Deixem estar a ortografia descansada

As polémicas e os debates não se fazem necessariamente a preto e branco. Na questão do chamado acordo ortográfico (AO90), acontece o mesmo: entre os que são contra e os que são a favor, existem várias posições intermédias, incluindo os que não se interessam pelo assunto.

Jorge Fiel conta uma pequena história que presenciou em Itália. Um casal de brasileiros, julgando que o GPS do carro que estava a alugar só se exprimia em português de Portugal, preferiu optar pelo inglês, “pois assim entendiam melhor.” Para a história ter um final feliz, descobriu-se que o GPS incluía, também, uma voz em português do Brasil. Problema resolvido.

É claro que não há aqui propriamente nenhuma questão ortográfica. Em primeiro lugar, os brasileiros, devido à falta de hábito de ouvir os portugueses, têm dificuldade em perceber a(s) pronúncia(s) europeia(s). Para além disso, há questões semânticas que, devido à mesma falta de hábito, tornam enunciados portugueses em objectos estranhos ao entendimento brasileiro, numa prova de que, muitas vezes, estamos separados pela mesma língua. [Read more…]

Acordo ortográfico e a tradução para português

No Público do passado dia 28, foi publicado um texto de Paula Blank sobre os problemas causados pelo chamado acordo ortográfico (AO90) no âmbito da tradução e revisão de textos em inglês sobre equipamento médico. Podem ler aqui.

Note-se que o texto de Paula Blank não trata propriamente das questões ortográficas, debruçando-se, antes, sobre as diferenças terminológicas e sintácticas que separam o português do Brasil do de Portugal. Essas diferenças fazem com que um técnico português tenha graves dificuldades de compreensão, quando consulta uma tradução feita por um brasileiro. Depreende-se, aliás, que um técnico brasileiro sinta as mesmas dificuldades, se for confrontado com uma tradução portuguesa. [Read more…]