UE: de Keynes a Kafka

«Num sistema oligárquico como é o da UE», o debate democrático é apagado. Uma construção europeia kafkiana, conclui André Grjebine no Le Monde.

PS limpa o rabo ao governo

Como todos nos lembramos PS, PSD e CDS aprovaram o pacto Merkozy, aquele tratado completamente idiota que tenta fazer lei a ideologia do Keynes nunca existiu e a depressão dos anos 30 foi resolvida porque sim.

Agora que não existe Merkozy (e convém lembrar que nem a Alemanha aprovou tal excremento, que lhe falta maioria para tal), os meninos obedientes, servis, venerandos e bate-me mais que o meu povo gosta iam aparecer em Bruxelas, envergonhados, como os únicos assinantes da poia (a Grécia não conta, que nem governo tem).

Sempre oportuno o PS* apresentou uma adenda, hoje em aprovação para lamentar. O governo agradece, sempre disfarçam o tolice, não deixando de fazer triste figura lá fora. Dizem que são uma espécie de europeístas, a espécie colonizada, convenhamos

* ouvi o Zorrinho a proclamar que o tratado era recomendado pelos melhores economistas. Para quem perceba um mínimo de História Económica só há duas hipóteses: ou está a subscrever a candidatura de João Duque e Vítor Gaspar ao Nobel (e ainda ganham) ou quando for grande vai ser um rolo de papel higiénico, pensando melhor, a hipótese é só uma.

Sacudindo a água do capote

Como não dá jeito nenhum constatar o óbvio, que Alberto João Jardim é de direita, continuador do regime de antes do 25 de Abril que nunca chegou à Madeira, a direita continua a despejar megabytes tentando associar o construtor de estradas que servem duas ou três casas ao pobre Keynes, que tem as costas largas.

Não dou lições de economia a ninguém, mas de História Económica (e Social, componente sem a qual a primeira não faz sentido) ainda sei umas coisas. O suficiente para perguntar se, seguindo a mesma lógica, Salazar e sobretudo Duarte Pacheco, Cavaco Silva e as suas auto-estradas, também são keynesianos. E já agora manifestar a minha curiosidade em saber qual o candidato a PR que apoiaram nas últimas eleições, e nas anteriores, e por aí a fora.

Estas orfandades auto-impostas dão um jeitaço. A direita só tem memória de si própria quando lhe convêm. E continua fiel à velha lei da propaganda agora modernizada: um mentira multiplicada até perfazer um gigabyte passa a verdade.

(clique na imagem para ver melhor a aristocracia madeirense. Fonte: DN, via Câmara Corporativa)

O pedigree da desglobalização

A desglobalização não é nenhuma novidade. keynes, no culminar da grende depressão, dizia: “Não desejamos estar à mercê de forças mundiais que geram, ou tratam de gerar, algum equilibrio uniforme, de acordo com principios de capitalismo laissez-faire.

E prosseguia: “Para um crescente leque de produtos industriais, e talvez tambem agrícolas, levantou-se-me a dúvida de o custo económico de auto-suficiência ser bastante para contrabalançar as outras vantagens resultantes de reunir gradualmente o produtor e o consumidor no âmbito da mesma organização nacional, económica e financeira. Acumula-se a experiência que comprova que o grosso dos processos da moderna produção em massa pode executar-se na maioria dos países e na maioria dos climas com uma efeciência praticamente identica.”

E concluia: deixemos que as ideias, o saber, a arte, a hospitalidade, as viagens, todas essas coisas deveriam, pela sua própria natureza, ser internacionais. Mas deixemos que os bens se produzam em casa quando isso seja razoável e convenientemente possível e, sobretudo, deixemos que as finanças sejam prioritariamente nacionais”

Walden Bello, professor de ciências políticas e sociais na Universidade das Filipinas