Ambrose Bierce escreveu nas suas “Fábulas fantásticas” um conto chamado “Consolação”. Reza assim: “Depois daquele grande país ter dado provas da bravura dos seus soldados, graças a quinze derrotas (…) o respetivo primeiro-ministro decidiu pedir paz.
– Não vou ser duro convosco, declarou o vencedor. – Podereis conservar tudo quanto vos pertence, menos as colónias, a liberdade, o crédito e a dignidade.
– Ah! – exclamou o primeiro-ministro. – Sois, na verdade, magnânimo, pois nos deixais a honra”. Um destes dias, a nós nem essa consolação nos resta.
A Desconsolação da Honra
Há gente que é de esquerda e não sabe
Paulo Ferreira, no seu texto de hoje, não perde a oportunidade para dar uma bicada nos partidos de esquerda, elogiando-os por se terem posto à margem da negociação com o FMI: “Merecem um sincero agradecimento. O país não tem tempo a perder – e discutir com eles é, na verdade, uma perda de tempo…”
No resto do texto, descontando a ideia de que o FMI é inevitável, Paulo Ferreira transforma-se em alguém com quem discutir será “uma perda de tempo”, chamando a atenção, imagine-se!, para os impactos negativos que as condições do empréstimo poderão ter sobre os sectores público e privado, sendo, portanto, necessário adoptar uma atitude firme. Pelo meio, ainda critica os dois maiores partidos, voltando a perder tempo.
No final do texto, Paulo Ferreira chega a ficar perigosamente parecido com um bloquista ou um comunista, ao reconhecer o seguinte: “Já sabemos de ciência certa que as loucuras dos nossos Governos e a montanha-russa das finanças e dos mercados internacionais nos roubaram, pelo menos, duas décadas de desenvolvimento sustentado e sustentável.”
Esperemos que Paulo Ferreira não releia o que escreveu: ainda pode ter a necessidade de tomar um anti-histamínico forte.






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