Não queria estar na pele do juiz

Há por aí um juiz português que, se tem ambições de carreira, já deve estar a tremer. Esse juiz é aquele que, a partir da próxima semana, vai dirigir os interrogatórios a Armando Vara, Paulo Penedos e, muito provavelmente, José Penedos.

Como se viu no caso Paulo Pedroso, quem se mete com o PS leva e, até hoje, nunca mais o juiz Rui Teixeira foi promovido. O mesmo acontecerá, muito provavelmente, ao juiz que decidir enviar para julgamento aqueles figurões do PS. E ao juiz que decidir condenar os arguidos.

É por isso que, já se sabe, nada vai acontecer de especialmente relevante neste caso. Por mais provas que haja ou que dizem que há.

Vara Oculta

FACE OCULTA ENCONTRA ARMANDO VARA

.

.

A rede tentacular integrava Armando Vara e mais onze companheiros. Para já, só dois, ele, Godinho e José Penedos (REN), foram constituídos arguidos. Manuel Godinho, empresário de Aveiro, está detido.

Nos negócios ocultos, os pagamentos incluíam dinheiro em notas e carros de alta cilindrada, Mercedes de preferência de valores nunca inferiores a dez mil euros. E não foi há muito tempo! São negócios recentes.

Armando vara é um alto dirigente do BCP e já o foi da CGD, grande amigo de Fátima Felgueiras e do nosso Primeiro, Sócrates II, O Dialogador, e politicamente muito influente, e ninguém terá ficado surpreendido por ver o nome deste sr misturado nesta coisa.

A exemplo do amigo Pinto de Sousa, também ele se formou na Universidade Independente, mas em Relações Internacionais, três dias antes da sua nomeação para a Administração da CGD.

Terá sido mais um salto à vara.

.

Eis a procuradora que está investigar Vara e Penedos

Como é que não fico admirado?

Sócrates e Vara: Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és

Provavelmente, nada acontecerá a Armando Vara, apesar de ter sido constituído arguido no âmbito da operação «Face Oculta». A Polícia Judiciária e as primeiras instâncias do Ministério Público e dos Juizos fazem o seu papel mas, quando entram em cena outras figuras, mais graúdas, os processos simplesmente são travados. Daí até à prescrição ou ao arquivamento, vai um pequeno passo.

Para a Justiça portuguesa, os poderosos nunca são culpados. Corrupção ou tráfico de influências? Veja-se Lopes da Mota.

Quanto a Armando Vara, todos se lembram da forma como foi obrigado a demitir-se do Governo por causa da Fundação para a Prevenção e Segurança e das irregularidades cometidas. Nada que o tenha afectado especialmente – regressado à Caixa Geral de Depósitos, passara automaticamente de simples empregado de balcão a Administrador do Banco.

Alguns anos antes, em 1990, criara a Sovenco – Sociedade de Venda de Combustíveis. Como sócios, José Sócrates e Virgílio de Sousa. Curiosamente, estão todos a contas com a Justiça em processos de corrupção – Vara com a «Face Oculta», Sócrates com o Freeport, Virgílio de Sousa já condenado a prisão por corrupção no Centro de Exames de Condução de Tábua.

Todos estes escândalos acabaram com a carreira política de Armando Vara, mas nem por isso a sua influência política diminuiu, traduzida agora no mundo dos negócios. Da Caixa Geral de Depósitos, passou para o BCP pela mão de José Sócrates. Já estava no Banco privado quando foi promovido, na Caixa, à categoria mais elevada do vencimento, com efeitos a partir do momento em que regressar. Sim, porque antes de sair foi-lhe concedida uma licença sem vencimento.

E agora isto. 

Através de escutas e movimentações da conta bancária, o Ministério Público tem provas de que Armando Vara recebeu 10 mil euros para intervir directamente junto do ministro Mário Lino na entrega de negócios a grandes empresas privadas.

Haverá certamente uma justificação, porque, como é óbvio, estamos em presença de mais uma campanha negra.

E Mário Lino?