Nascer da Terra: uma imagem icónica com 50 anos

“Ninguém lhes havia dito para procurar a Terra. Era véspera de Natal de 1968 e a primeira missão tripulada à lua chegara ao seu destino. Quando a Apollo 8 entrou na órbita lunar, a tripulação preparava-se para ler passagens do Génesis para uma transmissão televisiva. Mas, à medida que o módulo de comando completava a sua quarta volta, ali estava ela, visível através da janela – um enfeite azul e branco suspenso no preto acima do severo cinzento da lua.

Antes daquele momento, há 50 anos, ninguém havia visto o nascer da Terra. Esta visão fez Bill Anders, o fotógrafo da missão, precipitar-se para a sua máquina fotográfica. Colocou um rolo de 70mm colorido na Hasselblad, definiu o foco para o infinito e começou a fotografar através da teleobjectiva.

O que ele capturou tornou-se numa das imagens mais influentes da história. Força motriz do movimento ambientalista, a imagem, que ficou conhecida por Earthrise (nascer da Terra), mostrou o mundo como um oásis singular e frágil.” [Ian Sample, The Guardian]

Artigo completo: “Earthrise: how the iconic image changed the world“.

Filhos do Fogo

A tragédia do Fogo dura há décadas em Portugal e nunca é exagero realçar o esforço heróico empreendido por Bombeiros e demais corpos de protecção civil no seu combate.
Mas, depois dessa justiça feita, é necessário reconhecer que a combustão da Terra se tornou num problema estrutural do nosso país e não apenas um fenómeno sazonal e recorrente, que suscita sempre os mesmos comentários e lamentos inconsequentes.
A Terra, a nossa Terra, com tudo o que isso contém de sagrado e estratégico, é um tesouro que insistimos em não valorizar devidamente, tratando como chumbo o que na verdade suplanta o valor do Ouro.
É urgente despertar para esta realidade e transcender no plano político o conceito burocrático-sociológico de mero Território, conferindo ao sistema vivo de que somos participantes o estatuto simbólico, jurídico e estratégico que lhe cabe.

The Age of Stupid

The Age of Stupid

Documentário sobre as mudanças climáticas e sobre a falta de reacção dos governos e dos povos. Em inglês, legendado em português. Página no IMDB.

Jovens folhas

Se a tivessem conhecido, a primeira pergunta que ela vos teria feito, aposto convosco, seria:

– Quantos anos me dá?

E enquanto vocês atiravam números errados – 70, 73, 77, 80 – ela ficaria a olhar-vos com olhinhos matreiros, antegozando a vossa surpresa quando ela vos dissesse a verdade.

– Pois tenho 86, feitos em Janeiro.

E percebendo a alegria que lhe davam, vocês haveriam de exagerar o vosso espanto, que, não sendo pequeno, porque ela sempre aparentou menos idade, podia bem ser aumentado para alegria e orgulho da D. Carmen.

Assim foi a primeira conversa com a nova vizinha, quando há anos mudei de casa. Passei as semanas seguintes a vê-la saltar pequenos muros, a passear-se pelo bairro com grandes passadas e o andar sacudido de um basquetebolista, um caminhar de rapaz reguila que contrastava de forma bizarra com as ondinhas brancas do seu cabelo e os travessões de menina. Via-a nua muitas vezes, ou não gostasse ela de saudar o sol pondo-se em pelota à janela a cada manhã, ou porque achava que ninguém a via ou porque tanto lhe dava. [Read more…]

Earth

Earth (Terra), de 1998, é o segundo filme da trilogia de Deepa Mehta. Legendado em Inglês. O terceiro filme da trilogia, Water (Água), de 2005, não dá ainda na net.
Ficha IMDb

Bilhete-postal da Terra

O monstruoso e metálico robô Curiosity já mandou para a Terra alguns bilhetes-postais da paisagem marciana. Ainda a preto e branco, vemos a cratera onde ele pousou…
O robô não levou nenhum bilhete-postal para Marte, pois neste planeta não há vida inteligente, nem anfitrião para receber qualquer presente que fosse oferecido com a melhor das boas intenções e em missão de paz do nosso planeta.

Mas numa coisa os dois planetas são parecidos: ambos têm crateras.
Não me quero referir às crateras naturais, que a Terra as tem em grande número e são belas, por sinal. Estou a pensar nas crateras provocadas por sucessivos bombardeamentos a mando do regime de Assad sobre Alepo, uma terra mártir… Só em dois dias já morreram 322 sírios.
Aqui na Terra, o planeta do Homem, onde há vida (muito) inteligente, há, contudo, desumanidade e maldade: aqui os homens são capazes de abater de animais abandonados pelos donos (Taiwan); aqui na Terra, ainda se amputam mãos aos homens que roubam e ainda se mata por apedrejamento homens e mulheres por sexo fora do casamento (Mali).

Aqui na Terra, ainda há brutamontes e homens rudes tal como na Pré-História. [Read more…]

A Nossa História em Dois Minutos

É um vídeo que acabei de receber, enviado por uma amiga. Chama-se A Nossa História em Dois Minutos e é uma compilação de imagens muito rápidas. Necessariamente incompleto e com critérios de edição questionáveis (como não poderia deixar de ser) é um exercício curioso que (re)lembra alguns momentos marcantes, esquecendo outros. Mas, em dois minutos, não se pode pedir muito melhor.

 

Um minuto com 61 segundos

Quantos segundos tem um minuto? A resposta é sabida: 60 segundos. Até uma criança sabe isso!

Mas hoje, esta noite, apenas esta noite, desde 2008 e pela 25ª vez desde 1972, haverá um minuto que terá 61 segundos.

Há que aproveitá-lo!! (O que se faz num segundo???LOL!)

Li no Público de hoje que esta noite será o momento de atrasar um segundo nos 200 relógios atómicos de todo o mundo, que precisam de ser acertados periodicamente.

Vamos poder dormir mais um segundo! E eu que ando tão cansada, vai dar um jeitaço dormir mais um segundinho.

Serão os açorianos os primeiros a viver esse desajeitado minuto com um segundo a mais que a natureza nos está a dar! Depois, será no Continente e na Madeira: acontecerá entre as 00h59m59s e as 01h00m00s.

Não sei se vou dormir ou ficar acordada para ver esse segundo passar?!

Afinal é um minuto defeituoso de uma hora defeituosa deste admirável mundo nosso!

a terra para quem gosta dela

Entendo que a virtualidade canse, e que vos dê gosto meter as mãos na terra, e rebolar nus por uma ladeira, cada um expressa a sua vitalidade como entende, mas comigo é que não vale a pena contar. Lamento muito, eu também tentei, mas não lhe vejo a graça. Depois de uma tarde de enxada, formigas, minhocas, sol impiedoso e dores nas costas cheguei à conclusão de que a agricultura não é para mim.

Se estamos a falar daquela versão benigna, que é o vaso na varanda, controladinho, metido no seu sítio, ali à espera do regador, sem bichos maiores que formigas, sem enxadas nem ancinhos, lá nos vamos entendendo. Também tenho as minhas beringelas, também tenho o meu alecrim, e umas flores muito bonitas que só floriram no segundo ano e por essa altura já eu me tinha esquecido do que lá tinha plantado, de maneira que não sei como se chamam nem falta faz. Tenho e rego, às vezes esqueço-me mas depois compenso, e salvo algumas espécies que não vingaram a coisa até nem tem corrido mal. [Read more…]

Os chineses tomam conta disto tudo

Por cá, entram com dinheiro.

Por lá, seguem a via terrestre.

Amásia resultará da junção da América e da Ásia junto ao oceano árctico

Regresso ao passado

Parece que ontem uns assinaram pela energia nuclear e outros pela monarquia. O nuclear após Fukushima e a monarquia com aquele patusco que faz filhos e tem um bigode castiço mas não vai ao concurso do bigode do ano.

Aguardo ansiosamente um manifesto que exija às escolas a reposição da terra no seu lugar aristotélico. Quem anda é o sol, carago.

Terra e poesia

adão cruz

Tenho falado com alguns poetas sobre o que entendem por poesia poetas de muito nome.

Cada um deles diz-me o que sente mas ninguém me diz que a poesia nasce como nasce a água da fonte.

O homem veio consultar-me sentia sobretudo ao levantar da cama e com os esforços uma dor em barra sobre a tábua do peito que o imobilizava por completo. [Read more…]

O presente, essa grande mentira social. I – Reciprocidade

1324074_a_christmas_carol___mn_225_300.jpg

4. Reciprocidade?

Apenas um esquema de iniciação. Porque sobre reciprocidade tenho escrito bastante, em vários textos publicados[1]. No entanto, o conceito deve ser esclarecido, para além da excelente tentativa de Alvin Gouldner[2]no seu texto clássico, citado neste livro e que tem orientado a minha análise. Mas, antes de entrar pelos comentários de Gouldner, é preciso lembrar outras distinções e definições, normalmente pouco referidas em textos. [Read more…]

Práticas religiosas em Portugal

240px-Tapete_de_corpus_christi_em_po%C3%A1_sp_brasil_-_fernando_ara%C3%BAjo_SECOM_Po%C3%A1.jpgAo longo da História os camponeses têm estabelecido uma racionalidade do trabalho largamente baseada em laços pessoais. As decisões de escolha de uma determinada cultura, de quando e como semear, se bem que limitadas por factores ecológicos, têm obedecido às circunstâncias do momento baseadas na relação com os recursos de reprodução, relação essa que tem variado em diferentes épocas históricas. Terra, trabalho e tecnologia, os três principais recursos necessários à sobrevivência dos camponeses, são geridos e correlacionados de modo mutável, na base de obrigações morais entre parentes e vizinhos; da mesma forma, a definição de alianças e a circulação das populações vão obedecer a um ritual dentro dos parâmetros definidos pela Igreja Católica Romana, constantemente desenvolvidos ou manipulados pelos próprios camponeses. Em resumo, a organização camponesa do trabalho é expressa e materializada em princípios morais que derivam da crença religiosa. [Read more…]

Que deus?

(Dedico este post à nossa simpática Maria Monteiro)

Apoiado nas leituras de Pepe Rodriguez, doutorado em psicologia pela universidade de Barcelona, e um dos mais categorizados conhecedores e especialistas em matéria de seitas e religiões, permitam-me que construa algumas das minhas opiniões àcerca da ideia de deus.

Deus é um conceito recente dentro da evolução do nosso processo cultural. Mas a força deste conceito tornou-se tão poderosa que permitiu às instituições religiosas, que governam a presunção da sua realidade, a mudança radical dos comportamentos individuais e colectivos das relações humanas.

Há mais de dois milhões de anos a espécie humana sobrevivia e morria sem deus, num planeta inóspito, no meio de uma total indiferença em relação ao Universo. Há noventa mil anos atrás, uma parte da humanidade parece ter começado a pensar na ideia de uma possível existência para além da morte. Há trinta mil anos deus ainda não existia. Por essa altura começou a esboçar-se a ideia de um deus, mas a sua imagem e características eram as de uma mulher todo-poderosa. Daí o dizer-se que deus nasceu mulher. Só depois do terceiro milénio a.C. começou a surgir a ideia de um deus criador/controlador, mais ou menos como é imaginado pela humanidade actual. [Read more…]

Será que o homem é o ser mais desenvolvido da terra?

Será que o homem é o ser mais desenvolvido na terra?

 Com base no que escreve D’Onofrio Rebelión, eu intuo que é pouco provável que as crenças sejam um plano orquestrado por pessoas geniais e lúcidas. É mais provável que as crenças resultem de um processo cumulativo, através dos tempos, no qual confluem pessoas, políticas, religiões, interesses, ritos e costumes. Para a maioria dos humanos, aceitar as crenças que vêm dos antepassados, sem as questionar, é o resultado da grande estratégia de todos aqueles que não têm interesse na evolução mental do ser humano.

 Para uma pessoa de ideologia naturalista e científica do mundo, nada pode ser afirmado ou negado com certeza absoluta. Esta a grande honestidade da ciência. Há coisas que não sendo consideradas impossíveis, podem ser muito improváveis, e há coisas que parecendo improváveis, podem ser, à luz dos conhecimentos, muito possíveis. A probabilidade ou improbabilidade dependem da informação disponível. Sem qualquer dúvida, a informação disponível actualmente contradiz uma grande parte das crenças e dos conceitos mais ou menos cristalizados que nos acompanharam através da vida.

 Os conhecimentos sobre a evolução por selecção natural dos seres vivos explicam a existência destes seres de uma maneira muito mais coerente, muito mais evidente, muito mais lógica e realista do que as crenças ou outras explicações mais ou menos criacionistas. Isto é hoje um facto científico situado ao mais elevado nível dos factos científicos que consideramos praticamente inegáveis. Por outro lado, é impossível que uma observação contradiga a ciência porque a ciência se baseia na elaboração de teorias que não contradizem as observações. [Read more…]

%d bloggers like this: