O poucochinho de 2016

Santana Castilho*

O que se ensina e o modo como a Escola se organiza para ensinar deveria traduzir um projecto de sociedade, decidido de modo suficientemente participado para a representar. Infelizmente, traduz apenas o querer de quem manda em cada momento, fruto da recorrente incapacidade de os partidos construírem um entendimento político que acomode os tempos da Educação. Com efeito, nenhuma reforma se compadece com a duração estreita de uma legislatura.

A Escola que o anterior Governo deixou visava criar “recursos humanos” produtivos, pacíficos face aos grupos económicos a que se destinavam e agressivos face à competição desumana que deviam vencer para lá entrar. O que o actual Governo fez para mudar essa Escola e preparar cidadãos capazes de agirem de modo crítico e independente é manifestamente poucochinho.

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Arquitectura para cães ou o futuro é deles

Niemeyer, 104 anos, o arquitecto brasileiro conhecido sobretudo por traçar Brasília, está doente; os nossos jovens arquitectos emigram; os ateliers dos grandes como Siza Vieira estão a dispensar pessoal e o gabinete pode fechar; e o presidente da Ordem dos Arquitectos afirmou à RR que “A profissão de arquitecto atravessa, tanto quanto há memória, a mais grave crise de sempre, por falta de oportunidades, trabalho e encomendas, o que tem como resultado uma situação de praticamente paragem de grande parte dos ateliers ou dos profissionais envolvidos, sobretudo, na área de projectos, mas também todos aqueles que estão ligados ao sector da construção”.

desemprego na construção civil já atinge 100 mil (dados de Outubro).

Não havendo casas de gente para construir, os arquitectos e designers “de renome”  dedicam-se ao desenho de uma linha de casas de cães

O futuro é dos animais!

O que pensará Niemeyer destes novos clientes e da nova «arquitectura»?

Não me admirava nada que por aí surgisse um novo curso ou nova disciplina nos cursos de Arquitectura.

E para concluir: cães tratados como gente e gente tratada como cães

A tragédia do Afeganistão

Por isso tenhamos sempre presente o que o Prof. Dietrich Dörner nos transmite no seu livro

“The Logic Of Failure: Recognizing And Avoiding Error In Complex Situations”, onde nos fala

de “todos os pequenos, cómodos e tão humanos erros de pensamento pelos quais, no melhor

dos casos, só paga um e, no pior, todo o globo”.

Abaixo uma referência a um exemplo típico de um daqueles “erros de pensamento” pelo qual

pagaram mais que uma pessoa – foram 13.000, só do lado inglês.

E quantos serão desta vez?

Rolf Dahmer

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Ambições ou porque é que os humanos nunca estão contentes

 

“Se tivesse o corpo dela”

“Se tivesse os diamantes dela”.

“Se tivesse o dinheiro dele”

“Se tivesse a mulher dele”