Mário Crespo VS Leite Pereira

Enquanto se discute a censura a Mário Crespo eu prefiro avançar para as comparações.

Ora vamos lá comparar o percurso jornalístico de Mário Crespo e de Leite Pereira. Por onde andaram e o que aconteceu a um e outro ao longo dos anos? Quem é o jornalista Leite Pereira e qual o seu contributo para o jornalismo em Portugal? E o mesmo para Mário Crespo? Quando é que um e outro censuraram e foram censurados? Algum deles é “a voz do dono”?

Deixo estas questões aos leitores.

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Deixem os algoritmos do Google em paz

A pesquisa por imagens de Michelle Obama dá como primeiro resultado no Google uma distorção simiesca da dita senhora. Parece que houve reclamações, a empresa pediu muita desculpa mas explicou que os motores de busca não escolhem destinos.

Trata-se de uma variante imagética do velho google bombing, um bombardeamento via Google que agora parece estar muito a dar para o lado das imagens.

A coisa seria de todo irrelevante não viesse atrás a ideia de que os motores de busca devem censurar as pesquisas.

É certo que os motores de busca censuram as pesquisas, a pornografia por exemplo é em boa parte desclassificada, mas não abusemos.

A ideia de controlar politicamente os meios de que nos servimos para encontrar sítios na rede é a mais tenebrosa das ameaças sobre a liberdade de informação. O risco da pior das censuras.

Além disso as bombas google são bombinhas de mau cheiro, parvas mas inofensivas. Não liguem e deixem estar que o fedor passa num instante.

 

A inexistente Censura

  

 

Todos os testemunhos fotográficos testemunharam a imponência dos funerais do rei D. Manuel II. Assustando o "regime da situação" na sua nova vertente de salvação do 5 de Outubro, comboios encheram-se de gente que de todos os pontos do país afluiu à capital, prestando aquela que desde o Regicídio, seria a maior homenagem pública de que havia memória. O corpo do rei esteve exposto em S. Vicente por um dilatado período de tempo, tal a dimensão da manifestação de pesar. Isto encontra-se testemunhado por reportagens imparciais, nacionais e estrangeiras, que além de centenas de fotografias e de milhares de cartas trocadas, consistiram numa justa homenagem ao monarca que ficou conhecido pelo Patriota. 

 

Apesar desta bem conhecida verdade dos factos, ontem, tal como hoje, existia uma censura que distorcia a notícia, calava as consciências e ameaçava pelo descarado despudor e manipulação. Assim, a imprensa oficial da 2ª república fazia difundir a velada ameaça, susceptível de ser lida nas entrelinhas. Dizia que …"os últimos chapéus altos da monarquia estavam presentes em S. Vicente de Fora. No Terreiro do Paço, toda a causa monárquica cabia em dois automóveis modestos."

 

Quando figuras do regime – como Mário Soares – tentam a todo o transe demonstrar o "monarquismo" do Estado Novo e e a inexistência de uma situação de república no Portugal de 1926-74, a linha editorial prosseguida durante mais de quatro décadas, desmente as patéticas, mentirosas e abusivas alegações. São bem conhecidos os movimentos policiais em torno da rainha D. Amélia, quando a soberana visitou Portugal em 1945. Escassas notícias publicadas pelos jornais da "situação" e do tolerado "reviralho", impedimento da divulgação de toda a agenda oficial da rainha, a sua discretíssima chegada de comboio à Estação de Entre-Campos (Lisboa), a gorada insistência em apartar D. Amélia do contacto popular. Conhece-se a carta da rainha a Salazar, em que esta alfinetava graciosamente o presidente do Conselho, salientando a constante "companhia" da indesejada PIDE, a policia política do regime. Apesar de tudo, as enormes manifestações populares de regozijo nas ruas, montras do comércio no país e em todos os locais onde D. Amélia se apresentou, desmentiram e assustaram o regime do poder e da sua oposição: o regime oficial da 2ª república e os dejectos sobreviventes da 1ª que para cúmulo, seis anos depois seriam ambos ultrajados nas ruas de Lisboa, quando do funeral da rainha. Centenas de milhar de pessoas invadiram as ruas, ultrapassando a presença popular nas pompas fúnebres de D. Manuel. Nunca mais se viu tal manifestação de pesar em Portugal.

 

No dia em que a oficialmente inexistente censura actua uma vez mais, convém recordar, pois este Centenário da República não passa da consagração da miséria mental a que este país chegou. Da descarada esquerda à cobarde e colaboracionista direita.

 

Um dia destes, ainda ouviremos os senhores Cavaco ou Soares perorar acerca da bandeira que durante mais de quatro décadas esteve hasteada na sede da PIDE, na Rua António Maria Cardoso. Ficaremos a saber que "oficialmente" a bandeira verde-vermelha não era a da república, mas talvez, a da Casa Gucci. Que gente…

 

 

Portugal Amordaçado

 

No «ranking» da liberdade de imprensa, Portugal caiu de 16.º para 30.º lugar de 2008 para 2009. Em termos de respeito pela liberdade dos jornalistas, foi um ano negro. Bastaria olhar para o caso TVI e o fim do Jornal de Sexta através de pressão directa sobre o Grupo PRISA, as manobras de compra da TVI ou os processos judiciais a jornalistas.

Foi o Portugal Amordaçado, resultado da maioria absoluta do PS e das eleições legislativas deste ano. É triste, muito triste, o estado a que chegou a democracia que Abril nos legou.