João Marques de Almeida e as greves

João Marques de Almeida, alegado comentador televisivo, declarou que «as greves são um bom pretexto para não se ir trabalhar». Ou seja: há pessoas que decidem fazer greve, acto que implica não ir trabalhar e que, por essa razão, aproveitam para faltar ao trabalho. Não só faltam ao trabalho como, para cúmulo, faltam ao trabalho.

Como muitos outros alegados comentadores, também chama a atenção para o facto de que, mais uma vez, irá haver uma greve encostada a um feriado. Outros comentadores, tantas vezes alegados, também vivem revoltados com as greves às sextas, num prolongamento escandaloso do fim-de-semana.

Os alegados comentadores, no entanto, nunca acrescentam que o dia de greve corresponde a um desconto bastante largo no salário, o que é natural, uma vez que o verdadeiro objectivo não é comentar o cabimento da greve, é defender um mundo em que a greve volte a ser proibida.

Enquanto essa proibição não volta, é importante deixar no ar a ideia de que fazer greve é só uma forma injustificável de ser preguiçoso, aproveitando, ainda, o prolongamento de feriados e de fins-de-semana para usufruir de férias próprias dos privilegiados num país com um salário médio que mal dá para pagar a renda da casa.

João Marques de Almeida ainda alude ao problema de representatividade das centrais sindicais, mas, de quisesse ser sério, esperaria pela dimensão da greve, que, curiosamente, pode ser feita por qualquer trabalhador, sindicalizado ou não.

O mundo do comentário na comunicação social é um lugar muito mal frequentado. Vale pena comentar o comentário.

Enternecedor

O texto de David Dinis aos seus “amigos do Observador (e à Assunção Cristas)” é um exercício de caridade estratégica. Sem rejeitar que dirigiu um instrumento da direita radical (“projecto”, nas palavras dele), deixa uns recados à trupe de lá.

«Explicar “porque os brasileiros votam em Bolsonaro” [João Marques de Almeida], como tenho visto por aí insistentemente, é normalizar um candidato que é um evidente candidato a ditador. Dar voz a quem diz que “Bolso não é besta” [Filipe Samuel Nunes], argumentar que o problema está na agonia da esquerda brasileira [José Augusto Filho], atirar que há “ódio a quem os desmascara” [José Mendonça da Cruz], irritarem-se contra o “fascistródomo” [Helena Matos] e gritar “Vocês Também Não!” [Rui Ramos], com hashtag e sem espaços, é dar um empurrão ao que Bolsonaro fez na campanha: espalhar o ódio, fazendo uma apologia constante da violência – como fizeram os maiores ditadores da história do século XX, aqueles que vocês tão bem sempre denunciaram nos livros da história.» [David Dinis]

É enternecedor ver David Dinis explicar a João Marques de Almeida, Filipe Samuel Nunes, José Augusto Filho, José Mendonça da Cruz, Helena Matos e a Rui Ramos coisas simples da democracia. Com um recadinho directo a Assunção Cristas, explicado-lhe coisas ainda mais simples.

[Read more…]

O dia inicial faccioso e distorcido

Chegados ao 25 de Abril, o segundo da era da Geringonça, damos por nós confrontados com a habitual literatura ficcional-conspirativa, que tende em dar o ar da sua graça por esta altura. O texto de João Marques de Almeida (JMA), publicado no insuspeito Observador, esse hino à imprensa independente, é um belo exemplar do género.

Diz-nos este académico e antigo assessor de um dos exemplos maiores de ética e sentido de estado que foi Durão Barroso, hoje no topo da hierarquia desse farol da liberdade moderna que é o Goldman Sachs, que a luta pela liberdade, protagonizada – não só, que fique claro – pelas forças de esquerda contra o salazarismo não passa de um mito. “Absolutamente falso”. A sua luta, segundo JMA, não era mais do que uma fachada para “impor uma ditadura aos portugueses. Seguramente, mais violenta do que a do Estado Novo”. O resto é mais ou menos o mesmo que os JMA’s desta vida normalmente escrevem nestas ocasiões. Tudo no mesmo saco, a adoração religiosa de Estaline como dogma e as cegueiras ideológicas do PCP com Coreias do Norte e afins como prova científica de que tudo o que mexe à esquerda tem como missão abolir a democracia e todas as formas de liberdade, especialmente a económica, que um tipo de esquerda que se preze tem que ter prioridades.

[Read more…]

O fim do Bloco e outras “zandinguices” de João Marques de Almeida

be

Para um tipo que tem uma licenciatura, um mestrado e um doutoramento em Relações Internacionais, para além de ter leccionado e investigado na mesma área, João Marques de Almeida aparenta ter sérias lacunas analíticas. Pelo menos neste caso. Ou então é um daqueles que vende a honestidade intelectual por meia-dúzia de patacos. Talvez seja do ar que se respira na redacção do Observador ou, quem sabe, o facto de ter estado tempo demais exposto a Durão Barroso, de quem foi assessor.  [Read more…]