Barco (laranja) ao fundo!

barco

A SIC e o Expresso, desse perigoso esquerdalho que é o senhor Balsemão, encomendaram mais um estudo à Eurosondagem. O resultado demonstra que o país leva cada vez menos a sério o PSD de Passos Coelho, que registou o pior resultado desde as Legislativas de 2015. Mesmo em coligação estatística com o CDS-PP, a combinação de forças não vai além dos 36,2%, bem abaixo dos 37,8% obtidos pelo PS. E o CDS-PP só escapa ao último lugar da tabela porque existe um pequeno partido, sem os recursos ou a influência dos seus pares, chamado PAN. Caso contrário seria a confortavelmente a força partidária mais irrelevante deste país. Assunção Cristas está a fazer um excelente trabalho. É deixá-la andar. [Read more…]

A pós-verdade do grande negociador?

Santana Castilho*

Se o problema fosse escolher um par, preferia Costa e Tiago a Passos e Crato. Se a questão se resumisse ao mal menor, este Governo ganhava. Mas se sairmos do preto e branco e nos libertarmos do quadro maniqueísta que por aí tem dificultado o reconhecimento do óbvio, porque o Governo é de esquerda, a conclusão é evidente: o importante não se fez e no mais são os erros que dão o tom.

Sobre esse problema primeiro e maior que é a indisciplina na Escola (de que todos evitam falar para não se exporem ao julgamento sumário das redes sociais e ao risco da má imagem mediática), sobre os alunos que chegam à Escola sem a educação mínima que os pais não puderam ou não souberam dar-lhes, a resposta foi a demagogia dos tutores, que já existiam, mas que agora atendem dez com os meios que antes tinham para quatro.

Sobre a monstruosidade dos mega-agrupamentos e a falácia da autonomia das escolas, tudo como dantes enquanto avança, de modo sub-reptício e com coniventes silêncios, a municipalização da educação, que há pouco se combatia porque vinha da direita e agora se deixa passar, porque sopra da esquerda. [Read more…]

Agradecimento público

– Obrigado, Pedro, por votares com a “extrema” esquerda – como tu dizes – contra a descida da TSU das empresas.
– Obrigado, Pedro, por ajudares a recompor um caminho de entendimento entre os partidos da maioria parlamentar que apoia o governo.
– Obrigado, Pedro, pela ajuda dada na redução – pena não ser extinção – do Pagamento Especial por Conta (PEC), tendo permitido que o PCP – e também o BE e os Verdes, cuja posição é idêntica – tivesse finalmente êxito numa luta que trava, desde o primeiro dia, contra este imposto.
– Obrigado, Pedro, por ajudares a proteger a Segurança Social do erro que se desenhava, votando ao lado da esquerda e da razão.
– Obrigado, Pedro, por teres traído tudo em que dizes acreditar por amor à esquerda e aos trabalhadores. [Read more…]

Excessivo é ter que o ouvir

Ontem, na AR, Passos repetiu vezes sem conta no debate parlamentar e consequente votação da descida da TSU para as empresas: “O aumento do salário mínimo é excessivo”. Excessivo é ter que o ouvir. Causa lesões cerebrais irreversíveis.

A TSU e a hipocrisia do PS

Nem vou falar do PSD de Passos Coelho. Porque já vimos o que foram os 4 anos da sua governação, porque sabemos aquilo que a casa gasta e, sobretudo, porque não gosto de bater em mortos. Mesmo aqueles que ainda não foram enterrados.
No fundo, em demasiados aspectos, o PS não é muito diferente do PSD. Relembre-se que na Oposição, foi sempre contra a redução da TSU. E o próprio António Costa nunca falou da TSU como contrapartida para o aumento do Salário Mínimo. Nem na campanha para as primárias do PS, nem na campanha para as Legislativas de 2015, nem em nenhuma outra altura.
Vêm agora dizer-nos que foi o Presidente-da-República-estacionador-nos-lugares-de-deficientes que esteve na base da medida. É igual ao litro. Esse senhor não tem poderes legislativos e só pode patrocinar seja o que for se o Governo estiver pelos ajustes.
Pelos vistos, esteve. Nem que para isso tivesse de rasgar os acordos com os parceiros de Esquerda (propositadamente?), onde assumia expressamente «a reavaliação das reduções e isenções da TSU».
Com efeito, o PS reavaliou as reduções da TSU. Só que para baixo.

Muito obrigado, Pedro Passos Coelho

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Imagem via Uma Página Numa Rede Social

A revolta instalou-se porque o PSD se prepara para chumbar a descida da TSU, como forma de compensar o aumento do salário mínimo nacional (SMN). Honestamente, não percebo o frenesim. Mas alguém esperava que este PSD, dominado pela liderança mais radical de que há memória, fizesse o frete ao governo minoritário de António Costa? Francamente. [Read more…]

A culpa de Costa

Portugal's Prime Minister Antonio Costa reacts during a biweekly debate at the parliament in Lisbon, Portugal September 22, 2016. REUTERS/Rafael Marchante

O governo minoritário do PS, no seu engenhoso exercício de equilibrismo político, jogou uma cartada arriscada com a indexação da redução da TSU ao aumento do salário mínimo nacional (SMN). Porque os acordos firmados com os partidos à sua esquerda, em matéria de redução das contribuições dos patrões para a Segurança Social, não são opção. Porque, do lado direito do espectro, principalmente em questões estruturais, mais não pode esperar do que uma feroz oposição, que de resto sempre alimentou. No que estaria António Costa a pensar? [Read more…]

Não era isso que (quase) todos diziam sobre o seu governo, deputada Cristas?

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A propósito da polémica proposta para reduzir a TSU como forma de compensar o aumento do salário mínimo nacional (SMN), a deputada Cristas acusou António Costa de ter uma “maioria intermitente“, que não é “estável, credível e duradoura“. Não era isso que tantos portugueses diziam sobre o governo que a candidata à CM da Lisboa integrou? E, no entanto, o governo PSD/CDS-PP lá conseguiu chegar ao fim do mandato. E conseguiu-o apesar das birras e das facadas do parceiro minoritário da coligação. Em 2012, quando o país se insurgiu contra a proposta de aumento da mesma TSU, não para compensar um aumento do SMN, que o caminho era o do empobrecimento, mas à custa da subida das contribuições dos trabalhadores para a Segurança Social, o CDS-PP tirou o tapete a Passos Coelho. Assunção Cristas estava lá e participou neste duro golpe na estabilidade e credibilidade da coligação. [Read more…]

O principal nomeado para o Prémio Quanta Falta de Vergonha na Cara 2017

“Porque aquilo que nós estamos a fazer com esta acção (votar contra a descida da TSU na Assembleia da República) é salvar a concertação social e não parece”– Luís Montenegro na Grande Entrevista, RTP, em 18-01-2017

Carlos César, eloquência peremptória

O líder do PSD fez mudar a opinião do partido. Não acredito que o tenha feito para contrariar a opinião do ex-vereador da bancarrota da Câmara de Gaia [referindo-se a Marco António Costa, a quem o presidente da Câmara, Eduardo V. Rodrigues, entregou a Medalha de Mérito Municipal].

Será um Catavento? Ou talvez mais, o quanto pior, melhor!

Rui Naldinho

passos catavento

A propósito da posição que o Pedro Passos Coelho e o PSD pretendem tomar no parlamento em relação ao Acordo de Concertação Social alcançado para este ano de 2017, Marques Mendes chamou-lhe catavento.

Marcelo Rebelo de Sousa deve ter ficado roído de inveja por Marques Mendes lhe ter roubado esse título honorífico, digno dos personagens que depois de defenderem uma determinada ideia, passados tempos afirmam o seu contrário, garantindo que aquilo que afirmaram antes não é bem a mesma coisa do que estão a defender no presente.

Coisas de políticos! Ou como diz o escritor Rui Zink, “as coisas desesperadas que as pessoas fazem para serem populares e terem muitos likes”!
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Mais um Passo(s) para delapidar o PSD

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Há 4 anos atrás era a favor. Há um mês atrás era a favor, de acordo com que o foi referido por um dos seus vices. Até a obsoleta Rádio Renascença deu com a marosca.
Hoje é contra, curiosamente, contra.

A questão é antiga mas ao mesmo tempo reveladora da desorientação geral em que vive nestes dias a liderança do PSD. Sem rumo político, quer no plano nacional quer na preparação das ansiadas autárquicas (nas quais, o PSD como histórico leader nacional e máquina caciquista que é pode estar à beira de um total e redondo colapso, colapso que certamente modificará muita coisa dentro do partido) com uma liderança de navegação à vista nos últimos meses, cheia das habituais posições modificadas, de ideias que oscilam entre o barato da feira da ladra e o horrível surreal e de uma choradeira sem fim (“porque fomos nós que ganhámos as eleições, pá”) aliada a uma desorientação colectiva no que diz respeito à preparação do acto eleitoral que se avizinha, denota-se a largas vistas que Coelho deu mais um Passos para a desgraça na questão do descida da TSU para as empresas caso a esquerda leve  a medida lavrada na concertação social a votação na AR.

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Pai Natal Costa

Pai Natal Costa

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A imagem diz tudo. A maioria das empresas paga mais do que o salário mínimo nacional, pelo que, para estas, o desconto na TSU foi uma verdadeira prenda de Natal, como lhe chamou Jerónimo de Sousa.

E que empresas são estas? Todas as que tenham trabalhadores especializados e outras, surpreendentemente, também. O Dinheiro Vivo contactou algumas empresas em Janeiro deste ano e concluiu que a IKEA Portugal, o Lidl, o Grupo Jerónimo Martins, o Grupo Dia, o Grupo Aki e Grupo Lena (maioritariamente) pagavam, nessa data, acima do salário mínimo. Para cerca três quartos dos empregos em Portugal, a baixa da TSU traduziu-se num saldo muito positivo, se não mesmo num autêntico desconto.

Com efeito, o governo agradou aos gregos quanto ao salário mínimo. Que se lixem os troianos.

E o governo agradou aos gregos quanto ao salário mínimo. Que se lixem os troianos.

Como não é possível agradar a ambos, o governo escolheu agradar aos patrões, generosamente, ainda mais do que se antevia, em troca de uns tostões no salário mínimo. A TSU vai baixar 1,25 pontos percentuais, o que significa que os patrões, não precisam de reflectir os ganhos nos salários.

Como não existem milagres, a Segurança Social leva um rombo, que há-de ser compensado com menos anos de reforma, graças a mais anos de trabalho, ou com mais cortes nas reformas e nos apoios sociais. Ou em ambos!

Dirão que a política é feita de compromissos, mas isso implica  cedências em ambas as partes. Não é o que se passou nesta negociação. Com esta redução na TSU, os trabalhadores perdem muito no longo termo.

Há, ainda, um spin engraçado que afirma que o Passos teve uma enorme oposição quando tentou mexer na TSU e que agora isso não aconteceu. Como spin que é, não diz a verdade toda. Passos tentou baixar a TSU em maior dimensão e sem nenhuma vantagem para os trabalhadores. Na verdade, estes, juntamente com os pensionistass, até estavam a ver os seus rendimentos cortados. Mexer na TSU e aumentar o salário mínimo não é uma solução boa, mas cortar na TSU e nos rendimentos ainda é pior. Só para que conste.

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A discussão sobre o salário mínimo não é uma excentricidade nacional. Veja-se este exemplo nos States, realçando o que é o spin e o que é a realidade.

Governo violou Acordo à Esquerda

A deputada do Partido Ecologista “Os Verdes” afirmou hoje, na Assembleia da República, que o Governo, ao decidir diminuir a Taxa Social Única das empresas, violou o acordo estabelecido com aquele partido na formação da maioria parlamentar que constitui a Geringonça.

Mais salário mínimo e menos TSU, ou como não se deve agradar a gregos e a troianos

O desconto de 1% proposto pelo Governo para um eventual acordo cobre, no mínimo, 14,9% no acréscimo de custos das empresas com o novo salário mínimo. Se forem abrangidas todas as situações, como agora, o desconto pode chegar a superar o acréscimo de custos. (Jornal de Negócios)

Os patrões da competitividade graças a salários baixos, em vez de graças à qualidade e eficiência, estão a levar a água ao seu moinho. Na prática, está-se a baixar a sustentabilidade da Segurança Social em troca do aumento de uns euros num salário miseravelmente baixo.

Se isto não geringonçar, já que PCP e Bloco não estão a alinhar no esquema, falta saber se PSD e CDS vão apoiar o PS. A verificar-se esta situação, o PS parecerá um Dr. Jekyll e Mr. Hyde, que nuns dias é geringonça e noutros é caranguejola. Quanto à direita, nada de novo. Estão do lado do capital, como habitualmente.

Diz que é uma espécie de TSU

Luis Marques Mendes em entrevista com Tania Madeira . Conversas com vida .

Foto: Paula Nunes@Diário Económico

Num momento de singular inspiração, Luís Marques Mendes teve este apontamento, digno de figurar na saudosa rúbrica “Concatena, filho, concatena“:

Este imposto sobre o património é uma espécie de TSU de António Costa.

Apesar de há muito viver rendido à perspicácia do barão do PSD, suspeito que Marques Mendes se tenha esquecido de pensar antes deste momento de profecia futurológica. É que, em 2012, a tentativa de Pedro Passos Coelho de retirar rendimentos aos trabalhadores para aliviar a pesada austeridade que pendia sobre os patrões foi, em certa medida, o início do fim político de Pedro Passos Coelho. Encheu ruas e praças por todo o país, com os números a atingir as centenas de milhares de manifestantes. Honestamente, e talvez esteja errado, ou não fosse eu um esquerdalho patego, tenho algumas reservas quanto ao efeito mobilizador de um imposto residual, cobrado a uma ínfima parte da população e cuja condição multimilionária não sei sequer beliscada, no seio da população portuguesa.  [Read more…]

Paulo Portas e os adjectivos em -vel

Depois de ter sido irrevogável, Portas é “politicamente incompatível com TSU dos pensionistas.” Para estes, a posição do ministro é “impensável“. Incrível!

Orgulhosamente sós

Passos recusa baixar TSU ou subir IVA apesar de proposta da OCDE

Roubar dinheiro aos mais pobres

Serve exactamente para quê?

Para poupar?

Vejamos – alguém que ganhe 1000 euros ou menos, no nosso país, tem dois destinos para o seu dinheiro: a economia, por via do consumo e uma ou outra aplicação bancária, quase sempre um pequeno depósito a prazo.

Percebo tanto de economia como o Major de timing para homenagens, mas parece-me que o nosso país precisa de ambos como de pão para a boca: de dinheiro na economia e de poupanças.

Assim, o motinhas e o aldrabão, só conseguem uma coisa quando tiram dinheiro aos titulares de pensões de sobrevivência: afundar ainda mais o país. É verdade que poupam uns tostões (milhões), mas como a economia vai piorar o resultado será, como se tem visto nos últimos dois anos, sempre um desastre.

Em jeito de conclusão: mais portugueses ficarão abaixo do limiar da pobreza e o país cada vez pior. E estes imbecis que não conseguem parar de escavar.

Um não, dois!

Bem atravessados!

 

Portas, o tempo está a contar

Governo tem até 15 de Julho para encontrar substituto para a TSU dos pensionistas.

Baza que isto aqui não é um filme boy

Pedro Passos Coelho quer ir embora, largar aquele barco de Borges e de Gaspar, ser libertado da missão danada que chamou a si (e chamou-lhe histórica, imagine-se). Bastou ver como ontem se enervou no Parlamento (noutras circunstâncias, não seria o PS sem Norte de Seguro que haveria de irritá-lo assim) por causa do tema das eleições antecipadas, para sentir a insegurança, o medo que lhe cresce por detrás daquele tom autoritário, a exasperação a evidenciá-lo. Repare-se como ficou transtornado, como precisou de invocar a maioria absoluta, reclamando o mandato até 2015 no matter what – como se a governação democrática não requeresse diálogo, [Read more…]

Volta TSU, estás perdoada

José-Manuel Diogo

O que é uma boa ideia? É aquela a que as pessoas queiram aderir. Se as pessoas não quiserem aderir já não é uma boa ideia.
Por isso é que uma “boa” ideia como a lei da TSU falhou. Porque não foi aceite por ninguém. Nem por aqueles que diretamente lucrariam com ela. E isto aconteceu apenas porque foi mal comunicada.
Se o governo tivesse, como mais tarde teve de fazer, anunciado o aumento do imposto aos trabalhadores primeiro, como uma coisa má mas inevitável, e a diminuição da taxa social única uns tempos depois, como uma coisa boa. Seria aplaudido de pé. Assim foi vaiado por todos.
A TSU tinha bondades óbvias. [Read more…]

Eles são vingativos

Desculpem, mas é assim que eu vejo isto: eles vingaram-se. Gaspar vingou-se. Com o agravamento do IRS, ainda conseguiu uma receita maior que com as « mexidas» na TSU.

Baseando-me no que Domingos Lopes ( Membro da Comissão Organizadora do Congresso Democrático das Alternativas) escreveu hoje no Público, eu digo:  queremos que a nossa voz se oiça. Queremos que acabe o “monopólio da nossa representaçã0 por via dos partidos”.

Isto está a ficar insuportável.

As manifestações que fizermos não vão demover o governo das decisões anteriormente tomadas. Pelo contrário, serão agravadas porque o Governo é autoritário, nada humilde, nunca irá recuar face ao descontentamento dos portugueses.

Não há democracia em Portugal. Que democracia é esta? Devia haver um Tribunal Internacional visando a manutenção das democracias nos países ditos democráticos! Iam chover reclamações, processos uns atrás dos outros, ai isso é que iam!

Vocês não são  os donos deste país. Raios!!

Ironia blasflema

O João Miranda anda escandalizado por a TSU não ter sido aprovada. Com ironia, diz que «o lado bom destas novas medidas é que não há transferências dos trabalhadores para os patrões». Mas, ironicamente, ele tem razão. Vejamos. Se a TSU tivesse avançado, o buraco das contas não teria sido tapado – com efeito, já no momento da apresentação da TSU se falava na redefinição dos escalões do IRS. Portanto, com TSU, teria havido essa transferência dos trabalhadores para os patrões mais esta transferência dos trabalhadores para o estado. Simples, não é João?

O medo

Possivelmente, o medo da revolta dentro do PSD contra a TSU foi mais forte do que o receio de consequências negativas para o país que este espasmo mental traria. É que ao primeiro não estava o governo habituado. A ver vamos, se de facto, houve recuo e que imposto vai, em substituição, ser cobrado… aos do costume.

A TSU posta em versos

Relaxa a rigidez do mercado de trabalho devido a redução do custo do salario com possibilidade de renegociação.

João Mirandaipsis verbis

Dentro do governo, os uns e os outros

O caso da TSU não é em si uma  novidade, toda a acção política deste governo visa tirar aos que trabalham para dar aos que são proprietários dos meios de produção, um clássico da luta de classes. Tem mesmo a enorme vantagem de não enganar ninguém, e incomodar quem deveria beneficiar mas sabe do seu ofício (ontem mesmo ouvi de um empresário do calçado, a única indústria portuguesa que soube ganhar com a CE, que iria tentar compensar os seus trabalhadores pelo assalto, já que isto os ia desmotivar, quem sabe gerir uma empresa, sabe).

Mas não deixa de ser a diferença entre a vergonha e o descaramento. Através do Público de hoje sabemos agora que três ministros se opuseram: Paula Teixeira da Cruz, Paulo Macedo e Miguel Macedo. Demonstram inteligência, afinal havia três. também demonstra que o CDS tem ministros que não leram o programa do seu partido. Fantástico.

Gozo particularmente com o apoio de Nuno Crato. Se olharmos para o que se está a fazer no estado espanhol em matéria de educação, percebe-se: Nuno Crato teve alguma graça ao criticar os exageros do eduquês, fora isso é apenas o representante  para o ensino da tenebrosa ideologia que nos governa, que ambiciona apenas e só acabar com a escola pública. As sucessivas mentiras em que se tem embrulhado só o atestam. Só é cego quem não o consegue, ou quer, ver.

O Escorpião

 

 

Primeiro foi Monteiro, Manuel Monteiro. Confiou no homem e foi trucidado politicamente até aos dias de hoje (uma das grandes injustiças da política nacional e castigo enorme pelo erro da criação do PND). Manuel Monteiro criou o Partido Popular nas cinzas de um CDS moribundo, ouvia Portas e este, quando se viu alçado ao poder, como verdadeiro número dois de Monteiro, foi aniquilando políticamente o seu amigo. Quem soprava para as redacções que era ele que escrevia os discursos de Monteiro? Que Monteiro só defendia e transmitia aquilo que ele lhe dizia? Quem lhe tirou o tapete independente da inabilidade política de parte substancial da equipa de Monteiro?

 

Mais tarde, foi Marcelo Rebelo de Sousa. Contra boa parte do seu partido, em especial o baronato, decide avançar com uma coligação com Portas. Pouco tempo depois, foi politicamente esfaqueado por Portas. Mais uma traição para o seu currículo e o fim da AD. Marcelo nunca mais foi líder do PSD e é hoje comentador televisivo.

 

Agora, Passos. Pedro Passos Coelho é a nova vítima. Em nome de um patriotismo bacoco, Portas manteve um silêncio ensurdecedor ao longo da semana mais negra deste governo para, hoje, uma vez mais travestido de virgem ofendida, espetar uma faca nas costas do Primeiro-ministro. Uma vez mais. O mesmo actor principal. São coincidências a mais. E só não vê quem não quer.

 

Contudo, posso estar enganado, mas desta vez, como na parábola do sapo e do escorpião, Portas mediu mal as consequências e vai terminar politicamente afogado. Como o escorpião.

Teoria da conspiração ou burrice

E se as contas públicas estivessem tão más, mas tão más que a queda do governo seria melhor do que continuarem a se enterrar? A alternativa da burrice é ainda mais assustadora do que uma actuação maquiavélica.