O SOL …quando nasce é para todos:

A publicação de escutas está na moda:

Maria Monteiro: Impossível decifrar escutas

Concurso Aventar: faça a sua transcrição das escutas Vara / Sócrates

Corpo da mensagem:
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Obs da PJ: foi utilizada linguagem gestual (impossível transcrever escutas)

25.000 Euros de robalos ?

Segundo consta nos meios judiciais, o sr. Armando Vara poderá ter recebido 25.000 Euros em notas. Não será um lamentável engano? É que ainda há umas semanas, o prestimoso e eficiente gestor do BCP Millenium, garantiu ter recebido uma prenda em robalos. A questão a colocar é a seguinte: a quanto está o quilo da deliciosa especialidade? 25.000 Euros de peixinho, serão mais que suficientes para quotidianamente os cozinhar até ao fim da vida!

Afinal, Terá Sido Um Bocado Mais Carote

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GODINHO, VARA E COMPANHIA
.Estes tipos são uns pândegos.
Andaram por aí a dizer que o sr Vara se vendeu por uns míseros dez mil euros, quando, até já o saberiam na altura, se adivinhava que o vice-presidente do BCP não se venderia. Pelo menos nunca por verba tão ridiculamente pequena.
Vem agora a notícia um pouco mais credível, muito embora ainda custe a crer a muita gente que se continue a falar unicamente de verbas tão escassas.
Na realidade, pensa o Ministério Público, para além dos primeiros dez mil euros, que poderiam ter servido de entrada, houve mais uma outra entrega, esta de vinte e cinco mil euros, paga durante um jantar em casa de Godinho, no Furadouro, Ovar, onde também esteve um amigo e colega fundador de Vara na Fundação para a Prevenção e Segurança Rodoviária , Lopes Bandeira, que terá recebido de igual modo, idêntica quantia.
O MP, não acredita que os termos ouvidos nas escutas telefónicas, «25 quilómetros» e «50 documentos», sejam unicamente frases de calão utilizados na banca.
Enfim, o sr Vara parece estar numa camisa com mais varas do que as que ele pode aguentar.

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E agora… algo completamente absolutamente

Transcrição de escutas Vara / Sócrates: faça-as você mesmo

escutasCirculam pela net versões das escutas de conversas entre Armando Vara e José Sócrates. Já falámos disso, e porque a criatividade e imaginação quando nascem são para todos propomos aos nossos leitores um desafio literário: escreva a sua transcrição.

Lançamos mais do que um desafio: um concurso. O melhor texto, apurado por critérios tipo adjudicação directa, dará ao seu autor um telemóvel abaixo do topo da gama mas fora das bases de dados da PJ: o indispensável para não ser escutado a menos que ligue para um Vara qualquer. Aí acaba o certificado de garantia.

Todos os diálogos forjados serão publicados, excepto os que violem as regras da casa.

Envie os seus textos através do nosso contacto. Cá os esperamos, avisando desde já que se aparecerem as verdadeiras transcrições não violamos o segredo de justiça – aqui no Aventar o sexo é sempre praticado por acordo entre as partes envolvidas. Data limite de entrega: 31 de Dezembro, vale o carimbo dos correios.

Ver as transcrições aqui

Fundação «À Vara»

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FORAM TRINTA MILHÕES AUTORIZADOS POR LINO
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Antes de abandonar o Governo, o ministro Mário Lino autorizou a transferência de 30 milhões de euros para a Fundação para as Comunicações Móveis (FCM).

A fundação, constituída pela TMN, Vodafone e Optimus em Setembro de 2008 – por iniciativa do Governo -, com dotação inicial de 61,5 milhões de euros (25 milhões dos operadores e 36,5 milhões transferidos pelo Estado dos resultados de 2007 e 2008 da Anacom), acabou 2008 com um passivo de quase 600 mil euros.
Entre as despesas do exercício contabilizam-se as remunerações dos três membros do conselho de administração (72 mil euros em três meses), a realização de eventos (107 mil euros), consultores (83 mil euros) e Internet (130 mil euros), entre outras.

Deve ser uma fundação «tipo Vara»… ou senão reparem nos três «boys», membros do conselho de administração, que recebem qualquer coisa como 24.000 € por cada um dos quatorze meses do ano. Reparem ainda no que receberam os consultores, e o valor pago na realização de eventos e em ligações à Internet.
Poderemos vir a saber quem são os membros e os consultores, ou isso é um segredo com face oculta?

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Roubá-los, desculpem, robalos pelo Natal, é o que está a dar

O segredo de justiça quando é lá em casa ou entre amigos não conta?

Segundo o DN nas buscas a Vara foram encontrados "elementos de um processo que corre no Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) e que, de acordo com fontes contactadas pelo DN, deveria estar em segredo de justiça".

Já sabíamos que também conhecia decisões judiciais antes de serem proferidas.

Chamo a atenção dos legisladores socratistas para terem cuidado com o aumento das penas para o crime de violação do segredo de justiça: não se esqueçam de excluir estes casos, ou ainda tramam os amigos.

Anda Tudo Doido

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FACE OCULTA

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Anda tudo preocupado porque os suspeitos terão sido avisados que estariam sobre escuta horas ou dia depois do nosso Primeiro falar.

Ninguém se preocupa com o facto de se ensinar aos meliantes que, quando se sabe que se está debaixo de escuta, se deve trocar, não só de número de telemóvel, mas também de aparelho.

E como, no final, tudo vai ficar em águas de bacalhau, o sr Vara anda muito satisfeito. Só há um detido preventivamente, e, não deverá haver mais. Só este é que é dispensável.

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Está para breve a divulgação das escutas

Dizem-me que está para muito breve a divulgação das célebres escutas de José Sócrates e Armando Vara. Se calhar, digo eu, é esperar por um dos semanários de fim-de-semana.

Se for verdade o que me dizem, vai haver algumas surpresas. Vai cair o Carmo e a Trindade e, como é óbvio, vai cair José Sócrates.

Sendo que a Assembleia da República não pode ser dissolvida até Março de 2010, terá de ser nomeado um novo primeiro-ministro. Irá ser António Costa, Presidente da Câmara de Lisboa, o Santana Lopes do PS?

Pouco viverá quem não viver para ver!

Varabilidades

TEXTO DE FRANCISCO LEITE MONTEIRO

 

A media em geral continua a dedicar largo espaço à investigação do já famoso caso “Face oculta” em que o ex-ministro socialista do governo de Guterres, Armando Vara, é sem dúvida a “estrela” dentre os vários arguidos, prosseguindo a investigação das suas habilidades, a cargo do Juízo de Instrução Criminal de Aveiro. A notícia destas “varabilidades” traz à mente uma outra que foi de primeira página, no Público de 10 de Janeiro do ano passado, quando Vara deixou a Caixa Geral para assumir o cargo de Vice-Presidente do BCP. Então fazia depender a aceitação do novo cargo da condição de lhe ser concedida uma licença sem vencimento, sem abdicar do cargo na Caixa Geral, assegurando assim um “oportuno” regresso à Caixa. Qual terá sido o desfecho dessa “varabilidade” – lembra o dito popular britânico “Have the cake and eat it…” quase o mesmo que tirar partido do “melhor dos dois mundos”… – não terá sido clarificado, como também subsistem dúvidas sobre a obtenção de uma outra “maravilha” que veio a público. Não se sabe bem como, Armando Vara obteve uma Pós-Graduação em Gestão Empresarial no ISCTE e só bastante mais tarde viria a concluir uma licenciatura na famigerada Universidade Independente, a mesma universidade onde o seu amigo Sócrates – com quem mantém contactos telefónicos frequentes, como se sabe – obteve uma licenciatura em engenharia, que também deu brado.

Sem especular, importa aguardar a conclusão da investigação e que, oxalá, não tarde o esclarecimento público de toda a verdade e a justiça seja exercida.

 

Isto está a passar das marcas

Na Sabado, o Gonçalo Bordalo Pinheiro  ( transcrição livre )

 

"Isto está a passar das marcas" diz Sócrates. "Isto" é um processo de corrupção que está ser investigado e que envolve vários socialistas e um grande amigo, Armando Vara. "Isto" são os meses a fio em terá sido escutado sem autorização do Supremo. "Isto" é o facto de não ser arguido e ter visto as suas conversas privadas transcritas. "Isto" é a impunidade com que se persegue o primeiro-ministro.

 

No entanto, antes do linchamento dos procuradores e dos juízes, responsáveis por mais uma campanha negra, valeria a pena esclarecer algumas das queixas de José Sócrates.

 

Em primeiro lugar ele não foi envolvido nas escutas. Envolveu-se ao manter uma relação com um suspeito de corrupção. Em segundo, ele não foi escutado meses a fio – quem foi escutado foi Armando Vara, Sócrates aparece nas escutas por falar regularmente com alguem suspeito de participar numa "rede tentacular ".                                                 

 

Em terceiro, as suas conversas privadas não foram transcritas – o que foi transcrito foram as conversas que um juiz considerou indiciarem um crime. Finalmente, isto não é outra perseguição – é mais um caso judicial em que o nome de Sócrates aparece envolvido e em que a sua conduta é questionável.

 

Isto, sim, começa a passar todas as marcas!

Portugal é mais corrupto do que a Itália – a propósito da polémica

 

Nos últimos dias, vai forte a polémica, dentro e fora do Aventar, acerca do último «post» que escrevi. Referia-me então ao arquivamento das escutas entre Armando Vara e José Sócrates, escutas essas que dois Magistrados da comarca do Baixo Vouga – um Juiz e um Procurador do Ministério Público – consideraram conter indícios de crime contra o Estado de Direito.

 Não fui eu que o disse, foram dois Magistrados independentes. Independentes porque não nomeados pelo poder político.

Não foi esse o entendimento do Procurador-Geral da República, um cargo que, como se sabe, não é, na prática, independente. Porque a sua nomeação, ao contrário dos outros Magistrados, depende do poder político: é nomeado pelo Presidente da República sob proposta do Governo. Da mesma forma, é também o Governo que pode propor ao Presidente da República a sua exoneração.

É por isso que, no que diz respeito ao conteúdo desse «post», não tiro uma vírgula – as instâncias superiores da Justiça protegem e defendem os titulares de cargos políticos e evitam que eles sejam chamados à barra do Tribunal.

Não faltam os exemplos. Sei que, como em todas as profissões, há os políticos sérios e os políticos desonestos. Mas então, como explicar que em todas as profissões haja desonestos que prestam contas à Justiça e na política não? É tudo gente séria…

Já quanto ao estilo, reconheço um certo exagero, fruto de ter escrito em cima do acontecimento. Que dizer? Olhem, que me inspirei num famoso «blogger» – que durante anos andou a chamar filho da puta a toda a gente e que, hoje em dia, é um garboso Deputado do Partido Socialista.

No meio de tudo isto, só tenho pena que a polémica tenha extravasado para a caixa de comentários de um outro «post», cujo objectivo era prestar uma sincera homenagem a Salgueiro Maia, o herói da Revolução de Abril e aquele que, se fosse vivo, estaria mutio desiludido com o estado a que isto chegou.

 

 

  

Armando Vara era a pessoa que tinha o pelouro do Sol

“Uma pessoa do círculo próximo do primeiro-ministro e que conhecia muito bem a situação do jornal e a nossa relação com o banco BCP disse-nos que os nossos problemas ficariam resolvidos se não publicássemos a segunda notícia do Freeport”, assume à SÁBADO o director do Sol, José António Saraiva – não revelando, porém, a identidade do autor da proposta. “É evidente que Armando Vara era a pessoa que tinha o pelouro do Sol no BCP e que todos os assuntos relacionados com o Sol passavam directamente por ele, e isso nós sabíamos”, acrescenta José António Saraiva.

 

Na Sábado, via Facebook

 

É por estas e por outras que a dimensão jurídica destes casos, onde ganham a vida os melhores advogados portugueses, tem pouca ou nenhuma importância. É por estas que as fugas de informação e violações do segredo de justiça valem mais  do que os processos em tribunal. É pelas outras que o estado de direito me dá vontade de rir, embora fosse mais apropriado chorar.

 E isto não é de hoje, tem exactamente a idade do estado de direito, e não sei porquê mas faz-me sempre lembrar esse grande mestre de seu nome Mário Soares.

Assim, Não Custa Nada

SUSPENSÃO COM VENCIMENTO

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Assim até nem custa nada estar com o emprego suspenso. Não trabalhar, mas continuar a receber os trinta mil euritos por mês de vencimento, é que é uma maravilha.

O sr Vara, o tal amigo do nosso Primeiro, Sócrates II O Dialogador, e apanhado com ele em conversas telefónicas duvidosas, e que terá recebido uma gorgeta de dez mil euros por um favorzito feito, continua a receber o seu vencimento chorudo, do BCP, apesar de ter o seu emprego suspenso. E tal vai continuar, enquanto não se apurarem todos os factos. O homem tem capacidades, lá isso tem. Desde um aumento após a saída da CGD até receber sem ter de trabalhar nem um bocadinho, ele há de tudo.

Está tudo mesmo oculto, até a face.

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José Sócrates é um assassino

O autor do disparo à queima-roupa que vitimou, há dois anos, um militante do PSD, nunca foi descoberto. E José Sócrates acaba de confessar a Armando Vara, enquanto este está a ser escutado, que foi ele o autor do disparo.

O Magistrado que autorizou e ouviu as escutas, convencido de que um crime de homicídio é suficiente para que seja extraída uma certidão, envia o processo para o Procurador-Geral da República, que o endereça ao Presidente do Supremo Tribunal de Justiça. Este declara as escutas nulas, porque não foram por ele autorizadas, e ordena a sua destruição. O Procurador-Geral da República não recorre e manda cumprir a ordem.

José Sócrates, Pinto Monteiro, Noronha do Nascimento, Clara Ferreira Alves e Mário Soares pensam que se fez Justiça, sendo que, para este último, estamos em presença de um «problema comezinho». Afinal, a Justiça americana, que liberta assassinos em série porque a obtenção da prova não seguiu todos os preceitos (como vemos nas séries), é que tem razão. 

Tudo está bem quando acaba bem.

 

 

José Sócrates será o Mário Soares de Pinto Monteiro

Há uns anos atrás,  o Procurador-Geral da República de então, Cunha Rodrigues, recusou ouvir Mário Soares, Presidente da República, a propósito do Fax de Macau, na investigação que estava a ser liderada por Rodrigues Maximiano. «Cunha Rodrigues, envolvido em conciliábulos com Soares em Belém, optou pela versão mínima: deixar de fora o Presidente e limitar o caso a apurar se o Governador de Macau, Carlos Melancia, recebera um suborno de 250 mil euros». (Joaquim Vieira, «Grande Reportagem», Set/Out 2005)

Os indícios criminais abundavam, mas Presidente é Presidente e o entendimento de Cunha Rodrigues era o de que «dar esse passo era abrir a Caixa de Pandora, implicando uma investigação ao financiamento dos partidos políticos, não só do PS mas também do PSD.»

Hoje em dia, o Procurador-Geral da República, Pinto Monteiro, tem o seu novo Mário Soares. Chama-se José Sócrates e é Primeiro-Ministro. O facto de um Magistrado de primeira instância considerar que há crimes contra o Estado na conduta do Primeiro-Ministro não é para ele relevante. Daí que mantenha o processo tanto tempo parado no seu gabinete, permitindo que Sócrates vença calmamente as eleições. Daí que não recorra da decisão do Supremo de anular e eliminar as escutas. Daí que se prepare para fazer o mesmo com as restantes certidões que já tem na sua posse. Primeiro-Ministro é Primeiro-Ministro e a função da Justiça não é perseguir os poderosos.

Exactamente ao contrário do que muitos dizem, parece-me que os Juizes e Magistrados de primeira instância são aqueles que mostram mais independência. Foram eles que prenderam Paulo Pedroso, que extrairam certidões sobre José Sócrates, que constituiram Armando Vara arguido. Quando a situação se torna complicada para eles, as instâncias superiores da Justiça são chamadas e tudo desaparece como que por magia. Anula-se. Arquiva-se. Nomeia-se Cândida Almeida, a grande amiga de Mário Soares e de Almeida Santos. E destrói-se. Tudo. Porque a função da Justiça não é perseguir os poderosos.

 

Mais um que nunca mais progride na carreira

Coitado do homem!

Face Oculta

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ESCUTAS, APANHADOS A FALAR DO QUE NÃO DEVIAM

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.Seja qual for o lado por onde se queira olhar, não restam dúvidas seja a quem for que o nosso Primeiro, Sócrates II, O Dialogador, for escutado a falar com o seu amigo Vara, e essas conversas foram gravadas e transcritas.

Seja qual for o lado, não deverão restar dúvidas seja a quem for, que algo de menos correcto se deverá ter escutado, para que tanta tinta se tenha gasto por aí, e para que ninguém diga do que se trata.

Seja qual for o lado, não restarão dúvidas seja a quem for, que por causa disso, o na altura nosso Primeiro, Sócrates I, O Arrogante, sabia das coisas que se estavam a passar no que respeita à PT/TVI, embora, como mesmo ele afirma agora, tanto ele como o seu governo, não tenham tido qualquer conhecimento «oficial» seja do que for.

Seja ainda qual for o lado por onde se queira olhar, não restarão dúvidas seja a quem for, que o agora nosso Primeiro, está entalado, não sabe o que responder às perguntas directas que lhe fazem, e que a sua credibilidade, aos olhos da opinião pública, anda pelas ruas da amargura.

Ainda, seja qual for o lado, não restam dúvidas que os elementos do partido do governo, andam aflitos, que os partidos da oposição andam esfaimados, e que hoje são uns mas ontem foram os outros, e ninguém se safa de culpas seja em que altura for.

Por último, seja qual for o lado por onde se queira olhar, não poderá restar qualquer dúvida, seja a quem for, que o nosso País está a saque, que a corrupção grassa por todo lado, e que todos, mas todos os que nos governam, deveriam ir plantar batatas e viver do ordenado mínimo.

Uma renovação total da nossa classe política e dirigente, deveria ser feita.

Uma revolução, precisa-se!

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Versos do meu amigo Dr. Magalhães dos Santos

Saiu-me isto hoje na rifa…

 

À VARADA…

 

Na lista de colectivos

– e é bastante abonada… –

Vejo que muitos vadios

Constituem uma cambada.

Alcateia é de lobos,

Cavalgaduras manada.

De ladrões é uma pandilha,

De javalis é malhada.

Abutres, garotos: bando;

Câmara é de deputados,

(Úteis só de quando em quando…)

As moscas fazem mosquedo,

Se forem cães – matilha,

Se gafanhotos – são praga,

Se malfeitores são pandilha.

De macacos é capela,

Anjos, diabos – legião,

Um fato – se forem cabras,

(Não encontrei de cabrão).

Cambada podem ser alhos,

Uma récua é de burros,

Quer se ponham aos ornejos,

Quer os ouçamos aos zurros.

Nestes colectivos todos,

Há patifes e animais,

Destes, alguns são úteis,

Outros prejudiciais.

Esquecia-me da vara,

Que é de porcos coletivo,

Mas se for no masculino

Quer dizer esperto, vivo,

De olho pràs oportunidades

Que a política lhe oferece;

Que, com tantas qualidades,

Uns ricos tachos merece.

E recebe – felizmente! –

Os ordenados que tem!

Ele e outros figurões

Justificam-nos tão bem!

Com estas varas, alcateias,

Choldras, corjas e canalha,

Só te digo, Zé Povinho,

Haja um Bom Deus que nos valha!

 

Luís Barbosa de Almeida Pessoa

7 de novembro de 2009

Certidões às Pinguinhas

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A CONTA GOTAS

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Como se fora um pagamento a pretações, as certidões importantes, vão chegando. Umas agora, outras daqui a dias, outras passado quase um mês.

Ninguém entende, mas, se pensarmos bem, até é fácil de explicar. Se observarmos atentamente quais são os intervenientes, chegamos lá.

Sócrates I, O Arrogante, foi ouvido a falar ao telemóvel, com o seu amigo Vara. Ele pensava que não, mas foi. Durante meses, consegui-se que as transcrições do que se ouviu, ficassem no segredo dos deuses. As eleições, vinham a caminho. Depois, Sócrates II, O Dialogador, ganhou-as. Já não era possível esconder por mais tempo, o que alguns sabiam, e a notícia veio a lume. As certidões do que se ouviu, tinham que ser apresentadas, mas as resistências que sempre existem nestes casos, continuaram a fazer o seu papel, e…. é o que se vê. Chegam às pinguinhas, a quem de direito.

Entretanto, uma tempestade se anuncia. As escutas estão provocar uma guerra no Parlamento. Segundo Ferreira Leite, o nosso Primeiro deve explicações ao País. Por outro lado, os defensores oficiais do chefe do governo, este não se sente obrigado a fazê-lo, já que se tratou de conversas privadas entre amigos. E ainda vão dizendo que a líder Social Democrata faz com essa exigência, baixa política.

A ideia de chamar ao que se está a passar, campanha negra, quer regressar, mas parece que desta vez não surtirá o efeito desejado. Não há ou haverá campanha negra para ninguém. A vitimização, que fez carreira no anterior governo, não deverá medrar neste.

O sr Pinto de Sousa, entretanto, respira de alívio, por breves momentos, porque se disse que o que se ouviu, não vale de nada. Foi ouvido sem autorização. Mas a opinião pública é que não se vai deixar levar por lorpa, desta vez. O não valer de nada, não iliba ninguém.

E imagine-se, até o Presidente está preocupado!

Também eu estou preocupado, e por essa razão pergunto:

– Se as conversas detectadas e gravadas fossem de outrem que não o nosso Primeiro, e o outro interlocutor fosse da mesma forma o sr Vara, teriam ido para o arquivo vertical (mais conhecido por lixo)?

Face a estas preocupações, e com um certo aproveitamento político ouvem-se por aí, nos cafés e esplanadas (apesar do frio vão conversar e fumar para lá), vozes anónimas e também das outras, a perguntar:

– Com mais este caso a juntar a todos os outros, será que o nosso Primeiro, deveria ser substituído?

– O partido que ganhou as eleições, deveria indigitar outra personagem?

E até há quem responda e diga que sim!

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As escutas acidentais

A questão jurídica não a discuto. A coisa política é muito simples: ou o primeiro-ministro solicita a divulgação das suas conversas com Armando Vara (eventualmente ressalvando aspectos de foro íntimo e pessoal), ou vai cavar o seu enterro político.

Se o fizer, mesmo que sejam transcritas inconveniências nos jornais, sai por cima.

Não o fazendo, enquanto o processo sucateiro durar ninguém se esquecerá que, se calhar, enfim, também, provavelmente, pode estar envolvido, é claro que está, corja de gatunos, etc., o que vale politicamente 2 fripóres. E assim ficará com 3, o que já é muita areia para qualquer carruagem.

E que tal um pouco mais de celeridade?

Só na próxima semana o Procurador Geral da República vai iluminar o país em relação às certidões extraídas do processo "Face Oculta", em relação às conversas escutadas entre José Sócrates e Armando Vara.

 

O caso, pela complexidade e importância, deve ser tratado com todo o rigor, daí o envio das escutas para o Supremo Tribunal de Justiça. Até aqui, nada a dizer. Todo o cuidado é pouco e nestas coisas não se pode falhar.

 

Convinha, no entanto, dar alguma celeridade a estes processos. Não por envolver pessoas influentes, importantes e dirigentes políticos. E, sim, porque envolve pessoas influentes, importantes e dirigentes políticos. Parece contraditório e é. A questão é que estas pessoas influentes, importantes e que são dirigentes políticos têm muito a ver com o destino de todos nós.

 

Apesar de tolhido num certo estupor que nada tem de racional, ainda para mais em tempo de crise, o país precisa de ter respostas muito em breve.

Coisas Que Me Confundem, Muito! (Parte Dois)

.PARADAS?, OCULTADAS!

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.Nove certidões do FACE OCULTA estiveram paradas (ocultadas, escondidas, sonegadas, disfarçadas, subtraídas) quatro meses na PGR.

Foi por causa das eleições?

Mas que grande lata que estes senhores têm!

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Coisas Que Me Confundem, Muito!

O ENVELOPE DO DR VARA

O sr dr Armando Vara, pessoa muito importante, com múltiplos e bons conhecimentos em tudo quanto é empresa, e também em todos os lugares de decisão a nível nacional, amigo pessoal do nosso Primeiro, Sócrates II, o Dialogador, vice presidente do BCP, ex-administrador da CGD, ex-deputado pelo partido Socialista, ex-secretário de Estado e ex-ministro, com um vencimento chorudo e com bons rendimentos globais, suja-se e é apanhado por causa de uns míseros dez mil euros?

Que oculta esta face?

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A Amélia das Sucatas

trash

Imagem KAOS

 

As taxas de combustível estão altíssimas e isso torna as Maldivas muito longínquas, e já está toda a gente a pensar para que é que as Maldivas são chamadas para aqui, mas isso ainda é segredo: posso adiantar que estando muito perto do nível do mar, a erosão salina faz desaparecer a sucata muito depressa, por aquelas paragens, ao contrário de cá, em que se enrolam em trapos pretos, e vão viver para umas terras de nomes horríveis, na Beira, e ficam com a sucata toda lá por baixo, enfim, supõe-se que seja por isso que os garanhões da pastorícia — ainda há pastores — prefiram as ovelhas, a terem de comer a avó do melhor amigo…

Tirando esta introdução, muito metafísica, como viram, vou já falar do tema do dia, que é quando a gente pensa que já chegou à última cave, a Nação tem sempre uma surpresa, e lá levanta mais um alçapão, e mostra-nos uma subcave, bafienta, e ainda mais deprimente, que, afinal, nos rege na sombra.

Antigamente, no tempo em que o António Variações fazia de Cesévora Ávida, e nada lhe escapava, nem na goela, nem na cloaca, o rés do chão era a corrupção do Futebol, mas o avião fez-se um pouco mais à pista, e descobrimos que, por detrás do Futebol se escondia o nível inferior, dos Construtores Civis, e eu pensei, "pronto, chegámos às bases…", mas a verdade é que as bases ainda não eram essas, e ainda havia as rainhas, as princesas e as camareiras da sucata, uma espécie de discretas vascas francas, que saltavam à vara por cima de uns godinhos que só deus sabe em que ferrugem habitavam.

É deprimente saber que, enquanto a Rússia tem o Kremlin, os States, a Casa Bran… perdão, Preta, a França, o Eliseu, o País é governado a partir de uma sucateira, e, portanto, qualquer Plano Tecnológico, qualquer Plano Nacional de Leitura, ou qualquer Plano de Ação da Matemática estão, não só cronológica, como espacialmente desfasados da Realidade, como, aliás, todos pressentimos, embora nos choque ver a confirmação.

Eu até aqui estaria descansado, mas deixo de estar descansado, quando penso, por analogia, que, se já ontem o último patamar foi vencido por um mais baixo, também amanhã aparecerá qualquer coisa ainda mais subterrânea, que fará parecer a Sucata um Belvedere, ou "un Petit Trianon".

Tudo o resto que vou escrever é pura imaginação, mas suponho que, por detrás dos sucateiros, amanhã, se descobrirá que quem realmente governa este país sejam aquelas velhinhas dos sacos, recoletoras do lixo, que entornam os caixotes verdes no passeio, para grande desgosto do António Costa e alegria dos cães e gatos famintos, que têm bigode, dizem palavrões rosnados, e nos ameaçam com a bengala, mas que, em contrapatida, naquelas sacolas, amarradas com cordéis sujos, transportam segredos, matéria cifrada, e o registo de fluxos financeiros importantíssimos. No fundo, só a nossa desatenção não o permitiu ainda descobrir: basta olhar para a corcunda de cada uma dessas sombrias criaturas, e para o disfarce perfeito de… sei lá… de pobres, sim, de pobres, que elas põem, para se ver que, na verdade, são realmente poderosas.

Isto não sou eu a delirar: mal a gente vira as costas, elas tiram dos bolsos telemóveis caríssimos, de platina, e ligam para o Obama, tratam-no por tu, com vozes de Maria João Avillez, exercem pressões e chantagens no Héron-Castilho, e ditam todas as oscilações do preço do Petróleo e do Plutónio, no Golfo Pérsico. É por isso que eu adoro viver no Umbigo do Mundo, e me sinto todos os dias importante, e cada vez mais  seguro, e espero que vocês também.

 

 

(Hexagrama do latão do lixo, no "Aventar", no "Arrebenta-SOL", no "A Sinistra Ministra", no "Democracia em Portugal", no "KLANDESTINO", e em "The Braganza Mothers")

 

Mário Crespo – Os Intocáveis (a propósito da Face Oculta)

O processo Face Oculta deu-me, finalmente, resposta à pergunta que fiz ao ministro da Presidência Pedro Silva Pereira – se no sector do Estado que lhe estava confiado havia ambiente para trocas de favores por dinheiro. Pedro Silva Pereira respondeu-me na altura que a minha pergunta era insultuosa.

Agora, o despacho judicial que descreve a rede de corrupção que abrange o mundo da sucata, executivos da alta finança e agentes do Estado, responde-me ao que Silva Pereira fugiu: Que sim. Havia esse ambiente. E diz mais. Diz que continua a haver. A brilhante investigação do Ministério Público e da Polícia Judiciária de Aveiro revela um universo de roubalheira demasiado gritante para ser encoberto por segredos de justiça.

 

O país tem de saber de tudo porque por cada sucateiro que dá um Mercedes topo de gama a um agente do Estado há 50 famílias desempregadas. É dinheiro público que paga concursos viciados, subornos e sinecuras. Com a lentidão da Justiça e a panóplia de artifícios dilatórios à disposição dos advogados, os silêncios dão aos criminosos tempo. Tempo para que os delitos caiam no esquecimento e a prática de crimes na habituação. Foi para isso que o primeiro-ministro contribuiu quando, questionado sobre a Face Oculta, respondeu: "O Senhor jornalista devia saber que eu não comento processos judiciais em curso (…)". O "Senhor jornalista" provavelmente já sabia, mas se calhar julgava que Sócrates tinha mudado neste mandato. Armando Vara é seu camarada de partido, seu amigo, foi seu colega de governo e seu companheiro de carteira nessa escola de saber que era a Universidade Independente. Licenciaram-se os dois nas ciências lá disponíveis quase na mesma altura. Mas sobretudo, Vara geria (de facto ainda gere) milhões em dinheiros públicos. Por esses, Sócrates tem de responder. Tal como tem de responder pelos valores do património nacional que lhe foram e ainda estão confiados e que à força de milhões de libras esterlinas podem ter sido lesados no Freeport.

 

Face ao que (felizmente) já se sabe sobre as redes de corrupção em Portugal, um chefe de Governo não se pode refugiar no "no comment" a que a Justiça supostamente o obriga, porque a Justiça não o obriga a nada disso. Pelo contrário. Exige-lhe que fale. Que diga que estas práticas não podem ser toleradas e que dê conta do que está a fazer para lhes pôr um fim. Declarações idênticas de não-comentário têm sido produzidas pelo presidente Cavaco Silva sobre o Freeport, sobre Lopes da Mota, sobre o BPN, sobre a SLN, sobre Dias Loureiro, sobre Oliveira Costa e tudo o mais que tem lançado dúvidas sobre a lisura da nossa vida pública. Estes silêncios que variam entre o ameaçador, o irónico e o cínico, estão a dar ao país uma mensagem clara: os agentes do Estado protegem-se uns aos outros com silêncios cúmplices sempre que um deles é apanhado com as calças na mão (ou sem elas) violando crianças da Casa Pia, roubando carris para vender na sucata, viabilizando centros comerciais em cima de reservas naturais, comprando habilitações para preencher os vazios humanísticos que a aculturação deixou em aberto ou aceitando acções não cotadas de uma qualquer obscuridade empresarial que rendem 147,5% ao ano. Lida cá fora a mensagem traduz-se na simplicidade brutal do mais interiorizado conceito em Portugal: nos grandes ninguém toca.

 

 

 

 

As Prendas de Natal e Outras

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PRENDINHAS, QUEM AS NÃO QUER

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A operação, chama-se Face Oculta, mas já há muitas faces descobertas.

Sobre isso já escrevi aqui, e aqui.

Aquilo que muitos dos arguidos, ou alegadamente implicados, deram ou receberam, têm nomes diferentes, consoante quem os nomeia.

Para uns, os investigadores e o público em geral, o nome que têm é "luvas provenientes de corrupção".

Para outros, os que ofereceram ou os que receberam, são "prendas de Natal ou de outra altura qualquer".

Mas, dificilmente, automóveis e dinheiro, podem ser considerados presentes desse género.

A todos os níveis da nossa sociedade, se utiliza a prenda, ou a nota, ou a influência, para obter o que se pretende.

A corrupção, pequena ou grande, faz parte do nosso estilo de vida. Desde a notita dada à funcionária que nos põe dentro do consultório do sr dr uns minutos mais cedo, ao segurança que nos deixa entrar mesmo sem a devida credencial num qualquer sítio onde pretendemos ir, ou ao sr graduado de uma qualquer força militarizada que mete uma cunha pelo nosso pirralho e por isso recebe à posteriori uma prendinha, em quase todas as circunstância da vida dos Portugueses encontramos situações destas.

Não seria portanto de admirar que nos altos negócios se proceda da mesma forma.

Mas, se nas pequenas coisas, é aceite pelo comum dos cidadãos, que se proceda assim, pois que quem o não faz fica sempre prejudicado, já nas grandes coisas esta postura não tem o aval de ninguém. Nestas, a lisura de procedimentos, até ao mais pequeno pormenor, é exigível.

O Português, como outros, aceita que a pequena corrupção se faça, até porque é ele quem a faz, mas exige que os que estão em situação de mandar, os que têm poder, o não façam, até porque não precisam, e só corrompe quem necessita.

O grande problema desta situação, para além do facto em si mesmo, é que tem já muitas ramificações, que tocam altas figuras da nossa Nação. À Ren, Refer, EDP e Galp, juntam-se agora a CP, a Portucel, a Lisnave, os CTT, a EMEF, os Portos de Setubal, Sines a a Capitania de Aveiro, a ENVC, a IDD, a Empordef, a Carris e as Estradas de Portugal. Muitas destas empresas estão já a fazer investigações internas. Mas são já demasiadas as empresas ligadas a este caso. É o País inteiro.

E só o mais pequeno dos actores deste caso, o que corrompeu (alegadamente claro, que é preciso ter cuidado com o que se diz) os altos funcionários de quem se fala, está em prisão preventiva.

Daí o poder-se inferir que aos outros, nada de mais lhes acontecerá. O sr Vara, ainda está e continuará a estar na Vice Presidência do BCP. O sr Penedos continua na presidência da Ren. E outros continuam onde sempre estiveram.

Daqui a muitos anos, como em outras situações que estão a correr na nossa justiça, ainda estaremos na situação de hoje. As investigações vão ser demoradas e a nossa justiça irá ser ainda mais lenta que de costume. Há demasiada gente muito importante envolvida.

Esta forma suja e abjecta de se viver, não pode deixar de criar nojo a quem olha para ela.

Ninguém pode confiar em ninguém. A corrupção grassa por todo o lado. Quem tem poder, e é pouco sério, faz o que muito bem entende e enriquece quase da noite para o dia. Quem não tem esse poder, ou se for uma pessoa séria, nem trabalhando muito, chega a algum lado apetecível economicamente. Quem não for de modo algum, uma pessoa séria, como muitos que por aí andam, depressa chega a ter poder. Seja em que nível for.

E o poder em Portugal, pelo que se ouve nas ruas e nos cafés, está associado à burla e à corrupção.

Vivemos num País de vigaristas e de vigarices. E, desde à alguns anos a esta parte, a principal ideia que transmitimos aos nossos filhos, é a de que devem ser "espertos" para poderem ter poder e ser ricos, não interessando o que se faça, desde que surta efeito.

O que em alguns momentos me apetece, é sair daqui, fugir, imigrar para um qualquer lugar, longe de tudo e de todos. Ou então viver no meio do monte, sem acesso a seja o que for. Mas não sendo de baixar os braços, vou, à minha escala, continuar a lutar contra a corrupção em Portugal.

Conforme está, é uma tristeza, o País em que vivemos.

 

 

(In, O Primeiro de Janeiro, 5-11-2009)

 

 

 

 

A Vergonha Instalada em Portugal

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ELES SÃO TANTOS!

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Portugal é um País envergonhado.

São cada vez mais os implicados, ou supostamente implicados, ou alegadamente implicados, ou moderadamente implicados, no processo chamado "face oculta". E, neste caso, o mais importante não será a fraude, ou o dinheiro que circulou escondido, ou os carros que serviram de presentes pelos favores recebidos ou a receber. O mais importante é o nível dos responsáveis. É que eles são muitos e estão nos mais altos cargos da economia do nosso País.

Portugal é um País envergonhado.

Não por existir este caso, face oculta, mas pelos muitos, demasiados casos ocultos, de fraudes, de luvas pagas, de favores, de corrupção, e de roubos, de colarinho branco, azul ou vermelho (que os há de todas as cores e para todos os gostos).

Portugal é um País envergonhado.

Mas continuamos a aceitar estes senhores. Continuamos a votar neles. Continuamos a querer ser ricos, depressa e a mal ou a bem, e a aceitar como evidente e fruto dos espertos, estes malabarismos mal cheirosos.

Portugal é um País envergonhado.

Mas os Portugueses não parecem ter vergonha. Poucos são os que realmente lutam contra este estado de coisas. O nível moral dos nosso concidadãos, está pelas ruas da amargura. Os culpados que toda a gente conhece, raramente vão presos. Têm muito dinheiro e influência.

Veja-se este caso chamado "Face Oculta". Só o sr Godinho, o menos influente de todos os implicados, ou alegadamente implicados, ou supostamente implicados, está preso preventivamente. Então e os outros? Como de costume, estão muito sossegados, na frescura dos seus gabinetes ou no quentinho das suas casas. Ren, Refer, EDP e Galp, são as empresas que giram na órbita do estado, e cujos altos dirigentes estão implicados, ou alegadamente, ou moderadamente, ou supostamente, nos negócios escusos do sr Godinho, mas que estão calma e descontraidamente em casa, enquanto o dono das Sef, 02 e outras, está em prisão preventiva. Claro que sabemos que o sr Godinho poderia fugir do País e por causa disso está preso, e que os altos dirigentes das outras empresas implicadas, ou alegadamente ou supostamente implicadas, não precisam de fugir já que nada de mal lhes irá acontecer, apesar de poderem vir a ser acusados de corrupção, de tráfico de influências, de participação em negócios ilícitos e de associação criminosa.

E isto, realmente envergonha Portugal. e envergonha ainda mais porque sabemos que não é caso virgem e, em todos os casos que se vão conhecendo por aí, e são já muitos, ainda não vi mais de um ou dois a serem presos. Mas experimentem roubar um pão, ou uma pasta de dentes, ou uma peça de fruta, ou ainda, ficar a dever ao Estado um ou dois euros. Espera-os a cadeia nos primeiros casos e a penhora de bens no último.

A nossa justiça é uma trampa. Não funciona bem, nem sequer celeremente, a não ser contra os fracos e pouco influentes, e nenhum dos nossos mandantes quer ver este drama mudado. É que amanhã podem ser eles a ser apanhados e não convém mesmo nada que a justiça funcione.

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