O regresso do motivo que determinou tal fato

Rich. Downe, downe I come, like glist’ring Phaeton,
Wanting the manage of vnruly Iades.
In the base Court? base Court, where Kings grow base,
To come at Traytors Calls, and doe them Grace.
In the base Court come down: down Court, down King,
For night-Owls shrike, where moũting Larks should sing.

— Shakespeare, “Richard II” (Folio 1, 1623)

Will you chew until it bleeds?

Trent Reznor

Rich. Now is the Winter of our Discontent,
Made glorious Summer by this Son of Yorke:
And all the clouds that lowr’d vpon our house
In the deepe bosome of the Ocean buried.

— Shakespeare, “Richard III”  (Folio 1, 1623)

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Eis, de novo, o motivo que determinou tal fato.

Efectivamente.

De facto, já dizia o velho Spooner,

there are some people who appear to be strong, whose idea of what strength consists of is persuasive, but who inhabit the idea and not the fact. What they possess is not strength but expertise. They have nurtured and maintained what is in fact a calculated posture. Half the time it works. It takes a man of intelligence and perception to stick a needle through that posture and discern the essential of flabbiness of stance.

Exactamente.

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Unidos de fato

Don’t you know the truth is killing you?

William Henry Duffy & Ian Robert Astbury

Shy. The villanie you teach me I will execute, and it shall goe hard but I will better the instruction.

— Shakespeare, “The Merchant of Venice” (Folio 1, 1623)

No one to blame always the same.

Trent Reznor

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Unido de fato?

Com o titular de uma habitação pública já atribuída?

Exactamente: «unido de fato com o titular de uma habitação pública já atribuída».

Efectivamente, andamos nisto há muito tempo. [Read more…]

Os primeiros fatos do ano

alas poor yorick

Laurence Olivier, Hamlet, 1948 (http://bit.ly/1OwIaPs)

I guess some things never change
W. Axl Rose, Dead Horse

O throw away the worser part of it,
And liue the purer with the other halfe.
— Shakespeare, “Hamlet” (Folio 1, 1623)

A presente resolução do Conselho de Ministros determina a aplicação do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa no sistema educativo no ano lectivo de 2011 -2012 e, a partir de 1 de Janeiro de 2012, ao Governo e a todos os serviços, organismos e entidades na dependência do Governo, bem como à publicação do Diário da República.

Resolução do Conselho de Ministros n.º 8/2011

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Enquanto, no mercado de Tsukiji, alguém adquiria o primeiro atum rabilho do ano, o Diário da República trazia-nos os primeiros fatos de 2016. Efectivamente, eis o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 em todo o seu esplendor e em plena aplicação, no primeiro número de 2016 do Diário da República — para quem não souber, Diário da República não é o Diário Oficial da União. Ou seja, ontem. Isto, é em Janeiro. Em Janeiro de 2016.

Exactamente: Janeiro de 2016 − Janeiro de 2012 = 4.

dre 412016

Tristes grafias

RJ cls

R. Jakobson et C. Lévi-Strauss, Collège de France, février 1972 (http://bit.ly/1P3kXmF)

Most Potent, Graue, and Reueren’d Signiors,
My very Noble, and approu’d good Masters

— Shakespeare, “Othello” (Folio 1, 1623)

Mr. President and governors of the Academy, committee members, fellows, my very noble and approved good masters, my colleagues, my friends, my fellow students.

Olivier, Laurence Kerr, Baron Olivier of Brighton, 9 de Abril de 1979

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Hoje, o ilustre Armindo de Vasconcelos desenterrou, algures, uma citação extremamente interessante dos Tristes Tropiques, de Claude Lévi-Strauss:

Il faut beaucoup de naïveté ou de mauvaise foi pour penser que les hommes choisissent leurs croyances indépendamment de leur condition.

É verdade, vem na página 169 da edição que possuo e, por incrível que pareça, apus-lhe uma nótula, há muitos, muitos anos, poucas semanas depois da minha chegada a Bruxelas.

Il faut beaucoup de naïveté ou de mauvaise foi…

Ingenuidade ou má-fé (sim, com hífen).

Sendo verdade que o magnífico discurso de Olivier nos conduz a um saudável regresso a Shakespeare (e ao Otelo interpretado por Olivier), esta deixa permite uma sempre agradável incursão nos textos de Lévi-Strauss: os Tristes Tropiques, sim, o famoso ponto de partida

Je hais les voyages et les explorateurs. Et voici que je m’apprête à raconter mes expéditions,

mas também o meu texto predilecto — “L’analyse structurale en linguistique et en anthropologie”,  (*) :

Dans l’ensemble des sciences sociales auquel elle appartient indiscutablement, la linguistique occupe cependant une place exceptionnelle : elle n’est pas une science sociale comme les autres, mais celle qui, de loin, a accompli les plus grands progrès ; la seule, sans doute, qui puisse revendiquer le nom de science et qui soit parvenue, à la fois, à formuler une méthode positive et à connaître la nature des faits soumis à son analyse.

Isto tudo a propósito de quê? Ora, bem, porque o fim-de-semana chegou ao fim.

Por esse motivo, podemos voltar ao sítio do costume e assistir ao espectáculo que se encontra em cena desde Janeiro de 2012.

dre 14122015

Exactamente: desde Janeiro de 2012 e estamos em meados de Dezembro de 2015 — ou seja, com Janeiro de 2016 à porta.

Portanto, Janeiro de 2016 − Janeiro de 2012 = 4.

Efectivamente, 4.

Andamos nisto há muito tempo.

(*) «L’analyse structurale en linguistique et en anthropologie», Word, Journal of the Linguistic Circle of New-York, vol. 1, n° 2, août 1945, pp. 1-21 ; republié dans Anthropologie structurale, Paris, Plon, 1958, chap. II.)