Liberalismo e cartelização

Alguns liberais – no sentido neoliberal da palavra – hipnotizados pelas teorias de Hayek e Friedman, ainda que alheados do mundo real, insistem que o mercado livre se autoregula, e que uma das vantagens da sua natureza concorrencial é que o consumidor paga sempre menos.

Sempre menos.

Pena que exemplos como este se multipliquem, invalidando o wishful thinking e a propaganda, revelando que concorrência, não raras vezes, degenera em cartelização. A desculpa, invariavelmente, chega-nos sob a forma de uma adaptação da boa velha máxima comunista: este não é o verdadeiro liberalismo. Os radicais, como os extremos, atraem-se. Nunca falha.

O combate também está nas nossas mãos

Era cadeia…

Agora é com o azeite. Ontem com a carne. Amanhã será com o quê?

Uma das amostras nem era azeite, quanto mais extra virgem. E depois é ver a aldrabice, segundo a notícia, reparem bem:  As marcas «Auchan» (DOP Moura), «É» (Continente), «Grão Mestre» e «Naturfoods», que se apresentam no rótulo como «azeite virgem extra», deveriam, segundo a associação de defesa dos consumidores, «ser classificadas como azeite virgem apenas».

É brincar com os consumidores. É brincar com coisas muito sérias. E no final, uma multa resolve tudo e ninguém vai para a cadeia.