Afinal, o que foram fazer à troika?

O Bloco de Esquerda e o Partido Comunista foram criticados por não se terem reunido com a troika. Sinceramente, pareceu-me que essa atitude tinha mais prós do que contras. Face àquilo que se está a passar, começo a deixar de ver os contras.

Agora, os dois partidos que, para além do PS, assinaram o memorando aparecem surpreendidos ao saber que o documento que subscreveram não corresponde exactamente ao texto aprovado no Conselho Europeu.

CDS e PSD clamam que o Governo não os informou das alterações, o que é negado por Sócrates, o homem que, nas palavras elogiosas de Paulo Portas, “tem contactos curtos e intermitentes com a verdade.” Passos Coelho, por outro lado, assume que, seja como for, o novo texto será cumprido, deixando a impressão de que quaisquer outras alterações serão, ao mesmo tempo, criticadas e bem-vindas.

O governo, ao não informar o país e os partidos, está apenas a ser coerente, pelo que se impõe a crítica à sua actuação. Outra pergunta, no entanto, se impõe: o PSD e o CDS não se sentem igualmente desrespeitados pela troika? Se houve negociação e assinatura, não deveriam os dois partidos criticar a instituição que, pelos vistos, faltou à palavra? Ou será que, afinal, essa assinatura serviu apenas para marcar presença e ficar na fotografia, na esteira de Durão Barroso nas Lajes? Afinal, o que foram lá fazer os meninos?

Comments

  1. Albano Coelho says:

    Concordo contigo mas ao contrário nunca considerei terem havido contras na não presença de BE e PCP nessa palhaçada. Agora melhor do que nunca se veem as cousas tal como são.

  2. Pedro M says:

    Até o Catroga admitiu que não houve “negociação”, desafio qualquer um a encontrar nas intervenções da Troika a menção da palavra “negociação”, o que existe é “auscultação”, que é como quem diz- “Vamos fazer de conta que consultamos o país senão parece mal”.

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  1. […] afirmar que a lei do aborto deverá ser revista, apesar de ter votado a favor no referendo, e tendo concordado em cumprir algo que não assinou, o Aventar soube que Passos Coelho entrou numa fase em que discorda das suas próprias opiniões […]


  2. […] muito que as sondagens se enganem, uma coisa é certa: no dia 5, o Partido da Troika (PT) alcançará a maioria absoluta. Embora pareça tratar-se de uma coligação entre os três […]