O poderoso Observador

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O Observador é uma espécie de jornal, um híbrido entre um blogue de ideologia neoliberal e um folhetim partidário de direita. Financiado por um grupo de empresários próximos/militantes do PSD ligados à sombria Comissão Trilateral, apoiantes convictos do cavaquismo e posteriormente de Pedro Passos Coelho, de onde se destacam os nomes de Alexandre Relvas (PSD/Logoplaste), António Carrapatoso (PSD/ex-CEO Vodafone), João Talone ou António Pinto Leite (PSD/MLGTS), este projecto editorial destaca-se por uma abordagem vincadamente anti-esquerda e acerrimamente ultraliberal e conta com um painel de colunistas essencialmente de direita, com a presença do ocasional comentador de esquerda com vista a criar uma falsa sensação de imparcialidade que pura e simplesmente não tem ali lugar.

Na direcção editorial, o Observador conta com destacados ideólogos da direita mais à direita como José Manuel Fernandes ou Rui Ramos, que acumulam funções com as de colunistas, exímios na arte de atacar tudo o que mexe à esquerda e sempre prontos para abafar todo e qualquer atropelo protagonizado pela direita. A secção de colunistas recrutou sobretudo em blogues de referência da direita nacional, alguns dos quais desempenharam um papel fundamental na ascensão de Pedro Passos Coelho e na defesa de políticas de esvaziamento do Estado, de concentração de riqueza nos grandes grupos económicos e de precarização das condições laborais.

O resultado final assemelha-se a um upgrade radicalmente liberal do Povo Livre, financiado e ideologicamente definido por elementos da ala mais à direita do PSD que vê a social-democracia como uma espécie de comunismo que deve ser combatido a todo o custo. A ética jornalística não tem ali lugar e a prova disso é a utilização repetida do termo geringonça como se de uma designação oficial se tratasse. Sem aspas. O poder deste grupo é tal que, apesar da sua curta existência, empresta semanalmente os seus colunistas aos principais canais portugueses de informação. O Observador consegue a proeza de estar mais representado no debate televisivo do que PCP ou o BE. Haja dinheiro e patrões influentes!

Actualmente, o Observador dedica-se com afinco a distorcer e manipular o panorama político nacional, bombardeando o governo sem piedade ao mesmo tempo que sacraliza as tropas passistas e o rasto de destruição que deixaram para trás. José Sócrates é servido diariamente aos seus leitores mas nada é escrito sobre as aventuras do todo-poderoso Marco António Costa. Pudessem eles subtrair o Marco e deixar as restantes variáveis constantes, teríamos notícias diárias sobre a Webrand, sobre a gestão danosa da CM de Gaia e sobre uns certos homens de mão.

Hoje celebramos o 25 de Abril. Nem todos, é certo, que os fascistas já há muito saíram do armário e apresentam-se hoje com vestes contemporâneas, mascarados de defensores de uma liberdade individual que mais não é do que uma diversão para a imposição de uma agenda de combate ao Estado Social, ao sindicalismo, à justiça social e laboral e a toda e qualquer política de redistribuição. O poderoso Observador é o albergue de muitos destes saudosistas e todo o cuidado é pouco. Estejam atentos. Fascismo nunca mais!

Comments


  1. Não tenho complexo em ser um leitor de Observador, tal como sou de muitos outros jornais com páginas na internet e sem complexo também visito esquerda.net, liberdade de expressão passa por esta possibilidade de todos dizerem o que pensam, tal como já estou habituado a todos selecionarem as notícias que consideram relevante e aqui a ideologia também pesa nas opções.


    • O Esquerda.net como o Avante ou o Povo Livre são publicações partidárias e não o dissimulam. O Observador é um projecto político dissimulado. Os restantes jornais podem ter mais inclinação para a esquerda ou para a direita, mas nenhum jornal, nem mesmo o SOL, é tão parcial e faccioso como o Observador. É aí que quero chegar.


      • Também o foi O Independente… e lá por isso não deixou de ser um projeto interessante na história do jornalismo nacional e quem diria que o seu mentor se tornaria um aliado do PSD

      • Afonso Valverde says:

        Basta estar na linha da Trilateral para se um projeto pouco democrático, ou nada democrático. A Trilateral manipula a opinião pública atirando dinheiro e propaganda a rodos para cima das sociedades. Quem escrutina a Trilateral e as restantes sociedades ditas “discretas”?


  2. Ex.mo Sr. João Mendes,
    O Observador apenas apresenta um ponto de vista. Os leitores são inteligentes e sabem escolher o que ler e fazer o seu próprio julgamento.
    Eu, que não sou de esquerda, e que cansei do conceito dicotómico esquerda/direita, leio sem problemas o Avante. Até lhe digo mais: o Avante é o melhor jornal partidário português. Se o Observador não tem a coragem de denunciar alguns podres, isso é um problema da publicação on-line. Uma linha editorial que terá certamente muitas falhas. Mas repare que há outras publicações que, há muito, se associaram a certos poderes. O Público é marcadente bloquista (basta fazer um levantamento dos cronistas, e chegará a essa conclusão – nem mesmo com o contrabalanço do Paulo Rangel, Francisco Assis,… O DN é de esquerda também. Acha que o Pedro Adão e Silva um comentador? O recém-director adjunto da RTP António Jose Teixeira também é isento? Enfim, esta é a conversa que daria para horas. Ficávamos aqui até ao próximo dia 25 de Abril de 2017. Eu não tenho problemas com Abril, bem pelo contrário: dou grato por poder dizer o que penso, e sempre admirei Salgueiro Maia. Cptos, P.


    • Quem são os comentadores bloquistas do Público? Devo recordar-lhe que o José Manuel Fernandes era, até há pouco tempo atrás, um dos homens mais poderosos lá dentro?

      O DN tem o César das Neves, o Sérgio Figueiredo, o Adriano Moreira e um alemão ultraliberal qualquer que não me lembro agora do nome. Quer mesmo comparar com o Observador?


  3. O Observador é poderoso e ainda mais perigoso quando se junta a outra empresas como a Vodafone. A Vodafone serve de canal de propaganda para o dito site e fornece as noticias “trabalhadas” do Observador aos seus clientes sejam eles de direita ou esquerda! Manipulam!

    Tenho serviço de noticias por mensagem da Vodafone e já me queixei, a fonte da Vodafone para as noticias é o Observador! Dantes era o Público.

    Começaram-me a cobrar 1,50€ trimestrais e tudo, enviei-lhes a seguinte mensagem “Peço por favor que parem de mandar mensagens com noticias do site do Observador ou que me aconselhem o mesmo site!! Será que o 1,50 trimestral que me tiram é para financiar a seita fascista neo liberal de extrema direita que comanda o site observador? Eu sei muito bem o que a casa (observador) gasta e tenho repudio por essa gente! Que pena a empresa Vodafone associar-se aquele tipo de propaganda disfarçada de informação.”

    Hoje toda agente falou na AR sabem qual foi a mensagem que recebi da Vodafone, bem já apaguei, mas foi qualquer coisa resumida da intervenção da antiga ministra da justiça, ” há falta de escrutínio politico blá blá” !! E o que os outros disseram? Nada de importante? Nem mensagem do PR Marcelo me enviaram, porquê? Não é mais importante o que disse o PR do que uma antiga ministra que ainda por cima só fez cagada atrás de cagada..


  4. É isso João. O Observador é um projecto político dissimulado e desonesto. Tudo no jornal serve para levar o leitor a acreditar que é um jornal normal, pluri-partidário, mas com um leve acento no centro-direita. Puro engano.

    São facciosos e pérfidos. Usam e abusam de pontos de vista unilateral, e o uso do termo “geringonça” é amplamente difundido até à exaustão, e sempre com conotação negativa.

  5. Thief says:

    O Observador não se deve levar a sério. Aquilo é um grupo de amigos com um cérebro dormente que se juntam para escrever umas coisas.


  6. É a estratégia da tenaz… Compromisso entre blogues, “comment-centers” clandestinos de comentadores “fake” a cruzar partilhas no Facebook, jornalistas a soldo, almoços grátis, estratégias concertadas no Gin-Tejo de final da tarde. E resulta… Na verdade, teve dois dissabores. Um chamado António Costa e o outro, uma pedra no sapato de nome Marcelo… Por isso é que o Passos anda tristinho e já manifesta saudades do Sócrates… Curiosamente não estávamos habituados a esta “nova” direita caceteira e mal educada, tempestiva e militante a agitar fantasmas duma esquerda que já nem existe. No fundo, no fundo, e apesar do “perigo” que representa para as “almas simples”, toda esta estratégica é patética e ridícula…

  7. adeus passos says:

    Lamento. O Observador não tem defesa. Tem todo o direito de ser afecto a uma ideologia ou mesmo partido. Claro.

    Tem todo o direito de usar a liberdade de expressão que foi conquistada por aqueles de quem não gosta, também.

    O que não tem direito, porque é um jornal, é de DISTORCER A REALIDADE, MENTIR E OMITIR TODOS OS DIAS.


  8. Só se deixa enganar quem não está esclarecido e gosta de pensar pela cabeça dos outros, por alguma preguiça mental ou deformação original,tipo classe superior vinda de outro planeta !!!


  9. Pessoal, um ponto de ordem à mesa! Há ou não liberdade de imprensa em Portugal? Qual é o problema, se não gostamos pomos na borda do prato. Não foi isto que nos ensinaram os nossos avozinhos? Ou porventura só tem direito a abrir a boca a malta das esquerdas? Que democracia do merdáceo.

  10. Rui Silva says:

    Quem não gosta do Observador não lê.
    É a isso que se chama liberdade de escolha.
    Ou achavam melhor “mandar” fechar o jornal , coma muito sábia causa de que não está com a Revolução?
    Como se fez durante a “era dourada” do PREC!

    cps

    Rui Silva


    • Chama-se liberdade de escolha também ao direito de resposta. E é isso que se faz aqui, e não só.


    • No tempo do seu adorado fascismo é que a imprensa era livre não é Rui?

      • Rui Silva says:

        No tempo do Fascismo, e no tempo do PREC, não tínhamos impressa livre. Em relação a eu gostar do fascismo é tiro na água. O meu caro é que deverá gostar ( não sei, é uma conjectura) desse sistema, uma vez que, o Comunismo é irmão chegado do Fascismo.

        Rui Silva

  11. Mario R Gonçalves says:

    É esta sanha persecutória de esquerda, sem ideais nem dignidade, que há-de deitar a perder tudo o que de bom o mundo livre, democrático, liberal e civilizado construiu. O Observador não será o melhor dos jornais, mas faz debate e contraponto de ideias com decência, tolerância, abertura. O Aventar não: é um monobloco de preconceitos e ódios.

    É gente como os do Aventar que põe no poder os Trump e as LePen, empurrando os eleitores para quem aparenta autenticidade e empenho de mudança fora do habitual sistema político. Se a esquerda quer alguma vez voltar a ter voz nas sociedades actuais, siga o exemplo do primeiro canadiano Trudeau: respeite os outros, aceite os outros, valorize os outros, faça diferente.

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  4. […] Ainda assim, esse blogue de propaganda política disfarçado de jornal que dá pelo nome de Observador, pegou nessas mesmas considerações e a transformou-as num pomposo título, como se de informação rigorosa e isenta se tratasse. Um estratagema usado vezes sem conta, com vista a credibilizar, junto dos leitores, o discurso da facção apoiada pelo Observador, procurando convencê-los da existência de uma rara mas irrefutável verdade absoluta. Matéria-prima de qualidade para o batalhão de perfis falsos que o PSD tem acampado nas redes sociais, nada de novo para quem conhece o poderoso Observador. […]


  5. […] é categórica: a liberdade na Sábado poderá ter chegado ao fim e Portugal está perigoso. Já o Observador, um projecto feito por empresários e políticos com uma clara orientação ideoló…. Yeah, […]


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