Os cavalheiros

As velhotas do meu bairro têm todas o seu cão, pequenino e de caminhar trôpego como elas. Quando elas saem à rua, eles caminham ao lado, passos sincronizados, e se elas param a falar com as vizinhas, eles esperam com paciência mas não se deitam porque sabem que elas não querem pêlos sujos a manchar-lhes a tijoleira de casa. Aguardam o desenrolar da conversa com uma expressão de beatitude zen e olham com compostura quem passa. Quando a dona retoma a marcha, seguem-na, logo se colocam a seu lado, passos sempre harmonizados. Elas falam muito com eles, repreendem-nos, dão-lhes mimo. “Lá estás tu, deixa lá de cheirar a porta dos outros. Já estás cansado? Hoje estás muito fidalgo. Anda, meu menino, vamos embora.”

São cães de porte pequeno, quase todos bastante feios, com um caminhar rebolado e vagaroso, e olhos húmidos e expressivos. Raramente ladram, abdicaram disso para não incomodar, afinal as donas têm corações fracos, pernas inchadas da má circulação, a tensão alta, não precisam de bichos caprichosos e que façam alarido. Querem um companheiro para ver a televisão ou ir à padaria, um a quem confiem historietas antigas, sempre as mesmas, e que não proteste nem seja demasiado canino, demasiado biológico, que seja pouco cão, enfim. [Read more…]

Manuela e os cães

Manuela Moura GuedesManuela Moura Guedes, recebeu, recentemente, tratamento hospitalar por ter sido mordida pelos seus próprios cães.

Desejo, sinceramente, as melhoras da vítima. Mas não posso deixar de me interrogar sobre as causas de tão estranha ocorrência. Vai daí, consultei especialistas, mergulhei na bibliografia sobre casos que tais e, segundo apurei, podem ser duas as razões: ou a Manuela tinha feito mais uma intervenção no rosto (plástica, botox a mais, maquilhagem estranha ou qualquer outra razão do género), ficando irreconhecível para bichos, ou os cães assistiram ao desempenho da sua dona no programa televisivo Barca do Inferno.

Em caso de julgamento, estas são explicações que militam em favor dos caninos como sérias atenuantes.
– Nota: os animais estão bem

O rosnar de um regime decadente

Cão 2

Em Democracia, naquela em que ainda vivemos, o direito à manifestação ainda se mantém consagrado no ordenamento jurídico que, felizmente mas não por falta de vontade, os empregados parlamentares das diferentes máfias que compõem o sistema ainda não conseguiram alterar, para tristeza de todos aqueles que clamam por mais impunidade para o assalto diário de colarinho branco ao país que hoje celebra o seu dia. E enquanto o dia da submissão final não chega, há que ir rosnando a todos aqueles que tentaram colocar em causa o plano.

Durante a cerimónia comemorativa do 10 de Junho que teve lugar hoje de manhã na Guarda, o antigo accionistanegacionista da SLN sentiu-se mal e teve que ser retirado da tribuna onde debitava as habituais nulidades que o caracterizam. Alguns iluminados e idiotas deste país correram a culpar um grupo de manifestantes que levava a cabo um protesto legítimo contra o governo, tal como previsto no 45º artigo da “infame” Constituição da República Portuguesa. Eu sou da opinião do João José Cardoso, até porque Portugal não é uma monarquia: não está em condições para exercer funções, vá gozar a sua reforma que mal dá para as contas. Junto com a da Maria e considerando que não deve gastar um euro que seja há alguns anos, fruto de viver às nossas custas, mais caro por português do que a rainha Isabel por inglês, deve chegar.

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Cena de rua

Manta estendida no chão, por cima de cartões e sacos plásticos. O sítio não é o melhor, tão desabrigado, demasiado perto da esquina, sopra vento o dia inteiro. Impossível não vê-los desde longe. O homem está sentado no chão e ao seu lado estão os quatro cães, com seis pratos de biscoitos à frente, pratos generosamente abastecidos pelas senhoras que zelam com cuidados maternais pela comunidade canina da cidade. Assim alinhados, ele embrulhado numa manta, todos os cães com a sua mantinha pelo lombo, os pratos de biscoitos à frente, parecem sentados frente à televisão, quase divertidos com o programa que lhes tocou, essa sucessão de gente que passa com uma expressão de tédio ou de angústia, um riso adolescente, um silêncio ressentido entre casais. A cena doméstica surpreende, faz-nos abrandar para ver melhor a família, os cãezinhos tão ordeiros, tão pacatamente sentados que parecem gente, gente crescida que observa com curiosidade e talvez alguma surpresa o espectáculo das gentes que passam. [Read more…]

O Governo, os Cães e os Gatos

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Vamos imaginar que o apartamento é um duplex T6. Não pode ter 4 cães e 4 gatos? Bem, se for um T0 é mais complicado. E, já agora, os piriquitos, como é? É que fazem um barulho do caraças. Mais, e os maníacos das cobras, como ficam? Sem esquecer o problema das galinhas e mesmo dos coelhos que, como se sabe, são senhores(as) de forte capacidade de multiplicação.
E se em vez de folclore legislativo, o ministério do ambiente estivesse mais preocupado com as condições vergonhosas da maioria dos canis municipais e do abandono dos animais pelos seus donos? Já para não falar nas touradas e no problema dos animais de circo abandonados.
Isso é que era merecedor do meu respeito.

Como cão e gato

A minha cadela aceitou partilhar casa com um gato. Eu não tive nada a ver com o assunto, nem fui consultada, o que me pareceu normal porque a Rita já é uma cadela menopáusica, com idade suficiente para saber o que quer. O gato é novinho, suponho que um dos muitos órfãos que vagueiam pelo bairro, e começou a rondar o pátio com passinhos furtivos, olhos vivos de pequeno reguila, e aquele ar de desamparo que os gatos podem ter mas só quando querem. Começou por roubar pedacinhos de comida, foi ganhando coragem, aproximou-se dela e, como ela permanecesse refastelada, a fazer de conta que não o via, ele fez-se atrevido e não só comeu tudo o que estava no prato dela, como lhe foi dando pancadinhas leves com as patas, esfregando o dorso na sua barriga, roçando a cabecita no focinho indolente dela. [Read more…]

Cães de Atenas recebem animais da Troika

ÁÈÇÍÁ - ÓÕÍÁÍÔÇÓÇ ÔÙÍ ÅÊÐÑÏÓÙÐÙÍ ÔÇÓ ÔÑÏÚÊÁÓ ÌÅ ÔÏÍ ÕÐ. ÏÉÊÏÍÏÌÉÊÙÍ ÃÉÁÍÍÇ ÓÔÏÕÑÍÁÑÁ<br /><br />(EUROKINISSI/ÃÉÙÑÃÏÓ ÊÏÍÔÁÑÉÍÇÓ)
Troika recebida pelos cães vadios de Atenas à porta do Min. das Finanças – Fotografia Opinion Post, info via Artigo 21º.