O que teme Marcelo?

MRS RS

Marcelo Rebelo de Sousa é tido como predestinado vencedor das Presidenciais. As sondagens apontam para uma vitória à primeira volta e o próprio sentenciou o seu destino há um mês atrás: “Daqui a semanas sou Presidente da República”.

Não contente com o resultado das sondagens, que chegam mesmo a afirmar que Marcelo vai buscar votos ao PCP e ao Bloco, o catavento tem feito das tripas coração para conquistar a esquerda. Num dia visita a Festa do Avante, no outro faz comícios na Voz do Operário, não perde uma oportunidade para piscar o olho ao governo de António Costa e chega mesmo a afirmar que é “a esquerda da direita”. Poético. Quase tão poético e emotivo como quando capitulou perante Pedro Passos Coelho no congresso do PSD em Fevereiro de 2014.

Mas então, Marcelo não está certo que daqui a poucas semanas é presidente? Um homem visto como tão credível, embalado por sondagens animadoras e mais de 10 anos a iluminar o caminho dos portugueses na imprensa, estará assim tão desesperado para iludir a esquerda e camuflar as suas verdadeiras cores? Algo aqui não bate certo. Se calhar ainda vamos a tempo de eleger outro presidente. Eu gostava de me safar deste personagem e recambiá-lo para onde está bem, na TVI a fazer comentário político – o próprio parece concordar – e a dizer aos portugueses que a banca está sólida e o governador do Banco de Portugal é o baluarte de estabilidade. Para quem beatifica Marcelo Caetano como ele tentou fazer, ainda nos habilitamos a ver o seu amigo Ricardo Salgado no Conselho de Estado.

Comments

  1. joaovieira1 says:

    Existe, sem sombra de dúvida, uma desconfiança profunda, persistente e insidiosa na sociedade portuguesa gerada, desde que a nossa democracia, conquistada e implantada com enorme coragem, esforço e risco da própria vida por tantos portugueses e portuguesas, foi sendo, subrepticiamente, apropriada, ocupada, orientada e controlada por aqueles que, sobretudo, desde Cavaco Silva, passaram a governar com maioria absoluta, usando, de modo redutor e abusivo, um argumentário político-ideológico liberaloide que motivaria e levaria, inevitavelmente, parte substancial da população de todos os níveis e extractos sociais a privilegiar e perseguir, durante décadas, quase, exclusivamente, uma acumulação desenfreada de activos, bens e dinheiro, surripiando-os, pela fraude e corrupção mais abjectas, dos projectos e necessidades financeiras estruturais de que o país tanto carecia e carece. Tendo o PS e a esquerda, em geral, sido, de algum modo, “cúmplices desta pesada responsabilidade histórica”, têm agora, com as presidenciais, em curso, a oportunidade única de fazer renascer a esperança entre os que querem e lutam por um país mais solidário e justo, sabendo-se que Marcelo representa a continuidade cavaquista, altamente reforçada por Passos e Portas, os dois “heróis” da direita que só aguardam a eleição de Marcelo para colher as benesses e cargos a que se julgam com direito por serviços prestados à “nação”.


  2. Se o Marcelo ganhar à primeira volta, a culpa é muito da incapacidade dos outros candidatos; ganha porque não tem adversários à altura e é uma pena porque de facto já há muito que deviam ter investido numa estratégia que permitisse desmascará-lo, mas têm preguiça, não fazem, como agora se diz o trabalho de casa. Tinham de dar luta, de revisitar as suas diferentes e manifestas posições ao longo dos tempo, enfatizar contradições, reacionarismo, etc, etc.. Mas a campanha tem sido tão mediocre que realmente não me espanta se tudo correr como previsto.

Trackbacks


  1. […] com os fraudulentos do BPN ou orientar amigos com fundos europeus numa Tecnoforma perto de si. Mas não nos venha o senhor vender paleio de saco pré-eleitoral. Não nos tente negar que representa a direita com palavras vazias e comícios na Voz do Operário. […]