Olhó título!

Portugal deve ser o único país europeu onde predomina o culto de se tratar a outra pessoa pelo alegado título académico.

Sim, digo alegado porque há muitos que sabe Deus… ou nem Ele.

Um dia, espero ser tratado por Senhor Teixeira com mais respeito do que tantas vezes sou por Senhor Doutor.

Boa, Torre de Moncorvo!

Falando de sentimentos

Falando de sentimentos

 Ao ler o magnífico texto de Raul Iturra, “ No rasto da sexualidade caminha o amor…”, eu gostaria de deixar aqui a minha humilde opinião acerca deste e de outros sentimentos. Tenho muita dificuldade em dissecar os sentimentos (diferentes de pessoa para pessoa) isto é, em definir as incomensuráveis formas e manifestações dos sentimentos, até porque antes dos sentimentos há as emoções (diferentes de pessoa para pessoa), que lhes dão origem, e antes das emoções (diferentes de pessoa para pessoa) há as imagens (diferentes de pessoa para pessoa) resultantes dos estímulos que as provocam e aos quais cada pessoa reage de forma muito diferente, conforme o seu padrão neural.

Sem falar na apropriação do sentimento (o sentimento de si), na reflexão e na consciência que sucedem ao sentimento (diferentes de pessoa para pessoa). A emoção causada pelo apontar de uma arma, por exemplo, e o sentimento de medo, bem como a reflexão e a consciência a que leva essa emoção são muito diferentes entre um filho meu e um filho das favelas do Rio de Janeiro.

Assim sendo, os sentimentos constituem um mundo tão vasto de diferenças que me parece podermos incorrer em algum grau de estultícia, ao pretendermos dissecá-los, dimensioná-los, fraccioná-los, escaloná-los, hierarquizá-los, atribuir-lhes uma cronologia e uma metodologia intrínsecas, fora do campo neuro-científico. E mesmo aí (!?), quando o conseguiremos? Penso que nem é muito seguro abordá-los com algum grau de confiança dentro dos campos da psicologia, da filosofia e da sociologia. Há um único contexto em que me parece legítimo atrevermo-nos a abordar parcialmente e de forma particular os sentimentos e com eles lidar como matéria, contexto esse que se situa apenas no campo da arte. No seio do contexto poético, literário e musical, por exemplo. Mesmo assim, com a prudência de nos contentarmos apenas com a plumagem, as cores, a luz e o som.

Quando a “Biologia do espírito” for uma ciência incontestável dentro da neurobiologia, como espero, aí sim, podemos analisar e dissecar os sentimentos como fazemos hoje com as orações de um texto. Sem medo de que eles percam a beleza da mais nobre essência do ser humano.

Prémio Pessoa 2009 para D. Manuel Clemente

Prémio Pessoa 2009 para D. Manuel Clemente

 O prémio Pessoa é um prémio cultural, e o Júri deliberou bem ao atribuí-lo ao Bispo D. Manuel Clemente que é um homem da cultura, a despeito de ser um homem da igreja.

Na página do JN que relata a notícia desta atribuição, vem ao fundo, uma fotografia e uma opinião da Senhora Esther Mucznic, pessoa de quem não gosto, dizendo: “Há aquela ideia absurda de que a religião não é cultura”. A ideia não tem nada de absurdo, porque a religião, na realidade não é cultura, embora leve de arrasto muitos aspectos culturais. A religião professa uma fé, e, por conseguinte, a fé nunca pode ser agonista da cultura como conhecimento, na medida em que a cultura é fundamentalmente científica e, obviamente, antagonista da fé, no que quer que seja.

 A defesa do diálogo e da tolerância, o combate à exclusão e o apelo à intervenção social da igreja, o ecumenismo, justificam que o Bispo D. Manuel Clemente tenha sido eleito vencedor do prémio pessoa 2009, leio eu no jornal. Não estou totalmente de acordo, porque estes atributos seriam o mínimo que se pode exigir a uma igreja social actuante. E se tomam isto como virtudes excepcionais de um prelado, mal está a igreja em que ele se insere. Há-de haver mais qualquer coisa que distinga D. Manuel Clemente da sensaboria intelectual e cultural desta igreja que conhecemos. E há. [Read more…]

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