Não há cor-de-rosa sem espinhos

Rosa_chinensisNos últimos tempos, tenho-me dedicado a passear pela página que a Porto Editora dedica às dúvidas frequentes sobre o chamado acordo ortográfico (AO90). Confesso que tem sido instrutivo e não no melhor sentido da palavra. Dar-vos-ei conta deste meu périplo.

Certo dia, entrei pela pergunta O vocábulo cor-de-rosa tem hífenes?

Ainda antes de abrir, não pude deixar de estranhar que o vocábulo sobre o qual se pergunta se tem hífenes tivesse efectivamente hífenes e cheguei a imaginar que esta ligação conduzisse a um texto bem-humorado em que o leitor fosse levemente invectivado com uma frase como “Então não se viu que a resposta estava na pergunta? É claro que cor-de-rosa tem hífenes.”

Mas não. A resposta é muito mais engraçada. Ei-la:

O vocábulo cor-de-rosa é considerado uma exceção consagrada pelo uso à eliminação geral dos hífenes em locuções de uso geral no texto do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (1990), Base XV, 6.º. Embora este vocábulo seja escrito com hífenes, segundo o vocabulário oficializado em Portugal – o Vocabulário Ortográfico do Português (VOP), a grafia sem hífen já é aceite como uma outra grafia possível, tal como acontece noutras combinações idênticas iniciadas por “cor de”, como cor de laranja e cor de vinho. Os critérios de aplicação das novas regras estão, portanto, conformes ao vocabulário oficializado.

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A cor da rosa

Não sei que diga. Agora temos mais uma novela para encher páginas de jornal e minutos de televisão: Bárbara & Carrilho.

Por estes dias nem quem não queira se livra. Já o escrevi no passado sobre um político cujas fotografias em família vi espalhadas por uma revista. Quem convida para dentro de casa certo jornalismo, acaba na cama com ele. Bárbara & Carrilho, Carrilho & Bárbara foram disso um bom exemplo.

São disso um bom exemplo.

 

A discriminação do Aero-Om, a gota cor-de-rosa


Soube, pelo post do Carlos do Carmo Carapinha, no 31 da Armada, que a Fernanda Câncio acha uma insuportável discriminação os pensos rápidos serem apenas da cor da pele dos brancos. E que anda a pensar em lançar uma campanha para obrigar os fabricantes de pensos rápidos a fazerem-nos também pretos, amarelados e de todas as outras cores que fazem a diversidade do ser humano.
Carlos do Carmo Carapinha aponta outros exemplos de discriminação, como o Betadine, as suturas e os pensos higiénicos. João Gomes de Almeida, no Estado Sentido, aponta os dildos e as personagens dos gelados Olá. No Blasfemias, José Manuel Fernandes considera (injustamente) que é a causa mais ridícula do ano.
Enquanto reflectia sobre este momentoso assunto, fundamental para os destinos do país e da Humanidade – qual Orçamento de Estado, qual eleições brasileiras… – lembrei-me de uma das maiores discriminações da actualidade: o Aero-OM, a milagrosa gota cor-de-rosa que se dá aos bebés quando eles estão a chorar.
E é discriminatório porque é cor-de-rosa. E um rapazinho, todo vestidinho de azul, é obrigado a tomar uma gota cor-de-rosa só porque chora? Acho escandaloso e penso que o laboratório que o produz, a OM Pharma, devia oferecer também a cor azul como alternativa.
Com a indecente discriminação do Aero-OM, Fernanda Câncio não se preocupa. Claro, aquilo é um blogue de causas fracturantes e para elas é perfeitamente natural que um menino use coisas cor-de-rosas. Desde o dia em que nasceu.