Acima de tudo, comerciantes

As causas e as consequências do sistema depredador vigente são mais que conhecidas. Há décadas que os problemas foram identificados, é mais do que sabido que “precisamos de cortar para metade as emissões globais de gases com efeito de estufa até 2030 (e que) Isto implica uma mudança total de paradigma no modo de produção e de consumo, acabar com a exploração de petróleo, gás e carvão e com uma economia que funciona com base nos combustíveis fósseis, no plástico, na obsolescência programada e no descartável.“

É tudo mais que claro, provado e observável, mas os governos, sempre de ouvido aberto aos lobbies, têm estado mais preocupados em administrar a situação para prolongar o mais possível o coma do sistema, do que a delinear e implementar, com a urgência necessária, um modelo alternativo. É mais importante assinar acordos de comércio com um lunático que denega as mudanças climáticas e que quer que o seu país saia do Acordo de Paris, do que cumprir os compromissos assumidos na assinatura do Acordo.

Enquanto continuarem a promover uma globalização insustentável e criadora de monstros transnacionais, enquanto não introduzirem um imposto sobre o CO2, enquanto não proibirem os motores de combustão, não abolirem os subsídios ao petróleo, ao gás e ao carvão, ao gasóleo e aos veículos pesados das empresas, enquanto continuarem a subsidiar uma produção agro-pecuária industrial, enquanto não promoverem a todo o vapor as energias renováveis, não passais de umas marionetas sem visão e cobardes.

Hoje dá na net: The Corporation (A Corporação)

Documentário canadiano de 2002 que apresenta o poder das Corporações, mais forte que o poder politico.

Através de seus lobbies junto aos governos e suas ferramentas de merchandising, marketing, branding, etc, elas definem tendências de consumo de produtos electrónicos, vestuário, alimentos, entretenimento, medicamentos, etc.

Corporações farmacêuticas influenciam e até definem o que será e o que não sera ensinado nos curriculos universitários de Medicina, Farmácia e outras áreas de Saúde, para defender seus interesses mercantilistas de vendas de inúmeros medicamentos nocivos.

Versão de 2 horas (o dvd tem 7), legendado em português. Ficha imbd .

Prós e Contras – Nestas condições os megaprojectos são um disparate

A verdade vem ao de cima como o azeite. O governo minoritário já não mete tanto medo como o "quero, posso e mando" e  os especialistas começam a dizer em voz alta o que só diziam em voz baixa.

 

Nos últimos vinte anos o país investiu em obras públicas e o resultado é que somos o país mais pobre da Europa. E o mais injusto. E o que menos vai crescer. Não vale a pena, agora ainda vale menos a pena, continuar com obras que só servem o lobby do betão.

 

Pedir dinheiro emprestado lá fora e pôr a máquina das empresas de construição civil a trabalhar e comprar os equipamentos de tecnologia lá fora, é muit fácil. Dificil é fazer investimentos que reforcem o nosso poder de exportar, que substituam importações que melhorem a nossa produtividade.

 

O governo limita-se a jogar com as empresas que vivem do mercado interno, tira a uns e reforça outros, mas isso é uma soma igual a zero, no que diz respeito ao país.

 

É uma temeridade aumentar a dívida externa já imensa para fazer investimentos que não têm nenhum poder de captar tecnologia, de criar postos de trabalho, de exportar. Parece estar a criar-se um consenso para impedir que estes desastres se concretizem, pelo menos a curto prazo.

 

É necessário, e isto ninguem contesta, investir na produção de bens transaccionáveis, que se exportam, os quais há vinte anos representavam 30% do PIB e hoje continuamos com os mesmos 30%, apesar do país se ter endividado fortemente. Com esta factura de serviço da dívida o pais só pode empobrecer e ficar de mãos atadas, por décadas. Os próximos dez anos são de empobrecimento, e isto não é uma previsão, é uma realidade à qual já não somos capazes de fugir.

 

O país não tem de estar sujeito à ditadura dos lobbies que ,sentados à mesa do orçamento, forçam investimentos que não criam riqueza e que não são necessários, ou cuja prioridade não é nenhuma.