A esquerda e a Direita dos Aventadores

O Fernando aventador acredita numa direita moderna, justa e progressista e o Carlos e o Adão aventadores acreditam numa esquerda moderna, justa e progressista. Com grande surpresa, o Carlos e o Adão, perante a caracterização da direita do Fernando , diz que aquilo é a esquerda!

Mas a direita não pode ser moderna no sentido que aceita os grandes ganhos sociais dos últimos cinquenta anos? Não pode ser justa quando sabe há muito que um país justo é muito mais conforme às suas necessidades de gente motivada e produtiva? E não pode ser progressista no sentido que defende uma sociedade assente na democracia, numa economia social de mercado e no estado de Direito?

Ou para se ser moderno, justo e progressista é necessário ter um Estado onde se albergam os sorvedores, as corporações e os interesses instalados? Ou onde a economia é regulada por um Estado com “mão “invisível”  sempre à procura dos amigos,  dos negócios finos das obras públicas e das grandes empresas do Estado ? E defender a família faz a direita menos progressista que a esquerda dos casamentos gays?

A social democracia europeia ,que durante tanto tempo tem vindo a proporcionar a milhões de seres humanos , uma sociedade livre, com bom nível de vida e mais justa do que qualquer outra, pertence à direita “transmontana”? Ou é de esquerda? Ou é a esquerda possível?

É que os meus amigos passam a vida a chamarem-se de direita por eu ser social- democrata! A dos países escandinavos? A da Europa?

Os meus amigos da esquerda são capazes de me dar um exemplo concreto de um país de “esquerda” , onde se viva melhor, seja mais justo e mais progressista do que os que eu aponto?

(Com a devida autorização do aventador Luís Moreira e para poupar postas, respondo aos aventadores Adão e Carlos – uns Senhores com quem tenho aprendido muito e admirado ainda mais – que existe, sim senhor, uma direita moderna e progressista sem objecções de consciência ao casamento gay, que

esteve na mesma barricada no referendo sobre a IVG, que considera os estrangeiros como parte integrante do todo pois todos somos cidadãos do Mundo e este é a nossa verdadeira Pátria, que acredita na economia de mercado e Liberal mas que, obviamente, reconhece ao Estado um papel fundamental, enquanto garante dos direitos fundamentais do Homem, na Saúde, na Justiça, no Social e na Educação. Mas reconhecer esse papel fundamental/decisivo não significa exclusivo. Aliás, hoje, o que distingue realmente a direita da esquerda – e como eu detesto estes rótulos redutores, mas enfim – é mesmo a componente liberal da economia pois, no tocante aos Direitos Fundamentais eles não são património nem de uma nem de outra mas de todos os democratas, estejam eles mais à esquerda, ao centro ou mais à direita. A história já nos ensinou, a todos, que o totalitarismo, infelizmente, não é igualmente património de nenhuma delas e todos temos os nossos pecadilhos nesta matéria.

Por me faltar mais arte e melhor engenho, sou a chamar para mais esclarecimentos alguns dos mais representativos elementos dessa direita moderna que pulula fortemente e orgulhosamente na nossa blogosfera. CAA, andas por aí? Ora ajuda aqui este imberbe, sff.) – FMSá.

Comments

  1. maria monteiro says:

    isto da «direita moderna» é como os católicos progressistas

  2. Carlos Loures says:

    Nunca com actualmente, a distinção entre esquerda e direita foi contestada. Há quem afirme que, nos nossos dias, tal distinção já não se justifica. Para não repetir o que já aqui disse num texto sobre o tema, volto a colocar esse texto para o qual vos remeto, acrescentando, no entanto, que a grande diferença entre direita e esquerda, hoje em dia, se situa nos conceitos de igualdade (que a direita tem tendência a relativizar) e de liberdade (que a direita usa mais como bem individual do que como direito social, o que transforma a liberdade nas tais «liberdades» a que já me referi). Mas penso que o meu texto, publicado há meses atrás, contribui para o arranque da discussão sobre este tema tão interessante.

  3. Luis Moreira says:

    Cada vez mais são os meios que distinguem a esquerda da direita e não os fins. Os caminhos que nos levam ao mesmo objectivo. Claro, que há uma direita totalitária, como há uma esquerda totalitária.

Deixar uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.