Charles Coins

moedas2Está no ar o mais recente programa de humor negro, o Programa do Governo. Trata-se, na realidade, de um reality show com a apresentação a cargo de Miguel Relvas: a produção não gostou do casting de Teresa Guilherme, considerada demasiada calma e inteligente.

Apesar da preponderância de Relvas, tem sido o concorrente Carlos Moedas a ganhar algum destaque nos últimos tempos, uma vez que soube inventar uma frase que fica no ouvido: “O relatório é um bom relatório”. Inspirando-se no Diácono Remédios, Moedas soube valorizar o seu aspecto exterior, resultante de um cruzamento entre o padreca escanhoado e o programador de jogos sem vida social.

Fontes próximas do secretário de Estado confidenciaram que, em rapaz, já Carlos Moedas era um humorista nato que procurava seduzir fêmeas anglófonas com a frase “You must insert coins”, o que lhe provocava ataques de riso sufocantes. Sendo-lhe impossível evitar o recurso ao humor, foi ele o inventor do trocadilho “Goldman Saques”, associando, nesse caso, a risota à adivinhação.

A sua participação nos mais recentes episódios do Programa do Governo tem sido, portanto, um sucesso. Foi graças à sua interminável veia cómica que pôde afirmar que um relatório cheio de erros é um bom relatório. Àqueles que lhe perguntarem como pode ser bom com tantas imprecisões, o afamado autor de facécias saberá responder, sempre chistoso: “Então? Estava a falar da encadernação. E este papel couché, hein? Hehehe! Sou muito brincalhão, sempre na brincadeira! Heheheh! Mas não se ri porquê?”

– 20% nas pensões de reforma

«(…) Quererão os actuais reformados pôr em cima dos seus filhos e netos a responsabilidade de pagarem [tantos e tão elevados] impostos, para virem mais à frente a receber pensões mais reduzidas, quando eles próprios se reformarem?» – Relatório do FMI, Questões-chave

Outro desastre de relatório

Mais um episódio da desastrada comunicação do governo.

Um governo de cobardes deslumbrados

Como já aconteceu com o Memorando da Troika e volta a acontecer com o Relatório-parece-que-do-FMI, os governos portugueses não estão para perder tempo a mandar traduzir os documentos em que vão basear as políticas com que mimosearão os portugueses. Com o Memorando, foi preciso a sociedade civil, sob a forma deste vosso blogue, fazer o trabalho que cabia ao governo de então. Nada de novo, que isto da política só serve para que uns mandem e outros obedeçam, ficando os primeiros com o exclusivo do duro trabalho intelectual, produzindo ideias que os segundos, devidamente providos de ferraduras, não poderiam alcançar. E sempre se evitam uns coices.

Quando soube que havia um relatório do FMI em que se repetia tudo aquilo que os membros do governo defendem, concluí, facilmente, que se tratava de uma encomenda típica dos cobardes deslumbrados que nos governam há anos, que precisam de pagar a estrangeiros para que escrevam em língua estrangeira a preconização das medidas que os ditos cobardes deslumbrados querem aplicar ao País. Assim, os cobardes deslumbrados podem exercitar a cobardia, alijando as responsabilidades das medidas que irão aplicar, e podem estourar de deslumbramento, porque qualquer parolo que se preze adora ver a sua actividade caucionada por documentos escritos em inglês. [Read more…]