Afinal, o que foram fazer à troika?

O Bloco de Esquerda e o Partido Comunista foram criticados por não se terem reunido com a troika. Sinceramente, pareceu-me que essa atitude tinha mais prós do que contras. Face àquilo que se está a passar, começo a deixar de ver os contras.

Agora, os dois partidos que, para além do PS, assinaram o memorando aparecem surpreendidos ao saber que o documento que subscreveram não corresponde exactamente ao texto aprovado no Conselho Europeu.

CDS e PSD clamam que o Governo não os informou das alterações, o que é negado por Sócrates, o homem que, nas palavras elogiosas de Paulo Portas, “tem contactos curtos e intermitentes com a verdade.” Passos Coelho, por outro lado, assume que, seja como for, o novo texto será cumprido, deixando a impressão de que quaisquer outras alterações serão, ao mesmo tempo, criticadas e bem-vindas.

O governo, ao não informar o país e os partidos, está apenas a ser coerente, pelo que se impõe a crítica à sua actuação. Outra pergunta, no entanto, se impõe: o PSD e o CDS não se sentem igualmente desrespeitados pela troika? Se houve negociação e assinatura, não deveriam os dois partidos criticar a instituição que, pelos vistos, faltou à palavra? Ou será que, afinal, essa assinatura serviu apenas para marcar presença e ficar na fotografia, na esteira de Durão Barroso nas Lajes? Afinal, o que foram lá fazer os meninos?

Memorando da troika: Governo engana os portugueses

Para grande surpresa, o memorando da troika que foi primeiro divulgado apenas em inglês e que o Aventar traduziu não é aquele que posteriormente foi assinado pelo governo na reunião do ECOFIN duas semanas depois. Existe uma segunda versão do documento e esta é que foi assinada pelo governo.

Diferenças:

  • Alterações menores (?) de calendário [Público]
  • «As empresas municipais e regionais passaram a ser mencionadas especificamente, ao contrário do que acontecia no documento original. Ainda que com prazos mais alargados, estas empresas a cargo das Câmaras Municipais e regiões autónomas vão ser sujeitas ao mesmo tratamento que as empresas tuteladas pela administração central.» [Expresso]
  • Concurso para nova licença UMTS/3G à qual não poderão concorrer os actuais operadores [Negócios]
  • As alterações à Taxa Social Única (TSU) têm de estar preparadas com um estudo a a concluído até Julho deste ano  o que significa, segundo Passos Coelho, que o governo já tenha decisões tomadas neste momento [ionline]
  • Alterados prazos para mudanças no regime de indemnizações por despedimentos [Público]
  • Alterações ao regime da contratação pública foram adiadas três meses [Negócios]

Como se tudo isto já não fosse mau, escreve o Negócios:

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