuma versão legendada.