Escherichia coli: “os atingidos comem esterco”

Mas o que é que leva a comunicação social a dar tanta importância a uma bactéria, que se lembrou, e muito bem, em adquirir novas características, provando que, afinal, a evolução existe? Quando surge algo de anormal (?) nada melhor de que obter dividendos financeiros ou, então, dar cabo da economia de uma qualquer região ou atividade. Coitados dos pepinos, coitados dos produtos vegetais, coitados dos contribuintes, e lá se foram para o esterco centenas de milhões de euros e o aparecimento de mais crises económicas. Mas há lucros? Claro! Quanto mais olhos, quanto mais ouvidos para estes assuntos, melhor.  (…)

Leia Olá escherichia coli. Tudo bem? de Massano Cardoso, num jornal da província agora perto de si. Em Coimbra costumávamos guardar a ciência na aldeia, mas depois do choque tecnológico já partilhamos.

Recado da Comissão Europeia à Alemanha

A linguagem não é esta, mas o conteúdo é o seguinte:

Srs teutónicos,

Sabemos que sois um povo cerebral, amante das ciências precisas, terra de filósofos, falantes de uma língua que nomeia com exactidão, cultores da clareza, exigentes com os pormenores, buscadores de perfeição técnica, maníacos da higiene, demandadores de análise, inimigos da precipitação.

Sabemos que desprezais o improviso, abominais a imprecisão, detestais a desorganização, desvalorizais o desenrascanço, substimais mentalidades diversas, menorizais países pouco rigorosos.

Parai, portanto, de dizer asneiras, de fazer merda e de ser terceiro-mundistas.

Campanha negra na horta

campanha negra e.coli

Primeiros testes negam que rebentos de vegetais estejam na origem do surto de E. coli

Afinal eram rebentos de soja…

…cultivados na Alemanha. Ninguém me tira da cabeça que os pepinos ibéricos foram vítimas do clássico racismo alemão, uma coisa quase genética. A E. coli e a probabilidade de se ter espalhado por falta de higiene nunca podia ter origem num país onde a arrogância não tem limites. Não, não precisam de um Hitler: quem tramou os países do Sul e agora aproveita para os chupar até ao tutano não tem emenda. Nem nas bactérias.

Começou?

Ainda hoje de manhã aventava a possibilidade da criação do gabinete de crise e.coli para contabilizações diárias como aconteceu com a Gripe A. É uma questão de esperar por amanhã para confirmar se tal já começou a ser feito.

Para já, basta olhar para os diversos órgãos de comunicação social para perceber que há uma não-notícia a ser massivamente divulgada:

(…) as pessoas em causa “estiveram na Alemanha, adoeceram com cólicas gastro-intestinais e estão a fazer exames”. Mas “não estamos preocupados com a sua situação clínica” (…). “Há um risco mas é pequeno.” (…) “a situação [as infecções] está seguramente cirscunscrita ao Norte da Alemanha.” [PÚBLICO]

«No entanto, o responsável sublinhou que não há ainda certeza de infecção, acrescentando que não são quadros clínicos importantes.« [TSF]

Portanto, segundo o responsável da Direcção Geral de Saúde está tudo bem e no entanto esta  não-notícia está plantada em todo o lado (Público, TSF, DN, JN, ionline, SIC, RTP, TVI, etc.). Um caso a seguir.

A problemática do pepino doce

A fotografia, ao que parece, foi tirada recentemente num hipermercado onde sabe bem pagar tão pouco. Esperteza saloia, com o devido respeito pelos naturais do que em tempos foram os arredores da capital.

As autoridades de Hamburgo, não tiveram problemas em picar a credibilidade dos agricultores espanhóis.  Como se Portugal não apanhasse por tabela (há tipos que ainda imaginam fronteiras) nacionaliza-se o pepino dos vizinhos. Mas em vão; diz o ministro da Agricultura estar preocupado “porque numa semana já tivemos prejuízos na ordem dos dois milhões de euros“. Vai daí, vamos pedir uma indemnização à Alemanha? Não.

Portugal vai pedir uma indemnização a Bruxelas devido aos prejuízos que os agricultores estão a ter com os pepinos, depois de as autoridades alemãs terem apontado pepinos espanhóis como causa de uma infecção bacteriana.

A Alemanha morde, tem as unhas afiadas, manda, e as costas de Bruxelas sempre são mais largas. Eterna cobardia dos fracos. Entretanto “há três pessoas com suspeitas de estarem infectadas com a bactéria E.coli sob investigação em Portugal” (Público). Uma bactéria alemã é uma ameaça perigosa. Esta pelos vistos não começou a atacar pela Grécia, mas pela nossa Península. É caso para ficar ainda mais preocupado.

Talvez ainda vá a tempo para a campanha socialista

A esquizofrenia da gripe A Tal como em 2009 com a Gripe A*, talvez a ministra da gripe ainda consiga organizar um gabinete de crise E.coli a tempo da presente campanha eleitoral.

* ver O caótico flop da gripe A