O problema do Género

Portugal continua a ser um país que as notícias dão como muito mal situado nos “rankings” da Igualdade de Género. Num Índice do Fórum Económico Mundial, já do ano de 2014, o nosso país aparece classificado em 39º lugar, numa lista de 142 estados fechada pelo Iémen, o Paquistão e o Chade. No topo da lista aparecem a Islândia, a Finlândia e a Noruega.
Este é um tema que tem trazido preocupados sucessivos governos e que mantém na comunicação social uma actualidade constante há vários anos. É, certamente, uma área das políticas públicas e privadas que mais atenção merece e sobre a qual há ainda muito a fazer.
O quadro que se segue é um pequeno resumo estatístico retirado do Pordata, com números do ano de 2014.

Sem nome.numbers

Rankings que lideramos

Migrants

Segundo este artigo da Forbes, que cita um estudo da OCDE, Portugal é o membro desta organização que ocupa o terceiro lugar no ranking referente à percentagem da população nativa a viver no estrangeiro: 14%. Na União Europeia lideramos o ranking dos países com a taxa de população emigrada mais alta. Resta agradecer a Pedro Passos Coelho e restante tropa que fez o que pôde para expulsar a piegada toda daqui para fora. Já agora, aquela treta eleitoral do programa VEM, chegou a dar em alguma coisa ou confirmaram-se as previsões e não passava mesmo de propaganda barata?

Matrículas por sorteio puro

Agrada-me a ideia do João:

Para todos os efeitos tal obrigaria a um sistema de matrículas único. E aí está o argumento com que deve ser confrontado a partir de agora Nuno Crato: cheque-ensino? vamos a isso, mas incluindo a obrigatoriedade de as escolas aceitarem aleatoriamente os alunos candidatos à matrícula, sem qualquer possibilidade de selecção humana. Depois veremos como ficam os rankings e quantos colégios aceitam jogar de igual para igual com as escolas públicas.

Num comentário a um post anterior sobre este tema alguém questionava qual seria o problema deste tipo de informação ser tornada pública:

Os pais, se puderem, colocam o filho na escola que melhores garantias de futuro lhe dá. Sinceramente, nunca entendi esta polémica toda que todos os anos se verifica com os rankings. Desde quando ter informação é algo de negativo? [Read more…]

Ranking das Escolas

Eles aí estão: Expresso, Público, JN.

Ainda sem muito tempo para analisar, mas palpita-me que os colégios privados vão aparecer no topo das listas e à frente no alinhamento dos telejornais. Agora, com o cheque – ensino na mão o pessoal da Fonte da Moura ou do Viso vai todo a correr para o Luso-francês, ou não!

Apetece-me deixar uma pergunta sobre esta brincadeira, bem séria dos rankings: o que ganhou a Escola Pública e os seus alunos com estas divulgações?

Teorema

“Lista das 400 maiores instituições mundiais em 2013 vai ser divulgada no início de Outubro. Em 2012, as universidades lusas perderam posições”
“Não somos nós a descer no ranking. As outras é que estão a subir mais que nós”, resumiu, na altura, o vice-reitor da Universidade do Porto (UP), António Marques.

Pois… Agora percebe-se porque é que se desce: porque os outros sobem.
Ó Jorge Jesus! Aqui está um bom apontamento para memória futura.

Ranking das escolas: Comparação 2001 – 2010 ou os efeitos nefastos de Maria de Lurdes Rodrigues

São estes os verdadeiros números do «ranking» que interessam. À medida que as medidas de Maria de Lurdes Rodrigues foram sendo implementadas, as escolas públicas foram desaparecendo do mapa:
Média 2001/2006 – 2 escolas públicas nos 10 primeiros lugares; 6 nos 20 primeiros; 10 nos 25 primeiros; 33 nos 50 primeiros. 2007 – 1 nos 10 primeiros; 5 nos 20 primeiros; 9 nos 25 primeiros; 28 nos 50 primeiros. 2008 – 0 (ZERO) nos 10 primeiros; 3 nos 20 primeiros; 7 nos 25 primeiros; 23 nos 50 primeiros.
No «ranking» de 2009, por exemplo, havia uma escola pública nos vinte primeiros lugares. E mesmo essa, não serve de grande exemplo: só levou a exame 14 alunos. Agora há duas.
Foi a isto que conduziu a política educativa da Ministra da Educação e do anterior e actual Governo. E de quem é a culpa que as escolas públicas estejam a desaparecer progressivamente dos primeiros lugares do ranking?Deve ser dos professores. Os tais que, pelos vistos, dantes não eram avaliados, mas que conseguiam melhores resultados para os seus alunos do que agora.
Ou então é dos alunos. Aqueles que são cada vez menos responsabilizados e cujo sistema facilita cada vez mais a sua progressão, ao ponto de se querer acabar com as reprovações. Aqueles que vêem que tanto faz reprovar porque se está doente ou porque se vai para o café. Aqueles que vêem que tanto faz estudar ou não.
Das senhoras ministras? Que ideia! Nem pensar! Então não se vê o clima sadio que ela criou nas escolas para professores e alunos. Então não se vê como as escolas privadas vão esfregando as mãos de contentes?

Muito mais haveria a dizer sobre isto. Porque, no fim de contas, as escolas privadas não são em nada melhores do que as públicas. Algumas serão, a maioria não. A falácia destes números, onde tanto vale uma escola com 50 exames como outra com 500, e onde tanto vale seleccionar os alunos como acolhê-los a todos, não esconde, no entanto, o desaparecimento das escolas públicas desde 2005.
Desde o dia em que Maria Lurdes Rodrigues entrou no Ministério da Educação para enfernizar a vida a toda a comunidade educativa com os milhares e milhares de diplomas, leis, decretos e despachos que diariamente ia vomitando para cima das escolas.
A História lhe fará a justiça devida.

Portugal Amordaçado

 

No «ranking» da liberdade de imprensa, Portugal caiu de 16.º para 30.º lugar de 2008 para 2009. Em termos de respeito pela liberdade dos jornalistas, foi um ano negro. Bastaria olhar para o caso TVI e o fim do Jornal de Sexta através de pressão directa sobre o Grupo PRISA, as manobras de compra da TVI ou os processos judiciais a jornalistas.

Foi o Portugal Amordaçado, resultado da maioria absoluta do PS e das eleições legislativas deste ano. É triste, muito triste, o estado a que chegou a democracia que Abril nos legou.

 

 

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