O que teme Marcelo?

MRS RS

Marcelo Rebelo de Sousa é tido como predestinado vencedor das Presidenciais. As sondagens apontam para uma vitória à primeira volta e o próprio sentenciou o seu destino há um mês atrás: “Daqui a semanas sou Presidente da República”.

Não contente com o resultado das sondagens, que chegam mesmo a afirmar que Marcelo vai buscar votos ao PCP e ao Bloco, o catavento tem feito das tripas coração para conquistar a esquerda. Num dia visita a Festa do Avante, no outro faz comícios na Voz do Operário, não perde uma oportunidade para piscar o olho ao governo de António Costa e chega mesmo a afirmar que é “a esquerda da direita”. Poético. Quase tão poético e emotivo como quando capitulou perante Pedro Passos Coelho no congresso do PSD em Fevereiro de 2014. [Read more…]

A beatificação de Marcelo Caetano, por Marcelo Rebelo de Sousa

MRS MC

Se Cavaco Silva era um cidadão perfeitamente “integrado” no Estado Novo – e se dúvidas restassem, a contradição entre rejeição da atribuição de uma pensão a Salgueiro Maia e a atribuição de uma pensão por serviços “excepcionais e relevantes” a dois ex-inspectores da PIDE/DGS fala por si – um fascista praticante portanto, Marcelo Rebelo de Sousa não lhe fica muito atrás e será, no sentido facho da coisa, o candidato ideal para suceder a Cavaco.

Regressemos a Fevereiro de 2009. No colóquio “Tempos de transição”, dedicado à vida íntima de Marcelo Caetano, da qual Rebelo de Sousa fez parte, tendo o seu pai, Baltazar Rebelo de Sousa, amigo de Caetano e destacado fascista, desempenhado inúmeras funções na estrutura dirigente da ditadura, da Mocidade Portuguesa ao Parlamento-fantoche do Estado Novo, passando pelos ministérios da Educação, das Colónias, Saúde e Assistência, Corporações e Previdência Social, o agora candidato à presidência da República não poupou nos elogios a uma das figuras maiores do regime opressor que impôs ao país um reino de ignorância, manipulação e terror durante quatro décadas. [Read more…]

Algo de mais audacioso

Há 40 anos, Marcelo Caetano deve ter ficado muito contente.
Bom 25 de Abril, Folks!

A máquina do tempo: serões da província

Estava a melhorar da minha cleptomania. Não sei se têm reparado que já há muitos textos que não surripiava nenhum título. Mas porque um blogger não é de pau e o Júlio Dinis estava mesmo a pedi-las, tive uma recidiva. Assim, como habitualmente, sem que o conteúdo tenha a ver com o título do romance aqui estão estes «serões da província» que de bucólicos e de românticos pouco tinham. (e daí…). Bem, como agora se diz, então é assim:

Há quarenta anos estava-se no auge da luta antifascista. Salazar caíra da cadeira, Caetano prometera democratizar, mas tudo continuou na mesma – guerra colonial, polícia política, censura, partido único… ditadura, para tudo dizer numa palavra. Mudou os nomes às coisas, mas tudo ficou na mesma.

Uma boa parte da população conspirava, sobretudo nas camadas mais esclarecidas da pequena-burguesia – professores, profissionais liberais, oficiais do exército (geralmente de patente não superior a capitão), pequenos empresários, estudantes… E, sobretudo nas pequenas cidades, conspirava-se. Como? [Read more…]