Há gente que é de esquerda e não sabe

Paulo Ferreira, no seu texto de hoje, não perde a oportunidade para dar uma bicada nos partidos de esquerda, elogiando-os por se terem posto à margem da negociação com o FMI: “Merecem um sincero agradecimento. O país não tem tempo a perder – e discutir com eles é, na verdade, uma perda de tempo…”

No resto do texto, descontando a ideia de que o FMI é inevitável, Paulo Ferreira transforma-se em alguém com quem discutir será “uma perda de tempo”, chamando a atenção, imagine-se!, para os impactos negativos que as condições do empréstimo poderão ter sobre os sectores público e privado, sendo, portanto, necessário adoptar uma atitude firme. Pelo meio, ainda critica os dois maiores partidos, voltando a perder tempo.

No final do texto, Paulo Ferreira chega a ficar perigosamente parecido com um bloquista ou um comunista, ao reconhecer o seguinte: “Já sabemos de ciência certa que as loucuras dos nossos Governos e a montanha-russa das finanças e dos mercados internacionais nos roubaram, pelo menos, duas décadas de desenvolvimento sustentado e sustentável.”

Esperemos que Paulo Ferreira não releia o que escreveu: ainda pode ter a necessidade de tomar um anti-histamínico forte.

Comments


  1. Já deve ter relido, mas não percebeu. é narcisista.


  2. Se eu fosse maluco era capaz de ficar contente se as negociações falhassem e que, sem empréstimo, os funcionários públicos que aqui escrevem passassem por aqui que passam tantos portugueses que trabalham fora da ‘teta do estado’: Salários em atraso.

    Seria giro, ver os professores sem o seu salário irem a correr ter com o ‘economista da treta’ perguntar: “Então camarada, grande educador da classe operária (que gosta de caviar e viagens em executiva para o 3º mundo) – como vamos fazer agora?”

    Ia ser engraçado. Lá tinha o Louçã que deixar de fazer outdoors populistas e dar algum aos camaradas!

    • António Fernando Nabais says:

      Os funcionários públicos, esses tarados que se limitam a mamar na ‘teta do estado’,têm sofrido tantos cortes e tantos aumentos abaixo da inflação que já têm vários ordenados em atraso, há muitos anos.
      Entretanto, a governação dos economistas que não são da treta, certamente do agrado do Carlos Alberto, anda há anos a secar a ‘teta do estado’ para dar de mamar aos Dias Loureiros e aos Varas. Esses é que são competentes, claro, e nada populistas. São os mesmos que, depois de terem gasto o que me roubaram, baixam a cerviz diante da Merkel e do FMI e ainda me vão obrigar a pagar o que me roubaram.
      Ó Carlos Alberto, olhe que há mais jornais para além do “Povo Livre” e do “Cavaleiro da Imaculada”. Informe-se, homem.


      • Você não leu a primeira parte do comentário: “SE EU FOSSE MALUCO.” pois não?

        Ah e já agora não sou laranja sou encarnado! (porque carga de água é que eu leria o “Povo Livre”? e… nem conheço o ‘outro’)
        E quanto aos Dias Loureiros, Varas e ‘adivinhe lá mais quem’ o lugar deles era atrás das grades juntamente com a tralha do centrão que nos levou até aqui.
        A questão dos funcionários públicos não tem a ver com a utilidade mas sim com o facto (aposto que é o seu caso) de que o patrão nunca se encontrou sem dinheiro para lhes pagar como acontecerá se não houver acordo!

        • António Fernando Nabais says:

          Encarnado? Não me diga que é comunista!
          Já lhe disse: o meu patrão rouba-me há anos. O meu patrão é assessorado pelos economistas que, na sua opinião, não são da treta. O meu patrão deixou o país e a democracia num estado miserável. O meu patrão vai assinar de cruz um acordo que é o sonho dos capitalistas e dos empresários ansiosos por liberalizar despedimentos e por continuarem a mamar na teta que tanto o fascina.
          Pelos vistos, reconhece que foi o centrão que nos deixou assim (sempre que necessário com a colaboração dos senhores do CDS). Nesse caso, que culpa tem a esquerda (e não me venha dizer que o PS é de esquerda)?
          O Louçã tem tiques de sacristão irado? O Bernardino defende que a Coreia do Norte é uma democracia? Pois, mas, entretanto, andam há anos a chamar a atenção para a morte do tecido produtivo resultante da obediência cega às alemanhas e às franças, andam há anos a chamar a atenção para a desregulação dos mercados, para os abusos de um capitalismo selvagem e global.
          Os outros, os que não são da treta, é que são brilhantes. Hei-de lembrar-me de lhes agradecer um acordo que não é um acordo e que até parece que é um favor que me fazem


          • Comunista é vermelho, meu caro Nabais, como vocês faz questão de me colorir que seja de encarnado.
            Nem toda a gente que acha o Louça um imbecil é do centrão ou de extrema direita ou de Marte, há gente normal que acha isso e depois há gente doida como eu que também acha.
            Que o seu patrão é mau, concordo plenamente. Que você seja mal pago? Não sei porque não o conheço mas os professores que eu conheço aqui perto são ‘roubados’ todos os meses e isto porque o seu patrão tem umas amantes caras!!! A diferença entre o seu patrão e o patrão da Josefina que trabalha numa fiadora do norte é que a amante do patrão dela se chama Lucineida e as do seu chamam-se ‘investimento publico’ e PPP.
            O facto de termos sido governados por ladrões não faz dos assassinos gente boa (passe o exagero da expressão)


  3. … Meus caros,

    Alguém terá que responder pelas carradas de massa que entraram no Pais, durante muito tempo. Quem gastou, quem poupou, quem roubou… bem!…, isso não será um problema do FMI ou das instituições internacionais. Em todas os tratados e negociações terão estado representantes legais de Portugal; gente que, mandatada por voto, teve legitimidade para negociar. Não me parecendo, portanto que o PC
    e o BE tenham onde se estribar para recusar reunirem-se ou receberem os credores.

    Seria o mesmo que, ao deixar de pagar, por qualquer razão, mesmo por necessidade, os meus empréstimos, na procura de garantias e soluções, eu respondesse aos responsáveis dos bancos que eram uns egoístas e que, por isso, não os receberia.

    É evidente que quem vai pagar, em grande parte, é quem não recebeu; e não adianta, sequer, separar os funcionários públicos dos privados, mesmo que se possa fazer a contabilidade dos prejuízos e dos privilégios. Há, como todos sabemos, como em todas as áreas, funcionários públicos exemplares —longe, muito longe de ser a maioria— e funcionários que, desde que foram admitidos, têm passado a vida na reforma; para não falar, mais uma vez, na história dos concursos viciados, com as vagas já preenchidas, antes de serem anunciados no Diário da República —devo dizer, inclusive, que, há mais de um mês, e de acordo com o que me foi sugerido pelo telefone, aguardo resposta da Directora do Museu Soares dos Reis, para apresentação de um projecto; e devo dizer, também, que a Saatchi, em Inglaterra, por e-mail, me respondeu no dia seguinte. Garanto que não pedi dinheiro, que não pedi que me pagassem nada; apenas que me concedessem uma entrevista.

    Pergunto, nesta altura, se os banqueiros, credores dos milhares de pessoas que recorreram aos empréstimos, estariam na disposição de —como já tenho visto sugerido como “proposta” de negociação com o FMI— se colocar em posição de subalternidade e deixar que os devedores lhes impusessem condições?… Portugal —tenham sido estes ou tenham sido aqueles— gastou o que não deveria ter gasto, e, naturalmente, terá que pagar. O apuramento das responsabilidades é que é do foro interno, sendo adiada ou impedida a punição dos que locupletaram e que continuam com a pasta agasalhada.

    E toda a gente saberá que os políticos e cúmplices, por cobertura ou por negligência, já têm a mala feita, em caso da coisa dar para o torto, e a massa já está onde acharam que deveria estar, em lugar seguro.

    E a justiça?… —perguntarão. Pois!… Essa já cá não anda há muito tempo, desde a direita à esquerda.

    Alguém, da esquerda ou da direita, renunciou ao cargo de deputado europeu ou rrcusão resber os balúrdios que recebem, todos os meses?… Acharam que era possível sustentar tanto “burro”, sem que o pão-de-ló esgotasse?… É claro que a própria União Europeia tem uma estrutura pesadíssima; e há-de haver momentos em que, para fazer vingar uma conveniência, dinheiros extras terão que ser empregues.

    Quem é que sustenta tudo isso?… Os mesmos; os que trabalham sem possibilidade de fazer negócios; porque a rapaziada do dinheiro também “entra”, só que na condição de “investidores”, tendo, como contra-partida, lucros e relacionamentos que garantem mais mais “investimento” e mais lucros.

    Como se resolve isto, não sei, porque teria que me substituir à Justiça. Com papas e democracia já se percebeu que não vai lá, Porque a democracia, como sempre defendi, é o regime dos vigaristas; dos que, pelo poder do dinheiro e das influências, têm todo o tempo do mundo para argumentar e contra-argumentar, na medida em que, mesmo que esteja comprovada a prevaricação, há sempre o direito ao contraditório.

    Quer dizer, então, que defendo a ditadura. Quero dizer que não há regime que valha à humanidade —ou, pelo menos, a parte que interpretamos.


  4. Caro António Nabais

    Aparece citado no seu textoo o jirnal “Cavaleiro da Imaculada”.
    Não percebi bem porquê.
    Como sou eu o director do referidon jornal (mensal e gratuito, com tiragem de 118.000 exemplares, e como não tenho conotação partidária, gostaria de saber se é elogio ou troça.
    P.S.: O jornal mudou radicalmente desde 2006.

    • António Fernando Nabais says:

      Caro Senhor

      O “Cavaleiro da Imaculada” não aparece no meu texto, mas sim num comentário. Associo este título – com base num estereótipo ou num preconceito meu – a um catolicismo retrógrado e, no contexto em que o utilizei, estava a troçar de quem o possa ler, até porque tenho alguma tendência anticlerical e sou muito crítico da Igreja.
      Não estou a dizer que não mereço castigo, mas mais sincero não posso ser.
      Obrigado por ter comentado.

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