Bendita pandemia que dá para tudo

Esta pandemia tem servido para tudo e um par de botas. Ora para se apelar ao sacrifício ora para se justificar a inércia.

Muitos foram já os casos nos antípodas, e que foram já escalpelizados.

Para não cair na repetição dos ditos, vou directamente ao caso mais recente: porque houve a detenção de Joe Berardo, veio à baila a questão do processo de retirada, ou não, das condecorações presidenciais ao dito cujo, que foi instaurado em 2019, não ter tido qualquer desfecho.

E, como não podia deixar de ser, Marcelo Rebelo de Sousa presenteou-nos com a sua especialidade de explicar o que mais ninguém consegue: “Há um processo em curso, que a pandemia acabou por parar ou suspender ou adiar, como tanta coisa na vida. E vamos deixar essa tramitação seguir. É da competência do Conselho da Ordem e cabe-lhe a ele a última palavra“.

Pelos vistos, o processo em causa é de tal ordem complexo que, ao contrário de julgamentos judiciais, investigações criminais, comissões de inquérito, escrituras públicas, e outras coisas de lana-caprina, não foi possível realizar-se por causa da pandemia.

Ou seja, em plena pandemia foi possível diligenciar uma investigação criminal que levou à detenção de Joe Berardo. Mas, não foi possível que o dito Conselho decidisse se o sujeito fica ou não com as medalhas.

Sinceramente, Senhor Presidente da República, este tipo de explicação já começa a cansar…

Zezé Camarinha condecorado por Cavaco…

… com a Ordem do Tesão de Ouro.

Medalhas

santana lopes

Cavaco, Santana Lopes (ahahah), Barroso, e mais tarde ou mais cedo Coelho. Qual é o problema com Sócrates?

O dia de Camões, das não condecorações e das não comunidades portuguesas

povo esquecido

Luís Vaz de Camões (Lisboa[?], c. 1524 — Lisboa, 10 de Junho de 1580), célebre poeta de Portugal, considerado uma das maiores figuras da literatura em língua portuguesa e um dos grandes poetas do Ocidente.

Quem queira saber mais, pode ler o meu texto, resultado de uma intensa pesquisa,  no nosso blogue Estrolabio, em http://estrolabio.blogspot.com/.

Que nasceu em Lisboa, sabe-se. Que descende de Galegos, sabe-se. Que foi soldado, pajem e descobridor, sabe-se. Que faleceu de peste no Hospital Santa Ana de Lisboa, antes da sua mãe, é conhecido demais. Que reformulou a escrita lusa, é bem conhecido. Que passou a ser famoso em 1880 e repousa no Mosteiro dos Jerónimos, após escavações no cemitério do Hospital, é por demais conhecido.

Que não se saiba ao certo de quem são as ossadas dos Jerónimos, é o que assalta todo o investigador camoniano, incluindo o meu grande amigo Carlos Loures. Que eu diga que não tem importância, é comigo: o interessante é ter um corpo que se pensa ser do alguém que transformou a escrita lusa e todos as línguas lusas do mundo, parte importante e real desta história, um sítio onde lhe prestar homenagem.

E as homenagens são outorgadas, em nome de alguém que em vida, não teve muita publicidade nem sorte, excepto com outro fantasma lusitano, El-rei D. Sebastião de Avis. [Read more…]