Ortografia: apocalipse agora

apocaliticas

Em mais uma volta, mais uma viagem, por um manual de Português de 10º ano, descubro a pergunta acima fotografada, relativa ao soneto “O dia em que eu nasci, moura e pereça”, essa variação talvez camoniana sobre o Livro de Job.

Graças ao chamado acordo ortográfico (AO90), ali está o adjectivo “apocalíticos”. Os autores do manual, para que os alunos não tenham dúvidas, explicam, entre parêntesis, que esta palavra significa “de grande desastre”. Talvez por falta de espaço, não indicam que o adjectivo é da família de ‘apocalipse’.

E, na verdade, como poderiam indicar tal coisa, se o AO90 obriga à separação de membros da mesma família?

Mais uma volta, mais uma viagem, por alguns instrumentos que, alegadamente, ajudam o escrevente a aplicar o AO90.

A Infopédia aceita “apocalítico”, embora, pela transcrição fonética, deixe claro que se pronuncia, por assim dizer, “apocalíptico”. Ora, uma pessoa estranha: mas não impõe o AO90 que se escreva como se pronuncia? Por outro lado, a Infopédia, também aceita que se escreva “apocalíptico”. [Read more…]

Hoje dá na net: Apocalypse Now (1979)

Até ver é o filme da minha vida. Versão longa, ou seja, 3h e 16 minutos de cinema. Tão bom que só ganhou dois óscares de treta.

Realização de Francis Ford Coppola. Com Martin Sheen, Robert Duvall, Marlon Brando, Harrison Ford, Dennis Hopper, e muitos outros.

Ficha IMBD

Em inglês, legendado em castelhano.

Façam surf, mas em casa

Os órfãos de Bush andam desesperados. A ameaça de vários países árabes se democratizarem sem uma invasãozinha, uns bombardeamentos, umas empresas privadas de segurança, deixa-os em desespero total. Isso e a perda de aliados, a começar pelo egípcio que tem apaparicado o neo-nazismo israelita.

Por um lado há um estranho silêncio sobre o Dia da Raiva no Iraque: sim, no Iraque também há manifestações pela democracia que a guerra não trouxe.

Por outro apela-se a que Obama repita os disparates dos seus antecessores, bombardeando a Líbia. Sendo desejável uma intervenção da Liga Árabe ou da UA, eles sabem perfeitamente que um tiro disparado pelas Natos arrasaria os processos revolucionários árabes num instante. Como vale tudo, um tipo qualquer, esquecendo que a liberdade de expressão acaba quando se inicia, por exemplo, a apologia do crime de guerra, chama o Coronel Kilgore. Perdoa-lhes Coppola, eles nem sabem o que dizem, quanto mais o que fazem.

Dennis Hopper por Francis Ford Coppola

Apocalypse Now, 1979 [Read more…]