Arquitectura para cães ou o futuro é deles

Niemeyer, 104 anos, o arquitecto brasileiro conhecido sobretudo por traçar Brasília, está doente; os nossos jovens arquitectos emigram; os ateliers dos grandes como Siza Vieira estão a dispensar pessoal e o gabinete pode fechar; e o presidente da Ordem dos Arquitectos afirmou à RR que “A profissão de arquitecto atravessa, tanto quanto há memória, a mais grave crise de sempre, por falta de oportunidades, trabalho e encomendas, o que tem como resultado uma situação de praticamente paragem de grande parte dos ateliers ou dos profissionais envolvidos, sobretudo, na área de projectos, mas também todos aqueles que estão ligados ao sector da construção”.

desemprego na construção civil já atinge 100 mil (dados de Outubro).

Não havendo casas de gente para construir, os arquitectos e designers “de renome”  dedicam-se ao desenho de uma linha de casas de cães

O futuro é dos animais!

O que pensará Niemeyer destes novos clientes e da nova «arquitectura»?

Não me admirava nada que por aí surgisse um novo curso ou nova disciplina nos cursos de Arquitectura.

E para concluir: cães tratados como gente e gente tratada como cães

A Capela do Silêncio

Ando há procura dele…

Saint-Exupéry…

Não há ninguém que escreva melhor sobre o silêncio.

Hei-de escrever um hino ao silêncio. Tu, músico dos frutos. Tu habitante das adegas (…) vaso de mel da diligência das abelhas. Tu, repouso do mar na plenitude. (…) Silêncio das mulheres (…). Silêncio do homem que se apoia nos cotovelos e reflete e (…) fabrica o suco dos pensamentos. Silêncio que lhe permite conhecer e lhe permite ignorar (…). Silêncio dos próprios pensamentos. (…) Silêncio do coração. Silêncio dos sentidos. Silêncio das palavras interiores, porque é bom que tu encontres Deus (…). Silêncio de Deus qual sono de pastor. (Cidadela, cap. 39)

Saint -Exupéry dizia que somos uma raça tagarela (“raça tagarela dos homens”)!

(Já estou a dispersar. Mas é impossível resistir a este António…)

Mal ele podia imaginar, quando escreveu Cidadela (1948), que em Helsínquia, em pleno séc. XXI, alguém se ia lembrar de construir uma capela do Silêncio! Ou dito de outra forma, o silêncio mereceu uma capela naquela cidade!!

Saint-Exupéry iria gostar desta capela sem santos e sem decoração? Pois eu acho que sim!!

“Embora se chame Capela do Silêncio, não deverá acolher serviços ou cerimónias religiosos. Foi concebida como um local de retiro no espaço urbano. A obra, assinada pelo Mikko Summanen, com 270 metros quadrados, é um exemplo do uso inovador da madeira na arquitectura”. (Público, 10/7)

Este será um espaço para ateus e não ateus, crentes e não crentes. Porque todos procuramos o silêncio, afinal! “Serve ao turista e ao necessitado”- uma ideia muito interessante.

Também é caso para dizer: se o homem da cidade já não procura o silêncio, vem o silêncio à procura do homem.

“Orgulhosamente Produzido em Portugal”

Como diria o outro, “bela merda” os acabamentos em tó-colante. Temos futuro.

Pequenas Coisas

Há uns anos atrás e aproveitando o facto de a minha irmã estar numa missão dos Missionários da Consolata fui até à Tanzânia.
Para além dos habituais safaris tive a oportunidade de conhecer um pouco do dia-a-dia de alguns dos locais. Este contacto serviu naturalmente de pretexto para algumas histórias quando voltei a Portugal.

Curiosamente mais do que uma pessoa referiu o velho estereótipo “ah! mas lá tudo é mais simples”, como que a dizer que a pureza de (alguma) África permitia ultrapassar tudo.
A essas pessoas fiz questão de lembrar que ter uma vida baseada na necessidade diária de procurar água para sobreviver não é compaginável com essa ideia de África…

Por isso é que simples inventos como o “Happy Basin” (via design e cidadania) são importantes. Inventos que salvam vidas.