Acordo ortográfico e a tradução para português

No Público do passado dia 28, foi publicado um texto de Paula Blank sobre os problemas causados pelo chamado acordo ortográfico (AO90) no âmbito da tradução e revisão de textos em inglês sobre equipamento médico. Podem ler aqui.

Note-se que o texto de Paula Blank não trata propriamente das questões ortográficas, debruçando-se, antes, sobre as diferenças terminológicas e sintácticas que separam o português do Brasil do de Portugal. Essas diferenças fazem com que um técnico português tenha graves dificuldades de compreensão, quando consulta uma tradução feita por um brasileiro. Depreende-se, aliás, que um técnico brasileiro sinta as mesmas dificuldades, se for confrontado com uma tradução portuguesa.

O texto de Paula Blank, além de chamar a atenção para os efeitos colaterais que esta situação poderá ter sobre a saúde das pessoas, põe a tónica sobre as consequências de uma ilusão vendida pelos defensores do AO90 e que consiste na propagação da ideia de que, agora, é possível escrever-se exactamente da mesma maneira no Brasil e em Portugal. Cito, a propósito, um excerto:

 os fabricantes pressionam os distribuidores portugueses a utilizar as traduções brasileiras em Portugal. Os argumentos são sempre os mesmos: (1) só se produz uma versão em Português e, dado que o Brasil é um mercado maior, a versão a produzir será em Pt-Br ou (2) temos que reduzir custos, por isso há que anular uma das versões em Português; o Brasil é um mercado maior, portanto eliminamos a versão Pt-Pt. Ponto final. Contra-argumentar dizendo que a sintaxe e a terminologia não são aceitáveis para textos que se destinam a profissionais clínicos, que os erros podem provocar acidentes de proporções mais ou menos sérias, é por regra inútil. Algumas vezes, felizmente, o esforço de argumentação é recompensado, e os médicos e enfermeiros em Portugal podem usufruir do privilégio de ler as instruções do dispositivo médico, que adquiriram em Portugal, num Português de fácil e natural compreensão. Sim, aquilo que devia ser um direito, que está previsto numa directiva europeia, que, por sua vez, foi transferida para a lei portuguesa, é no fundo, um privilégio. Quase um favor.

Esta situação prova, mais uma vez, que vivemos num país que opta sempre pela irresponsabilidade ou pela leviandade. Estudar, investigar e prever são palavras proscritas. Faz-se e depois vê-se.

Termino, transcrevendo um parágrafo lapidar de Paula Blank:

 O Acordo Ortográfico, ao criar esta falsa noção de uniformidade, extremamente nefasta para o Português-padrão, tem um resultado terrível para a tradução, porque enche o mercado português de instruções que quanto mais técnicas, mais incompreensíveis são.

Comments


  1. São tão burros e arrogantes que levaram estas anos a perceber se é que percebem o que quer que seja -ontem no progama com Paulo Rangel e moita flores e o bastonário Pitnto Monteiro achei graça pos que Moita flores falou com todas as letras e disse que os basileiros só trouxeram putas para aqui – não posso estar mais de acordo mas ainda aquela bela inveção de contaminar as portueguesas afazer mamas pendurar dos decotes se calhar santa maria já mato por usa bilbliografia traduzida pelas intelectuais do brasil que agora a lingua oficial da ONU

  2. Maquiavel says:

    Em Portugal o esforço em I&D é estupendo.

    “Investigaçäo & Desenvolvimento?” Nääääääääääääääo.

    Incúria & Desinteresse!!!

Deixar uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.