O diabo subiu à Terra sob a forma de juros da dívida

Fizemos orelhas moucas aos profetas que nos tentaram alertar. 365 dias de pragas sancionatórias depois, o tal resgate deve estar mesmo aí à porta e não haverá nada que nos livre do triste e inevitável destino dos nos transformarmos na Venezuela europeia. Corram, corram para os supermercados!

In other news: na passada semana, a República Luso-Soviética da Geringonça emitiu 1100 milhões de euros em bilhetes do Tesouro Português a 12 meses, a uma taxa de juro de -0,349%, e 400 milhões a 6 meses, à taxa de -0,400%. Em teoria, X investidores pagaram para nos emprestar dinheiro. Em teoria, que aquilo que se passa nos mercados é crime organizado, e o criminoso, em particular aquele que prima pela organização, nunca fica a perder.  [Read more…]

Abaixo o crescimento do país!

Passos Coelho, enquanto foi primeiro-ministro, aumentou a dívida pública, provocou mais desemprego, causou a perda de rendimentos dos que tinham menos rendimentos, agravou radicalmente a perda de qualidade de muitos serviços públicos (graças também à privatização cega de áreas que não deveriam ser privatizadas) e pisou direitos laborais e, portanto, humanos, praticando uma subserviência cega a ditames de uma aparente união europeia que, na realidade, está ao serviço de poderes económicos que se caracterizam por uma absoluta desumanidade, ansiando por salários baixos e direitos sempre mais mínimos. Passos Coelho, relembre-se, fez tudo isto, depois de ter garantido que faria o contrário, ganhando eleições com base num chorrilho de mentiras.

Depois de quatro anos de destruição, Passos Coelho, sempre com a mesma falta de vergonha na cara de quem é capaz de inventar suicídios, aparece agora a dizer que, com ele no governo, o país estaria a “crescer mais”. Desde que Luís Montenegro, essa luminária do passismo, declarou que o país estava melhor, mesmo que as pessoas não estivessem, fiquei insensível ao conceito de crescimento que povoa a mente desta gentinha alimentada a doses de cavaquismo e a restos da universidade de Verão e para quem as pessoas são abstracções, objectos puramente mentais que, portanto, não precisam de se alimentar ou de viver.

Declaro, portanto, que sou radicalmente contra o crescimento do país. Onde é que assino?

Agarrem-se a ela, Passos & friends

não vos resta muito mais.

O BdP, Carlos Costa e os juros superiores a 4%

Nicolau Santos, no programa As Contas do Dia, da Antena 1, avança com um reparo quanto aos juros da dívida pública. Recorda o jornalista que, em 2015, pela tomada de posse do actual governo, Carlos Costa decidiu que alguns investimentos que estavam no Novo Banco passariam para o BES, assim ditando enormes perdas aos seus investidores. Esse momento coincidiu com o descolar dos juros da dívida para o patamar dos 4%, de onde já não se saiu. Segundo Nicolau Santos, isso dever-se-á à falta de investidores na dívida pública portuguesa. Na sua opinião, o safanão que foi dado a quem investiu naquele tipo de produto não se devia ter limitado a cinco investidores, os maiores, mas sim a todos, distribuído igualmente as perdas, que se poderiam situar, nesse caso, na ordem dos 16%. A decisão unilateral de Carlos Costa, afirma Nicolau Santos, teve impacto nos juros que os portugueses estão a pagar até hoje, superiores aos dos congéneres europeus. 

Doidos à solta

Magic graph

Portugal regressou ontem aos mercados. Porém, para surpresa dos profetas da desgraça, algo de muito estranho aconteceu. Para além de uma procura 3,5 vezes superior à oferta, os investidores que adquiriram Bilhetes do Tesouro português, com maturidades de 6 e 12 meses, irão pagar em vez de receber juros. Sim, pagar em vez de receber. O apocalipse está à nossa porta, so they say, e um conjunto de investidores, aparentemente racionais, está disposto a pagar juros para adquirir dívida pública da república estalinista geringonceira. Será obra do diabo? Ou estará tudo doido?

Factos são factos, mas aquilo não são factos.

Não são factos, são mentiras.

A propaganda:


 
A realidade, segundo o Banco de Portugal:
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Fonte: Banco de Portugal, via Jornal Económico

Os factos dizem que a dívida pública nunca parou de aumentar, inclusivamente com o anterior governo social laranjinha e azul betinho. E não há óculos que transformem água em vinho.

Essencialmente, a dívida pública não pára de aumentar desde… sempre?

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Fonte: Banco de Portugal, via Jornal Económico

Realidade pura e dura: o crescimento da dívida pública tem sido constante, tanto no anterior governo PSD/CDS, como no actual governo PS. É um indicador que continua mau, mesmo com aquele solavanco para baixo em Novembro passado.

A PAF lá vai procurando malhar na Geringonça com os números que ainda não se endireitaram, esperando que os portugueses se tenham esquecido que:

  1. A dívida pública não parou de subir com a PAF;
  2. E que, apesar dos vários aumentos (brutais) de impostos, não conseguiram uma única vez chegar aos resultados positivos que Costa conseguiu, como por exemplo controlar o défice.

Este crescimento da dívida é insustentável. Era-o no tempo de Passos Coelho e é-o agora com Costa – alguma coisa terá que mudar. Mas, para variar, nem tudo é negativo. Não precisamos de optimismo saltitante, pois a situação não dá para tanto, mas, sinceramente, está claríssimo que o rumo que a direita escolheu no passado não nos levaria, como não levou, a lado algum.