«O Sócrates perguntou-me se não era melhor correr com o Moniz antes da PT entrar» (Rui Pedro Soares)

MAIS ESCUTAS TRANSCRITAS NA ÚLTIMA EDIÇÃO DO «SOL»

continuação daqui

– «A confirmar-se a operação da TVI, terá algum fôlego na reorganização da comunicação social – as transacções do grupo Impresa nas últimas horas. Está tudo ligado.» (Paulo Penedos para um tal de Luis)

– «Está tudo a seguir o seu caminho. [Vou] jantar com o primeiro.» (Rui Pedro Soares, administrador da PT, para Paulo Penedos)

– «A abordagem está a correr bem. [Sócrates] diz que tem de ser a PT, especificamente, a fazer a operação.» (Rui Pedro Soares para Paulo Penedos)

– «O chefe diz que é tudo ou nada e que não pode ficar com a fama sem o proveito.» (Rui Pedro Soares para Paulo Penedos)

– «Já está escolhido o homem da informação, o Paulo Baldaia.» (Rui Pedro Soares para Paulo Penedos)

– «[Depois disto, espero] obter do chefe luz verde para lhe tratar da comunicação durante 3 meses.» (Rui Pedro Soares para Paulo Penedos).

– «É uma cortina de fumo [o interesse da Telefonica na PT] para dar a ideia de que há mais interessados e que se trata de algo com mero interesse empresarial para justificar a operação.» (Paulo Penedos para José Penedos)

– «Se o Moniz é corrido sem nós entrarmos, é melhor para a PT, mas é pior para o chefe máximo.» (Rui Pedro Soares para Paulo Penedos)

– «O Sócrates perguntou-me se não era melhor correr com o Moniz antes da PT entrar.» (Rui Pedro Soares para Paulo Penedos) [Read more…]

«Todos pela Liberdade» – Antevisão


Na quinta-feira vai ser assim

Paulo Penedos tarde piou

Pois, se Paulo Penedos não autorizasse a divulgação das escutas, o que é que ia acontecer? Nada, as escutas iam ser divulgadas na mesma. Semanalmente, no «Sol». Por isso, … tarde piou.

Escutas de Sócrates: O juiz será louco?

«Das conversações entre Paulo Penedos e Armando Vara resultaram indícios muito fortes da existência de um plano em que está directamente envolvido o Governo, nomeadamente o primeiro-ministro, visando o controlo da estação de televisão TVI e o afastamento da jornalista Manuela Moura Guedes e do seu marido, José Eduardo Moniz, para controlar o teor das notícias.»
Leiam bem por favor. Leiam bem e respondam: um juiz que não está louco escreveria um despacho destes?:
«Das conversações entre Paulo Penedos e Armando Vara resultaram indícios muito fortes da existência de um plano em que está directamente envolvido o Governo, nomeadamente o primeiro-ministro, visando o controlo da estação de televisão TVI e o afastamento da jornalista Manuela Moura Guedes e do seu marido, José Eduardo Moniz, para controlar o teor das notícias.»
Já leram? Se o juiz está louco, internem-no. Se não está, façam alguma coisa. E voltem a ler isto só mais uma vez:
«Das conversações entre Paulo Penedos e Armando Vara resultaram indícios muito fortes da existência de um plano em que está directamente envolvido o Governo, nomeadamente o primeiro-ministro, visando o controlo da estação de televisão TVI e o afastamento da jornalista Manuela Moura Guedes e do seu marido, José Eduardo Moniz, para controlar o teor das notícias.»

Mário Crespo – Os Intocáveis (a propósito da Face Oculta)

O processo Face Oculta deu-me, finalmente, resposta à pergunta que fiz ao ministro da Presidência Pedro Silva Pereira – se no sector do Estado que lhe estava confiado havia ambiente para trocas de favores por dinheiro. Pedro Silva Pereira respondeu-me na altura que a minha pergunta era insultuosa.

Agora, o despacho judicial que descreve a rede de corrupção que abrange o mundo da sucata, executivos da alta finança e agentes do Estado, responde-me ao que Silva Pereira fugiu: Que sim. Havia esse ambiente. E diz mais. Diz que continua a haver. A brilhante investigação do Ministério Público e da Polícia Judiciária de Aveiro revela um universo de roubalheira demasiado gritante para ser encoberto por segredos de justiça.

 

O país tem de saber de tudo porque por cada sucateiro que dá um Mercedes topo de gama a um agente do Estado há 50 famílias desempregadas. É dinheiro público que paga concursos viciados, subornos e sinecuras. Com a lentidão da Justiça e a panóplia de artifícios dilatórios à disposição dos advogados, os silêncios dão aos criminosos tempo. Tempo para que os delitos caiam no esquecimento e a prática de crimes na habituação. Foi para isso que o primeiro-ministro contribuiu quando, questionado sobre a Face Oculta, respondeu: "O Senhor jornalista devia saber que eu não comento processos judiciais em curso (…)". O "Senhor jornalista" provavelmente já sabia, mas se calhar julgava que Sócrates tinha mudado neste mandato. Armando Vara é seu camarada de partido, seu amigo, foi seu colega de governo e seu companheiro de carteira nessa escola de saber que era a Universidade Independente. Licenciaram-se os dois nas ciências lá disponíveis quase na mesma altura. Mas sobretudo, Vara geria (de facto ainda gere) milhões em dinheiros públicos. Por esses, Sócrates tem de responder. Tal como tem de responder pelos valores do património nacional que lhe foram e ainda estão confiados e que à força de milhões de libras esterlinas podem ter sido lesados no Freeport.

 

Face ao que (felizmente) já se sabe sobre as redes de corrupção em Portugal, um chefe de Governo não se pode refugiar no "no comment" a que a Justiça supostamente o obriga, porque a Justiça não o obriga a nada disso. Pelo contrário. Exige-lhe que fale. Que diga que estas práticas não podem ser toleradas e que dê conta do que está a fazer para lhes pôr um fim. Declarações idênticas de não-comentário têm sido produzidas pelo presidente Cavaco Silva sobre o Freeport, sobre Lopes da Mota, sobre o BPN, sobre a SLN, sobre Dias Loureiro, sobre Oliveira Costa e tudo o mais que tem lançado dúvidas sobre a lisura da nossa vida pública. Estes silêncios que variam entre o ameaçador, o irónico e o cínico, estão a dar ao país uma mensagem clara: os agentes do Estado protegem-se uns aos outros com silêncios cúmplices sempre que um deles é apanhado com as calças na mão (ou sem elas) violando crianças da Casa Pia, roubando carris para vender na sucata, viabilizando centros comerciais em cima de reservas naturais, comprando habilitações para preencher os vazios humanísticos que a aculturação deixou em aberto ou aceitando acções não cotadas de uma qualquer obscuridade empresarial que rendem 147,5% ao ano. Lida cá fora a mensagem traduz-se na simplicidade brutal do mais interiorizado conceito em Portugal: nos grandes ninguém toca.

 

 

 

 

Não queria estar na pele do juiz

Há por aí um juiz português que, se tem ambições de carreira, já deve estar a tremer. Esse juiz é aquele que, a partir da próxima semana, vai dirigir os interrogatórios a Armando Vara, Paulo Penedos e, muito provavelmente, José Penedos.

Como se viu no caso Paulo Pedroso, quem se mete com o PS leva e, até hoje, nunca mais o juiz Rui Teixeira foi promovido. O mesmo acontecerá, muito provavelmente, ao juiz que decidir enviar para julgamento aqueles figurões do PS. E ao juiz que decidir condenar os arguidos.

É por isso que, já se sabe, nada vai acontecer de especialmente relevante neste caso. Por mais provas que haja ou que dizem que há.

Há festa na minha aldeia

 

Coimbra conseguiu manter dois secretários de estado, entrou em "êxtase" (dizia o Calino) porque a ministra do Ambiente é Pássaro por parte de Oliveira do Hospital, e tem agora um arguido na parte REN da operação face oculta: Paulo Penedos até candidato a secretário-geral do PS foi, e o pai Penedos secretário de estado de Guterres.

O PS de Coimbra devia receber uma medalha municipal. De mérito turístico, serviços desportivos, elevação cultural, auxílio a órfãos, não interessa, uma ou mesmo duas, acho eu.