A dívida do Governo para com o futuro: Agro-ladroagem

Portugal está em “stress hídrico”, mas o governo projecta até 2030 mais 134 mil hectares de novos regadios … intenções de investimento que superam os 2.000 milhões de euros em novos regadios e a modernização dos sistemas já instalados para “acelerar” a intensificação de culturas, quando se verifica uma redução nas disponibilidades de água, segundo Relatório do Estado do Ambiente 2020/21 da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), que revela um diagnóstico “preocupante” sobre o futuro dos recursos hídricos em Portugal. Ao longo dos últimos 20 anos houve uma redução na disponibilidade de água deixando o país em “stress hídrico”…
“Apesar deste cenário crítico, o governo anuncia que prevê investir 588 milhões de euros na modernização dos regadios existentes e 199 milhões na construção de novas infra-estruturas de rega. Destes montantes, a região alentejana irá beneficiar de 304 milhões. Para o centro do país serão canalizados 212 milhões.”

A região alentejana irá “beneficiar” ??? Que falácia inaudita, quando se está a falar de sugar a região alentejana, de a sobre-explorar e dela abusar à bruta com cada vez mais culturas intensivas e superintensivas !

“Visto de longe, um olival acabado de plantar parece um cemitério americano”. “Ele domina o manto de verde em quilómetros e quilómetros até perder de vista. Esta é a nova realidade no Alentejo, sobretudo em Beja, Serpa, Moura, Ferreira do Alentejo.”

Com infindável hipocrisia se declara que “A agricultura intensiva de regadio é perfeitamente compatível com a sustentabilidade dos recursos“ – o quê ??? E nem tendes vergonha nenhuma de reconhecer que “é um modelo agrícola atraente porque garante elevados rendimentos a curto prazo“ – pois, a curto prazo, para encher bolsos alheios e empobrecer tudo o resto…  e de concluir que “existe hoje uma dinâmica empresarial muito interessante no sector agrícola, que interessa acarinhar e suportar” – muito interessante é a vossa avó torta! No Alentejo, “antes existia grande variedade de culturas de sequeiro e de prados. Hoje, a homogeneidade de culturas domina numa região que está, em mais de 70%, na mão de grupos estrangeiros. Sem respeito pela paisagem ou tradição dos locais, os custos para a região são imensos.”

Sabeis vós e sabemos todos que a intensificação das culturas agrícolas acarreta a contaminação dos solos e águas por pesticidas e fertilizantes, a alteração das paisagem e problemas socio-económicos que afastam as pessoas do interior e promovem a perda de biodiversidade, bem como incêndios recorrentes…

Mas tudo isto pretendeis vós, governo, promover e subsidiar. Porque só vos interessa o curto prazo das eleições, só interessa sacar, esmifrar a qualquer custo. E quando a terra e o solo estiverem exangues, vão-se os investidores à sua vida e cá ficam os restos estéreis de terra deserta, mas nessa altura já vocês estarão reformados e sem punição. [Read more…]

Para quando o mestrado para orientador de aparcamento de viaturas?

Para quando o mestrado para “orientador de aparcamento de viaturas”? Ou, como denominam os invejosos e os ignorantes, para “arrumador”?

É mais do que tempo, que diabo!

Para quem queira inteirar-se melhor, é só clicar aqui.

Entretanto, ao ler o anúncio, vem à minha memória os discursos acerca do Alqueva, do Alentejo, do regadio, da agricultura, das prioridades, etc. Não sei porquê…

Megaprojectos – Alqueva serve para quê?

Reina enorme desilusão nos agricultores alentejanos. A água que é a base da transformação da agricultura de sequeiro em regadio, não chega aos campos, só meia dúzia de agricultores arriscaram avançar com os seus projectos, mas às escuras, sem saberem quando vão ter àgua, quanto custa, em que condições vão ter acesso à água.

O Estado afastou os interessados das negociações, dos projectos, as associações de agricultores lamentam nada saber para poderem informar os seus associados, para quem, aliás, a barragem foi construída. Mas é claro, que o verdadeiro poder é deixar as pessoas penduradas, sem informação, agora é a hora de negociar os campos de golf, as milhares de camas ali à volta da albufeira, escolher os melhores sítios.

Qual lavoura?

Ali está o provinciano “maior lago artificial da Europa”, sim, cá nunca se faz uma coisa ao nível do que precisamos, é sempre a ponte maior, com o arco maior de betão, e assim por diante, que a máquina do betão é preciso ser alimentada!

E agora querem implodir os estádios, os tais que tambem eram imprescindiveis…que será coisa que se calhar não têm coragem para fazer quanto a Alqueva, mas avançar com a rega, isso é que não, os agricultores podem ficar informados e terem planos, valorizar as suas terras, decidirem-se pela agricultura, produzirem azeite e tomate, frutas e flores, e porra, isto seria um desastre, lá se iam as importações…