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Papandreou, do ainda existente PASOK, está entre nós. Um mestre.

União europeia e mundial contra a Democracia

Existe, e cada vez mais despudorada, uma união europeia e mundial contra a Democracia. No máximo, a Democracia é tolerada desde que não vá contra a vontade dos poderosos. O mesmo se diga acerca das ditaduras.

A União Europeia, projecto generoso, já deu mostras da sua dificuldade em conviver com a Democracia, quando conseguiu obrigar a Irlanda a votar as vezes que fossem necessárias até aprovar o Tratado de Lisboa. Depois do primeiro referendo, a tríade Merkel-Sarko-Barroso, afirmando que respeitava a vontade popular, garantiu que o tratado havia de ser aprovado. Depreende-se que seria aprovado nem que fosse preciso fazer trinta referendos.

Papandreou, mais um socialista de fachada, portou-se caninamente ao aceitar uma austeridade que se sabia – e sabe – nociva, ao usar um referendo como fuga e ao fugir ao referendo, depois de o mandarem sentar e estender a patinha.

E o povo, pá? O povo tem ser canino, também.

Grécia: afinal é o referendo a demitir-se

cimeira do G20_Cannes_Nov-2-2011

As convulsões na Grécia, ao longo do tempo, têm dado a imagem de um país perturbado. Nos últimos dias, às manifestações de rua juntaram-se outros fenómenos do poder político e militar. De tão contraditórios, súbitos e efêmeros, é natural que suscitem a perplexidade geral.

A Grécia, no fim de contas, está a ferro e fogo. Seja no parlamento, nos gabinetes governamentais ou nas hostes da oposição ao governo. A desorientação é total. O que agora se anuncia aos gregos e ao mundo facilmente é contradito e abjurado a seguir.

Sucedeu assim com a decisão do referendo de George Papandreou. O homem  ainda esta manhã estava preparado para se demitir. Agora, notícias de várias origens – esta, esta e esta, por exemplo – dizem que renegou o compromisso de referendar a continuidade do país na zona euro. Afinal, como fosse gente, quem se demite é o referendo. Pronto, o Sr. Sarkozy, mais temperamental e entusiasta, já saudou o gesto de Papandreou e a Sra. Merkel, mais céptica e matreira, afirmou não ir em cantigas. Das autoridades gregas, a chancelerina – sublinhou – exige acções.

Com este golpe de rins, a cimeira do G-20, em Cannes, terra do cinema, distribui o filme dramático “crise do euro” por um conjunto de artistas famosos, entre os quais o cabeça de cartaz Obama que, como mostra a fotografia, está feliz da vida, rodeado de espadas ao alto. Os gregos, esses, estarão cada vez mais em baixo.

Papandreou sofre ataque de Democracia

O ainda primeiro-ministro da Grécia teve um ataque de Democracia, uma doença terrível que leva alguns governantes a consultar o povo, especialmente quando não sabem o que fazer. É certo que os ares daquele país mediterrânico são perigosamente propícios à propagação da enfermidade, tendo em conta que o vírus terá nascido em Atenas. Merkel e Sarkozy já mostraram preocupação com o estado de saúde do governante helénico, tal como a os partidos da oposição e os militares, que, segundo parece, estarão a pensar numa terapia experimentada no Chile, em 1973.

A chanceler alemã já terá declarado que esta situação é insustentável, uma vez que há o perigo de outros povos começarem a colocar a hipótese de pensar que têm direito à sua soberania. Sarkozy, salvaguardando as possíveis discordâncias, terá declarado que esta situação é insustentável, uma vez que há o perigo de outros povos começarem a colocar a hipótese de pensar que têm direito à sua soberania. Durão Barroso, após ter recebido um afago e cócegas na barriga, rebolou e não salvaguardou possíveis discordâncias

Em Portugal, o governo eleito democraticamente e, de acordo com a tradição, com base em promessas que ninguém pensava em cumprir já tomou medidas para evitar a propagação da Democracia: para além dos direitos retirados aos trabalhadores, Paulo Portas já criou uma versão do Pai Nosso que termina com “E livrai-nos dos referendos. Amém.”