Olha que coincidência: por cá é igual

Horários Zero: desregular e enfraquecer

No post anterior o JF já se referiu ao problema que por estes dias vivem milhares de professores do quadros, com anos e anos de experiência.

Para quem não é professor a equação parece simples: se existem Professores a mais, o país não tem dinheiro para os pagar, logo, têm que sair.

Mas, talvez se explique isto com o recurso a uma metáfora. Imagine, caro leitor, que o Presidente de uma equipa de futebol decide cortar na despesa. Exige então ao treinador que invente uma nova arrumação da equipa no terreno de modo a dispensar o guarda-redes. Será assim, com dez jogadores e sem o goleiro que o time entrará em campo.

É mais ou menos isto que se está a passar nas escolas – aumenta-se o número de alunos por turma (sim, essas mesmo, as turmas dos seus filhos!), reduz-se o alcance do Ensino Especial e dos apoios, fecham-se os cursos CEF e os profissionais e assim até parece que a equipa pode jogar sem guarda-redes. Poder, pode…

Esta medida do Governo coloca em causa o serviço público de educação – não é só uma coisa de “prof“.

É algo que vai MESMO mexer com a qualidade do serviço prestado nas escolas.

E chegamos ao fim do mês de julho, com a preparação do ano letivo 2012-13 toda esburacada apenas e só porque o sr. Comentador Nuno Crato resolveu dar uma de Ministro e está à vista o resultado: no parlamento, apertado pela rua, diz que até pensa em vincular Professores aos quadros, para logo a seguir corrigir o tiro e dizer que afinal não será bem assim.

Alguém, além dos contratados crentes, acredita que o sr. Comentador Nuno Crato, agora Ministro, vai meter professores nos quadros quando tem milhares dos quadros sem horário? Quer dizer, obriga a equipa a jogar sem guarda-redes e depois vai comprar guarda-redes que não vão poder jogar?

Será que ainda estamos no plano inclinado?

Contra a destruição da Educação Visual e Tecnológica

A grave crise económica e financeira que existe no plano nacional e internacional, tem servido de justificação para se avançar com as mais diversas reformas, nos mais diversos sectores de atividade.

Não se percebe porque é que Educação Visual e Tecnológica (EVT), uma disciplina de sucesso, que se formou há mais de vinte anos, resultando da junção das disciplinas de Educação Visual e de Trabalhos Manuais, esteja prestes a ser destruída por razões meramente orçamentais, para dar lugar a qualquer coisa que, embora possa lembrar as suas origens, em nada se lhe vai assemelhar, por força da tremenda redução da carga horária, da redução da componente humana e da criação de uma terceira variante (TIC).

[Read more…]

“Orgulhosamente Produzido em Portugal”

Como diria o outro, “bela merda” os acabamentos em tó-colante. Temos futuro.

Hoje dá na net: Programado para avariar…

…ou OBSOLESCÊNCIA PROGRAMADA. Baterias que deixam de trabalhar ao fim de dezoito meses, lâmpadas que fundem ao fim de mil horas, impressoras que param de repente, veja como a indústria programa os objectos de forma a terem curta duração ou a avariarem propositadamente, com o fim de o fazerem comprar um novo. Perceba porque é mais barato deitar fora do que mandar consertar. Compare o discurso “verde” e “ecológico” das empresas com a sua prática, veja como algumas tecnologias regridem e pioram os desempenhos, e constate o óbvio: é feito estudadamente e com precisão para avariar.

Ensino privado e de como o barato sai caro

O João Miranda veio aqui ler umas coisas (é sempre um prazer receber um liberal nesta casa) e tirou as suas conclusões. Por exemplo a de que o privado é mais barato que o público, constatação acertada tendo em conta os números que aqui publiquei.

É verdade, pelos vistos conseguem ser mais baratos e também, por isso têm lucro. Verdade se diga são números que acima de tudo denunciam como o estado tem sido assaltado através dos contratos de associação e dos favores de algumas direcções regionais, que pagam muito acima do custo do serviço prestado, em concorrência directa com o estado.

Como é possível fazer tão barato? Pagando menos (embora as carreiras docentes sejam vagamente equiparadas, há truques para isso), mas sobretudo fazendo trabalhar mais. Ora se a carga lectiva (não confundir com horário de trabalho) dos professores portugueses em geral já é superior às médias europeias, 27 ou 28 tempos lectivos não abona nada à qualidade de ensino. Como tenho dito não é uma questão de direitos do trabalhador (embora também seja), é um direito dos alunos terem professores com um máximo de 22 horas lectivas por semana. Quem experimentou (já me calharam 25h em tempos muito idos), sabe bem que é humanamente impossível trabalhar com qualidade nessas condições, a que acrescem turmas no limite máximo legal da sua lotação. [Read more…]

O ensino privado não é melhor que o público: selecciona os alunos, e claro que tem melhores resultados

Na discussão sobre os ensino privado alimentado pelos nossos impostos volta sempre o velho mito da suposta qualidade dos colégios. Aparentemente os pais escolheriam os colégios porque estes teriam melhores resultados.

Para começar esquece-se uma evidência: se fosse concedido aos pais escolherem a escola para os seus filhos e todos optassem pelo privado, além de o público ficar às moscas, gostava de ver a proclamada qualidade do privado que não pudesse seleccionar os alunos. Porque essa é a questão: quem escolhe alunos (como aqui provei que se escolhe, tendo em conta “o percurso escolar do aluno”) fica com os melhores e estes obtêm melhores resultados. É óbvio. Tão óbvio como este velho texto do Pedro Sales, que mantem a sua actualidade ranking após ranking:

O colégio São João de Brito é da Companhia de Jesus, a qual tem mais duas escolas com ensino secundário. O Instituto Nun´Álvares, em Santo Tirso, e o Colégio da Imaculada Conceição, em Cernache – Coimbra. Como acontece com quase todas as escolas privadas no interior, têm um contrato de associação com o Estado. [Read more…]

É Natal, pá!

É usual serem aplicadas sanções económicas ou boicotes a países cujos regimes violam os Direitos Humanos, ou desrespeitam imposições da ONU, ou por outra razão “qualquer”.

Até nós tivemos em Portugal uma campanha para que não se comprasse produtos feitos na Indonésia porque ocupava ilegitimamente Timor.

Curiosamente hoje já não nos importamos, por exemplo, que constantemente sejam executados chineses. Aliás até se dá benefícios fiscais ao comércio chinês. E, acrescentando o facto de venderem de tudo mais barato do que no comércio tradicional, percebe-se como não há terra que não tenha a chamada “loja dos chineses”.

Que diabo, sempre vendem produtos mais barato. E para quem tem de (sobre)viver com pouco, até mesmo essa coisa da qualidade de que tanto falam os nossos políticos, são para carteiras que não da maior parte do pessoal. Porque a qualidade importa algo que não é lá muito compatível com o nosso nível de vida: encarece.

Também não nos preocupa que a China seja um dos maiores poluidores do planeta que habitamos (embora o Tio Sam continue a liderar). Queixamo-nos que as radiações estão no auge, que sofremos com isso, mas barato é barato e em tempos de vacas magras há que fazer pela vida.

Em Copenhaga, a China até se diz muito preocupada com a defesa do ambiente, e que tem levado a cabo um enorme esforço para reduzir os níveis de poluição. Imagino mesmo que venha a curto/médio prazo a substituir os fuzilamentos por enforcamentos que têm um impacto ambiental menor ( a começar em sede de poluição sonora).

Assistindo ao corrupio das compras de Natal, entre grandes superfícies e o comércio tradicional, é fácil de ver que nas secções de brinquedos, os carros comandados e as bonecas feitos no oriente não dão hipótese aos brinquedos europeus. Até mesmo porque pelo preço de um ou dois brinquedos europeus compra-se, do oriente, tudo para filhos e sobrinhos e canalhada em geral. E mesmo grandes marcas ocidentais, de ambos os lados do Atlântico, produzem os seus artigos na China.

Nestes momentos, as teorias da defesa dos Direitos Humanos, do ambiente e da aposta na qualidade para vencer os desafios do futuro, ganham contornos de ridículo.

%d bloggers like this: