A criança e a sua mente cultutal

Alexandre o Grande

Para a Gracinha Pimentel Lemos, antiga discente, hoje amiga pessoal 

Conhecido é que o autor do presente texto não tem sentimentos de fé. Conhecido é, também, que foi educado dentro das ideias ocidentais que, por acaso histórico, são cristãs. Ideias que são partilhadas, não apenas pelos cristãos romanos, arménios, ortodoxos gregos ou russos, libaneses, maronitas ou de outros países orientais, em paz e convívio com os muçulmanos, essa grande maioria com quem o Ocidente comunga a mesma Bíblia. [Read more…]

Práticas religiosas em Portugal

240px-Tapete_de_corpus_christi_em_po%C3%A1_sp_brasil_-_fernando_ara%C3%BAjo_SECOM_Po%C3%A1.jpgAo longo da História os camponeses têm estabelecido uma racionalidade do trabalho largamente baseada em laços pessoais. As decisões de escolha de uma determinada cultura, de quando e como semear, se bem que limitadas por factores ecológicos, têm obedecido às circunstâncias do momento baseadas na relação com os recursos de reprodução, relação essa que tem variado em diferentes épocas históricas. Terra, trabalho e tecnologia, os três principais recursos necessários à sobrevivência dos camponeses, são geridos e correlacionados de modo mutável, na base de obrigações morais entre parentes e vizinhos; da mesma forma, a definição de alianças e a circulação das populações vão obedecer a um ritual dentro dos parâmetros definidos pela Igreja Católica Romana, constantemente desenvolvidos ou manipulados pelos próprios camponeses. Em resumo, a organização camponesa do trabalho é expressa e materializada em princípios morais que derivam da crença religiosa. [Read more…]

religião, a confissão do medo-I parte

La Pietá, Michelagelo Buonarroti, 1499

Por ser um texto longo, o publico em três partes, em datas diferentes

Para o meu neto mais velho, Tomas Mauro van Emden

1.- Definições

Parece-me necessário definir certas palavras do título, para torná-las conceitos. É a regra mínima de hermenêutica ou de interpretação do sentido das palavras. No meu ver, este título precisa de vários esclarecimentos.

Talvez, o primeiro, seja essa minha obsessão de escrever sobre a temática É bem conhecido que não sou um homem de fé e, no entanto, ando sempre a perguntar-me o porquê dos seres humanos procurarem a religião. Especialmente em Antropologia, essa ciência que estuda o pensamento humano em sociedade, no meio do social ou da interacção social. É um facto tão evidente, o objectivo da nossa ciência aparece em todo e qualquer livro de Antropologia, em dezenas de páginas ou num capítulo especial, que torna a redefinir esta ciência sempre em crescimento. Ciência que, normalmente, tem dentro da análise do social, a palavra religião como pano de fundo. Eu próprio tenho escrito livros, ensaios, textos atrevidos, que juntam a religião com a economia, especialmente nos livros de 2002[1], de 1991[2]a e 1991b[3] e na obra colectiva de 2004[4]. [Read more…]