Não se poupa em «poupar»

Nestes tempos de crise, a palavra mais rodada que um táxi em Nova Iorque não é «amor» (como escreveu alguém), mas antes a palavra «poupar».

Todos os dias a palavra se pronuncia. Se não é dita, é pensada a cada acto que o português realiza. Até as crianças já perceberam que é preciso amealhar.

Pensa-se duas, três vezes, antes de escolher isto ou aquilo; entrar ou não entrar no restaurante x ou y, ou não entrar de todo; comprar na loja x ou y; opta-se pelas marcas brancas há muito e cada vez mais em produtos que antes eram de marca; as férias nunca foram tão estudadas (ainda bem que temos a internet!) nas suas diversas modalidades; etc.

Tudo se planeia sob este ponto de vista. Não é mau. Mas devia ter-se começado a fazer antes para não chegar a ser obsessivo como se está a tornar.

As voltas que se dá para poupar uns trocos.

É que já «dói» quando vemos que houve desperdício.

Pensei na vida particular de cada um, mas, claro, pense-se na vida deste país, que não poupou mais cedo.

No regresso de férias, optei pela A8: 3 faixas. Os carros contava-os pelos dedos se tivesse paciência para o fazer. Para quê tantas vias rápidas e auto-estradas?

Talvez um dia, um satélite qualquer nos forneça uma foto deste Portugal que, visto do espaço, é um emaranhado de estradas… Era melhor que fosse uma concentração de estufas de tulipas como na Holanda…

Comments

  1. Konigvs says:

    O problema nem sempre são as auto estradas em excesso, o problema é o roubo que cobram para andar nelas. Moro numa pequena aldeia e agora tenho uma auto estrada ao pé de casa. Tenho ligação à A1, A3 e A4 só que nunca a uso porque acho que 2.20€ para atravessar o Rio Douro é um roubo. E pronto está li mais um elefante que custou 400 milhões de euros e que ninguém usa, continuamos a usar e entupir e a esburacar as nacionais, e os privados a enriquecer quer passem milhares de carros quer não passe nenhum!! E depois a culpa é da Moody’s e da Merkel. Olha, é curioso nunca mais ouvi falar nas “agências de rating”. Ah pois é, abaixo de merda não há mais nada não é?

    • Maquiavel says:

      Näo é problema o facto de já em 2008 (i.e. antes da cryse) 58% das AEs portuguesas näo terem tráfego que justificasse a sua construçäo?

      Há AEs a mais (e estradas normais decentes a menos), que foram feitas mesmo sabendo de antemäo que o trânsito näo chegaria aos 10.000 carros/dia (em algumas a previsäao näo chegava sequer a 5.000 carros/dia), que é a bitola internacional para decidir fazer uma AE.

      Visto isto, näo admira que se cobre demais por utilizar a AE. É que se tem de pagar pelos carros que a usam… e também pelos carros que näo a usam, até ao tal montante que as justificariam!!!

      Mas em Portugal nunca, por nunca ser, vi qualquer manif contra a construçäo de (mais) uma AE (denecessária)…

  2. Anabela Romba says:

    Há quem já não tenha para comer quanto mais para poupar. Muito menos para pagar autoestradas mais caras, quase arriscaria dizer, da europa, (que começa nos Pirineus)

  3. Maquiavel says:

    O blog A Nossa Terrinha tem uma rica série de artigos sobre esta problemática:
    A rede portuguesa de auto-estradas: motivo de orgulho?
    http://anossaterrinha.blogspot.fi/2010/09/rede-portuguesa-de-auto-estradas-motivo.html

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