Uma boa notícia para as árvores

O lançamento pela Amazon de um Kindle (leitor de e-books, ou livros digitais, não confundir com tablets) é um salto na progressiva substituição do livro em papel pelo livro digital. Adeus Gutenberg, o suporte de leitura mudou, numa revolução só comparável à da impressão em papel substituindo a cópia manual em pergaminho.

Isto é possível (pese que o baratucho só está disponível nos States e inclui publicidade no screensaver) porque a Amazon vende livros, e quem adquirir este produto estará agarrado a comprá-los à Amazon. Quem quiser fornecer-se onde lhe apetece continuará a pagar mais, mas o preço vai rebentar com o mercado. E com os velhos livros em papel também.

Uma boa notícia para as árvores dos países produtores de papel. Se pensarmos no custo de produção de um livro digital, uma boa notícia para a leitura também.

Na mesma data o mundo dos tablets também mudou, mas sobre isso recomendo que leiam este artigo do José Freitas.

iPad by Apple:

Aqui ficam as explicações do produto fornecidas pela Apple sobre o Ipad:

Todas as aplicações integradas no iPad foram concebidas de raiz para tirar partido do ecrã Multi-Touch de grandes dimensões. E funcionam em qualquer orientação. Pelo que pode fazer coisas com estas aplicações que não consegue fazer com qualquer outro dispositivo:

1. O ecrã Multi-Touch de grandes dimensões no iPad permite visualizar páginas da internet como foram concebidas para serem visualizadas — uma página inteira de cada vez. Com cores vibrantes e texto nítido. Pelo que, quer observe uma fotografia na vertical ou horizontal, pode ver tudo num tamanho legível. E com o iPad, navegar na internet nunca foi tão fácil ou intuitivo. Isto porque utiliza o dispositivo apontador mais natural que existe: o seu dedo. Pode percorrer uma página deslocando o dedo para cima ou para baixo no ecrã. Ou apertar para aproximar ou afastar numa fotografia. Existe também uma vista de miniaturas que mostra todas as páginas abertas numa grelha, para permitir que se desloque rapidamente de uma página para outra.

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Kindle surpresa (eu sei, eu e os trocadilhos não… pois)

Não sou um velho do Restelo, acreditem. Até estava disposta a experimentar o famoso Kindle (o novo leitor de livros electrónicos). Não abdicaria por inteiro do livro em papel, não chega a tanto a minha abertura de espírito, mas estava disposta a dar uma oportunidade a este novo mundo do livro electrónico. O nosso aventor Carlos Loures já havia feito uma lúcida análise deste tema no seu texto “No aniversário de Ray Bradbury – livro vs NTI” e eu, com todo o carinho que tenho pelo velho Ray, ia fazer ouvidos moucos das suas advertências. Mas eis que me chegou aos ouvidos que a Amazon, justificando-se com um problema de direitos de autor, apagou dos aparelhos Kindle os exemplares de “1984” e “Animal Farm”, de George Orwell, que haviam sido comprados e descarregados por vários dos seus clientes para o respectivo aparelhito. (notícia da AP disponível aqui.) A empresa oferece-se agora para reembolsar os lesados ou devolver-lhes os livros que haviam sido apagados, mas a sombra negra que este acto gerou é que já dificilmente se dissipa. A Amazon pode apagar um livro do Kindle depois deste ter sido comprado e transferido para o leitor?

Isto significa que pode aceder ao aparelho e saber quais os livros que compramos, que leituras preferimos, e até consultar as notas que tomamos, os sublinhados que fazemos, o que destacamos de cada página que lemos? Pode armazenar dados sobre as nossas preferências? Pode apagar, quando assim o decidir, aquilo que considera que não devemos ler? Pode enviar-nos os livros que entende que devemos ler, introduzindo-os no aparelho sub-repticiamente? Haverá um olho perpetuamente vigilante do outro lado do aparelho, a acompanhar a nossa leitura, a tomar nota dos bocejos ou dos sorrisos cúmplices que cada página nos desperte, a avaliar e a medir o tédio com que encerramos o ficheiro de um livro ou o entusiasmo com que sublinhamos passagens? Não, fiquem lá eles com o Kindle, que eu vou fazer caso ao velho Orwell.