Uma boa notícia para as árvores

O lançamento pela Amazon de um Kindle (leitor de e-books, ou livros digitais, não confundir com tablets) é um salto na progressiva substituição do livro em papel pelo livro digital. Adeus Gutenberg, o suporte de leitura mudou, numa revolução só comparável à da impressão em papel substituindo a cópia manual em pergaminho.

Isto é possível (pese que o baratucho só está disponível nos States e inclui publicidade no screensaver) porque a Amazon vende livros, e quem adquirir este produto estará agarrado a comprá-los à Amazon. Quem quiser fornecer-se onde lhe apetece continuará a pagar mais, mas o preço vai rebentar com o mercado. E com os velhos livros em papel também.

Uma boa notícia para as árvores dos países produtores de papel. Se pensarmos no custo de produção de um livro digital, uma boa notícia para a leitura também.

Na mesma data o mundo dos tablets também mudou, mas sobre isso recomendo que leiam este artigo do José Freitas.

Comments


  1. JJC,

    Um e-reader nunca substituirá um livro, pelo menos para mim. Há todo um momento “erótico” em folhear, sentir o cheiro da tinta, colocá-lo na estante, pô-lo a fazer de calço de uma mesa manca que um e-reader nunca proporcionará.
    Vejo o que aconteceu com o CD e o ressurgimento do vinil. O ser humano também é táctil e CDs e modernices do género podem ser práticas, mas além das limitações acima descritas, também limitam o gozo de coleccionador.

    Abraço


    • Meu caro, hábitos custam a mudar, uma data de monges copistas devem ter dito o mesmo no séc. XVI. Gosto muito dos meus livros, mas confesso que o espaço que ocupam já me complica, e muito, a vida.


  2. Caro Fernando,
    Antes de mais deixe-me deixar claro neste comentário que eu sou um acérrimo defensor dos Kindle.
    Posto isto deixe-me tentar argumentar, se bem que não o queira tentar converter, certo?

    Concordo que um ebook nunca substituirá um Livro, sim um daqueles com maiúscula. Eu lá quero os poemas do Herberto Helder, do Pessoa, ou até do Manuel Alegre num eBook? Claro que não. Nem o Torga, o Eça, o Saramago, o MEC, o Pedro Paixão, o Cardoso Pires, até o Mário Henrique Leiria e o Mestre Vitorino d’Almeida. Todos eles e outros que tais merecem as estantes que tenho na minha casa. E dessa estante, sei que a minha filha herdará um dia LITERATURA!!!

    No entanto, nem todos os livros merecem nem o papel, nem o dinheiro gasto. São como algumas mulheres da nossa vida, apenas para one-night-reading. Depois de lido, sabemos que o esqueceremos rapidamente, o problema, é que enquanto existirem fisicamente, ocupam a estante. E aqui entram os leitores de ebook.

    Porque não utilizar estas ferramentas para ler jornais, revistas, livros que sabemos serem para esquecer, livros técnicos, etc. Lembre-se que os ebooks, são quase sempre mais baratos (e em muitos casos gratuítos) que os livros ‘em papel’. E caso goste muito de um determinado, sabia que há editoras que lhe vendem o livro em papel apenas pela diferença de preço do ebook para o papel?
    Sabia também que por exemplo a Amazon, permite ler um excerto de todas os ebooks antes de comprar?
    Deixe o colecionismo e as suas estantes para a literatura, e as restantes leituras para o eReader.
    Eu sei que não me arrependi.
    Já agora, sabe que o Kindle, armazena mais de 3 mil livros, tem uma bateria que aguenta 1 mês, e se o levar de viagem pesa pouco mais de 200 gramas.
    Ah, esqueci-me de dizer, se assinar o jornal Publico, recebe-o diariamente no seu Kindle em qualquer parte do mundo pela quantia de 4 euros e mais nada. Porque o Kindle tem 3G gratuíto.

    Abraços,


    • Boa Pedro. É isso mesmo. E acrescento os milhares de livros digitalizados por já não terem direitos de autor, preciosidades que nunca teria dinheiro para comprar em papel.


  3. Pedro,

    Todas as razões que me apresentou são válidas. Mas como herdeiro de um biblioteca de 5 mil volumes (modesta eu sei), o Pedro acaba por involuntariamente dar-me razão, tal como compreendo as suas.
    O que o Pedro nos propõe é o que hoje faço com os CDs. Download, mas se gostar, tenho ter comprar “aquele” CD e de o ouvir em formato lossless numa alta fidelidade.
    Acho razoável para revistas ou para quem perde tempo com Dan Browns que use o Kindle.
    Mas os livros que me dão verdadeiramente prazer será só por insuficiência de dinheiro que não os comprarei. E assim, eventualmente podemos ter o melhor de dois mundos. O JJC não precisa de comprar tantas estantes e nós podemos possuir fisicamente os livros que amamos.

    Abraço


    • Está a ver Fernando, como também neste caso se aplica a máxima de que: “o que nos aproxima é muito mais do que o que nos separa”.
      Como nota de rodapé, deixo-lhe a informação que também tenho uma gigantesca coleção de CD’s originais.
      E o discurso mantém-se em relação aos CD’s, basta trocar eBook por Mp3, e mais alguns acertos, e o texto base fica lá.
      Boas leituras!

  4. Mário Silva says:

    Chateia-me sempre esta tentação de evitar cortar árvores “apenas” para fazer livros. Considerar essa prática um erro, é coisa que não me convence. E, sobretudo, não me convence quando me querem impingir um aparelho qualquer, que dizem melhor e mais fácil de utilizar do que um livro.
    Para terminar digo-lhe só isto: as árvores que morrem podem ser, e são, substituídas por outras; o petróleo que se gasta a fazer um desses aparelhómetros, num certo dia, vai acabar…Um livro, se jogado no chão, em pouco tempo desaparece; um aparelhómetro para fazer de livro, dificilmente desaparecerá, mesmo com maus tratos…
    Disse!