Os números torturados do nosso dia a dia

torturem os numerosSabia que em 2008 a dívida pública de Portugal “era inferior quer à da Alemanha, quer à da França, quer à média da Zona Euro, obviamente em proporção dos respetivos PIB”?

Que “a despesa pública não atingiu em momento algum 50% do PIB”?

Como nas “estatísticas oficiais algumas despesas que têm uma dupla função são contabilizadas duas vezes”?

Parece-lhe possível concluir que os impostos não aumentaram em Portugal nos últimos anos, uma vez tido em conta que os rendimentos, esses sim, aumentaram?

Sabe que “o número de horas trabalhadas por ano por cada trabalhador português excede em 1,1% o esforço de trabalho dos norte-americanos,e excede largamente,  (…) as horas trabalhadas nos países europeus”? [Read more…]

Não se poupa em «poupar»

Nestes tempos de crise, a palavra mais rodada que um táxi em Nova Iorque não é «amor» (como escreveu alguém), mas antes a palavra «poupar».

Todos os dias a palavra se pronuncia. Se não é dita, é pensada a cada acto que o português realiza. Até as crianças já perceberam que é preciso amealhar.

Pensa-se duas, três vezes, antes de escolher isto ou aquilo; entrar ou não entrar no restaurante x ou y, ou não entrar de todo; comprar na loja x ou y; opta-se pelas marcas brancas há muito e cada vez mais em produtos que antes eram de marca; as férias nunca foram tão estudadas (ainda bem que temos a internet!) nas suas diversas modalidades; etc.

Tudo se planeia sob este ponto de vista. Não é mau. Mas devia ter-se começado a fazer antes para não chegar a ser obsessivo como se está a tornar.

As voltas que se dá para poupar uns trocos.

É que já «dói» quando vemos que houve desperdício.

Pensei na vida particular de cada um, mas, claro, pense-se na vida deste país, que não poupou mais cedo.

No regresso de férias, optei pela A8: 3 faixas. Os carros contava-os pelos dedos se tivesse paciência para o fazer. Para quê tantas vias rápidas e auto-estradas?

Talvez um dia, um satélite qualquer nos forneça uma foto deste Portugal que, visto do espaço, é um emaranhado de estradas… Era melhor que fosse uma concentração de estufas de tulipas como na Holanda…

Olha, Ide Gozar Com …

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GOVERNO NÃO SÓ NÃO POUPA COMO AINDA GASTA MAIS

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Eu sei que a crise é para todos e de todos os Portugueses. Sei-o eu e mais nove milhões de entre os meus compatriotas. Todos nós, estes muitos milhões, cortamos nas despesas, entregamos mais dinheiro ao Estado, vivemos preocupados com a falta de recursos do nosso governo, e aceitamos mais uma catrefada de sacrifícios que nos são pedidos ou mesmo impostos pelos governantes (nem dou exemplos, tantos são eles).
Depois, lemos os jornais e ouvimos as rádios e as televisões, e descobrimos que a crise é mesmo uma coisa séria. Tão séria e tão grande que nem dinheiro há para comprar o que já foi prometido há alguns anos, como por exemplo dotar os Bombeiros de mais e melhores meios para combater os fogos que lavram em todo o País, ou para comprar mais máquinas de desencarceramento para acudir às pessoas que ficam presas dentro dos automóveis em que seguiam no momento em que tiveram um qualquer acidente nas nossas estradas.
Convenhamos que é mau para todos, esta crise.
Mas agora, descobrimos que no ano passado o governo que nos (des)governa poupou dinheiro. Pelo que se houve dizer, até poupou muito, apesar de ter comprado umas quantas centenas de carros novos para os seus ministros e deputados e companheiros e amigos, esquecendo-se de comprar umas duziazitas de carros de combate a incêndios ou mais um ou outros avião ou helicóptero para o mesmo efeito, ou mesmo ter mandado limpar as matas que são de todos nós. Mas poupou, e isso é uma coisa boa.
E como uma coisa boa nunca vem só, resolveu, o governo, gastar este ano mais dinheiro do que poderia ou estaria autorizado pelo orçamento. Esse, o dinheiro que poupou no ano que passou.
Os burros dos Portugueses ainda pensaram que esse dinheiro ia ser utilizado para as tais coisitas que são mesmo muito precisas e das quais já falei antes, mas não, o dinheirito poupado, os 546 milhões de euros, sim quinhentos e quarenta e seis milhões de euros, vão, ou foram para serviços que dependem directamente dos serviços dos senhores ministros, quase cem milhões, e o restante para as despesas de institutos públicos.
E se fossem gozar com…. a mãezinha deles?
Começo a pensar que a data de 9 de Setembro peca por tardia.
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O Hospital de São João dá o exemplo!

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É o caso do Hospital São João do Porto, que reuniu 38 medidas de poupança, num só documento.

A ARS do Porto já enviou este documento para outros hospitais para que o exemplo de contenção seja seguido.

“Um exemplo de boas práticas nesta área, na medida em que propõe e contempla acções no sentido da redução dos custos em áreas não assistênciais, nunca colocando em causa nem a acessibilidade nem a qualidade de atendimento dos doentes no SNS!”, diz o Presidente da ARS do Porto.

O plano centra-se em quatro áreas: eficiência na aquisição, gestão e utilização de matérias, medicamentos e reagentes; redução dos serviços externos não indispensáveis para o atendimento do doente; gestão mais eficiente dos recursos humanos; rigor na na referênciação entre hospitais.

Estima-se uma redução de de 3.1 milhões de euros no fornecimento de serviços externos e de 1,2 milhões de euros nos subcontratos, bem como a redução de 5% nas horas extraordinárias, de 8 % nas horas de prevenção e de  10% nas remunerações-base dos membros do Conselho de Administração.

Ora aí está como é sempre possível reduzir custos sem mexer no que é fundamental. A qualidade!

A Central de Compras do SNS

Qualquer grupo empresarial tem como prioridade criar uma central de compras. As razões são óbvias, desde a compra de grandes quantidades com os descontos possíveis, até à certificação dos fornecedores, por razões de qualidade e de cumprimento de prazos.

Estas centrais de compras podem ser uma plataforma informática, onde as várias instituições carregam as suas necessidades, por produto, quantidade, prazos e, com muito pouca intervenção humana, prepara os dossiers para decisão.

No que diz respeito ao Serviço Nacional de Saúde, com tantos hospitais e centros de saúde, a poupança ronda, seguramente, milhões de euros. Oitocentos milhões, segundo o economista que estudou a questão. É mesmo incompreensível que esta estrutura nunca tenha sido criada, embora se perceba os muitos interesses agregados, contudo o Estado não tem que os alimentar .

Espera-se agora que não seja um pretexto para encher com mais uns boys e girls, e que não inventem, porque esta solução está há muito implementada nas empresas e basta seguir as boas soluções. Ao nível do fornecedor as vantagens tambem são muitas porque pode programar as suas produções em grandes quantidades, com os respectivos custos bem mais baixos. Acresce as entregas, o embalamento, tudo concorre para que haja um enorme corte nos preços, com vantagens para todos.