As botas, o futebol e os livros

Os tempos que se seguiram ao 25 de Abril, foram de grande ânimo para a criançada da aldeia, onde a luz ainda não chegava a toda as casas e muito menos a água canalizada.

Essa recolhia-se na “bica”, com “canecos” de um plástico azul grosso, tarefa que era deixada para os mais pequenos, assim que conseguiam provar ter força para tal.

Para além das idas à bica, a mando dos pais, onde para animar os dias se faziam verdadeiras batalhas de água, que, ao chegar a casa, davam direito a umas boas chineladas, o tempo corria muito devagar.

O Verão, o estio, era o período do ano mais longo e chato de atravessar, com os seus dias grandes e de calores como nunca mais vi, já que a aldeia ficava no fundo de um vale, onde só ia quem tinha que ir, pois não era zona de passagem, para nenhumas das “terras importantes” das redondezas.

Na colectividade, cujo edifício naquele tempo já existia, mas que não passava de um pavilhão para realizar um baile por mês, começaram a aparecer, aos fins de semana, grupos de “gente de fora” (“as brigadas de alfabetização” ou como lhe chamavam na terra “as brigadas culturais”), que projectavam filmes, tentavam fazer debates e “educar” os autóctones, com longas explicações, pouco entendidas – parece-me – “que depois da revolução, quer os homens, quer as mulheres tinham os mesmos direitos.”
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Na Gulbenkian – exposição

Começo por anunciar que o autor da natureza- morta acima é um dos Aventadores de seu nome Nuno Castelo-Branco que, além de nos brindar com belos textos e ensaios de história soberbos,  nos surpreende agora com esta obra magnifica.

Mas vamos à exposição na Fundação Gulbenkian :

1 – O encanto das coisas pintadas – o conceito da natureza – morta enquanto cópia de objectos inanimados.

2 – Momentos preciosos – natureza- morta com uma colecção de objectos preciosos, incluindo pintura dentro da pintura.

3 – Um festim para o olhar – a pintura de grandes dimensões, apelo sensual ao paladar

4 – Doçarias – perpétuas lembranças de prazeres desfrutados e da promessa de outros ainda por experimentar.

5 – Jogos de Luz – as naturezas-mortas que exploram o efeito da luz na superfície de diferentes materiais.

6 – Natureza e Artifício -as pinturas conhecidas como trompe l’oeil representam a capacidade do artista em convencer o observador de que a ficção pintada é real.

7 – Tributos Florais – as pinturas de flores dos mais prestigiados especialistas holandeses, Italianos e Espanhóis do sec. XVll revelam uma grande variedade de tratamento do tema.

8 – Animais de Imolação – os animais mortos são um tema específico da natureza-morta, encarada no passado como a representação de coisas sem vida ou inanimadas. Os chamados troféus de caça.

9 – Questões de vida e de Morte – a capacidade de revelar mensagens morais profundas é particularmente evidente nas imagens de “vanitas” – termo derivado da citação Bíblica “Vaidade das vaidades, tudo é Vaidade! ”

10 – Revivalismo e Ruptura – sec. XVlll, as obras que correspondem aos desafios tradicionais de imitação da natureza, com grande fidelidade ao objecto pintado.

Mas o melhor mesmo é ir aquele paraíso e verem pelos vossos próprios olhos, almoçar levezinho, passear nos jardins, ler e apanhar sol…

A Natureza – Morta na Gulbenkian

Belíssima exposição na Fundação Calouste Gulbenkian, reunindo um singular conjunto de obras de primeira qualidade, algumas das quais raramente expostas e a maioria nunca vistas em Portugal. É o caso, entre outras,de uma rara natureza-morta de Rembrandt, de uma das melhores obras de Chardin, pouco conhecida, e de um trabalho de Francisco Goya, a que se juntam produções fundamentais de Fede Galiza, de Juan Fernandez, El Labrador, de Paolo Porpora e de Juan Sánchez Cotán.

Mais de sete dezenas de obras expostas, vindas de 34 instituições públicas e 11 colecções particulares, ilustram a evolução deste género desde as suas primeiras manifestações, dando conta das múltiplas expressões que foi assumindo ao longo dos séculos.

Representações de frutos, caça, mesas de cozinha e de banquete, pintura de flores, vanitas e trompe-l’oeil, embora durante séculos o desafio tenha sido imitar a natureza, esta exposição revela uma multiplicidade de respostas diferentes.

Embora a natureza-morta tenha sido considerada em muitos aspectos um género marginal, estão em Lisboa obras importantes de pintores europeus mais conhecidos da época e trata-se de uma ocasião única para ver algumas obras verdadeiramente notáveis!

“Ainda estou atónito com o facto de termos nesta exposição uma das raras naturezas-mortas de Rembrandt,uma das melhores obras de Chardin e até um Goya!” diz um entusiasmado comissário da exposição Peter Cherry do Trinity College de Dublin.

As contradições incontornáveis do capitalismo

James Watsom, um dos co-descobridores do ADN, e que é Presidente da Comissão Científica da Fundação Champalimoud, veio cá fazer uma palestra sobre o cancro.

 

Espera que dentro de dez anos o cancro seja curável, pelo menos os mais importantes e mais habituais. Fez uma descrição empolgante dos últimos anos e dos avanços da ciência e focou a necessidade de os medicamentos que vêm aí sejam para todos, ninguem pode ficar de fora do tratamento por ser pobre.

 

Repetindo, uma e outra vez que não é socialista, reafirmou que é intolerável que as farmacêuticas se preocupem mais com os dividendos dos accionistas do que com os doentes.

 

São cada vez mais os exemplos de americanos  ilustres e milionários que se preocupam com as diferenças sociais e com os mais pobres. Bill Gates, é outro exemplo com a sua Fundação colocando ao dispor da ciência e das organizações internacionais enormes somas de dinheiro.

 

Aqui em Portugal, o industrial e milionário Champalimoud, antes dele Gulbenkian e tantos outros que acharam por bem deixar parte do seu dinheiro e da sua fortuna aos outros.

 

Há meses esteve cá um cientista a fazer uma palestra na Gulbenkian, julgo que outro dos co-descobridores do ADN ( Francis Crick? ) que após terminar a exposição se submeteu a perguntas. Uma jovem estudante perguntou-lhe o que faria ele se fosse um dos deserdados da fortuna.

 

 Francis Crick , respondeu, após alguns segundos de reflexão: " há muitas respostas que encontrei a perguntas diificeis e que duravam há muito tempo, mas há uma que nunca consegui perceber. Porque é que um pai que tem filhos com fome, não assalto um banco! Eu assaltava!

 

Com o aumento de assaltos, roubos e homícidios há gente que o ouviu !