Todos ao pedal

Santana Castilho*

1- Escassas semanas após a criação da nossa agência espacial, li na imprensa que haverá um “quadro de referência nacional para ensinar a pedalar”. Li igualmente que aprender a pedalar será matéria do currículo escolar e fiquei ciente de que “no 1º ciclo, as aulas serão em contexto protegido” enquanto “nos 2º, 3º ciclos e secundário haverá uma passagem para o espaço público”. A coisa foi anunciada aos indígenas por José Mendes, secretário de Estado adjunto e da Mobilidade. 

No atrasado Alentejo onde fui parido, pedalar era uma aprendizagem natural, assim houvesse um selim onde assentar o rabo. E porque sempre foi assim, de norte a sul, e assim deve continuar a ser, importa contraditar os avançados mentais da parolice curricular. 

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E na Educação?

Nada se transforma, tudo se mantém. 

Do Egipto a Lutero, numa conversa sobre a Escola a Tempo Inteiro

O mais novo vai ter teste a história e o Egipto é um dos temas em avaliação. Na dimensão religiosa da temática ele percebeu a importância do estudo “destas coisas porque elas explicam as nossas religiões”. Lá foi caminhando a conversa e o mais velho, “especializado” em Lutero (no ano passado) foi dizendo que a “aposta dos Protestantes na Educação foi importante porque as pessoas tinham que ter acesso livre à palavra de Deus.”

Chega à conversa a aula de Geografia onde a Europa foi apresentada às fatias, a do sul, a do norte. Sugeri a ligação entre as dificuldades do sul, hoje conhecidas, e a dimensão histórica que tínhamos conversado. E a conversa continuou pelo jantar dentro.

E, lembrei-me de partilhar consigo, caro ou cara leitor(a), esta pequena prosa a propósito da notícia de hoje do público :”Empresas obrigadas a dar horário flexível a mães e pais.”

Já o escrevi e mantenho – sou completamente a favor de Educação a tempo inteiro, como resposta à não Educação. Houve um tempo – talvez o meu, em que a rua fazia parte da minha educação. A responsabilidade era partilhada por todos os putos, ali no Meiral, nas ruas de Rio Tinto. Cada um de Nós, além da responsabilidade individual era igualmente responsável por “tomar conta” de todos os outros. E, todos, mais novos e mais velhos, rapazes e raparigas, aprendiam com todos. Claro que havia sempre por perto, muitas mães, que à janela gritavam quando os horários das refeições apertavam. Havia toda uma rua para educar cada uma das crianças. [Read more…]

Escola a mais, pais a menos

Santana Castilho*

Três meses volvidos sobre o início de funções do Governo, temos, na Educação, um Orçamento de Estado pior que o último de Passos Coelho e umas Grandes Opções do Plano para 2016-2019 (Proposta de Lei n.º 11/XIII) que não são melhores. Se não é claro quem manda no ministério da Educação, é já claro quem não manda, apesar de algumas tiradas fanfarronas e pouco respeito por quem pensa diferente. Decididamente, António Costa menosprezou a Educação e resolveu-a protegendo a impreparação do ministro com a sombra tutelar de Maria de Lurdes Rodrigues. Cruzando o orçamento com as opções, resultam projectadas para a legislatura (se o Governo a concluir) medidas sem dinheiro para as pagar e persistência em bandeiras erradas do PS de outros tempos. Um bom exemplo é o alargamento da “Escola a Tempo Inteiro” (permanência na escola das 08.30 às 19.30) a todos os alunos do ensino básico, que já estava no programa do Governo e é reafirmado nas Grandes Opções do Plano (pág. 110). [Read more…]