Que divertido que tudo isto é

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Alguém pode avisar o Camilo, o Passos e restantes que andaram a repetir o Moedas quando lhes dava jeito?

Areias movediças

O comissário europeu Carlos Moedas afirmou hoje, em Bruxelas, que não faz qualquer sentido falar num cenário de um segundo resgate a Portugal, que “está a cumprir” todas as expetativas‘. Algo se passa, Pedro, algo se passa.

A traição de Carlos Moedas

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Foto: Rui Gaudêncio@Público

Longe vão os tempos em que, numa qualquer reunião de personagens sinistras, alguém sugeria “pôr o Moedas a funcionar”. Carlos Moedas continuará fiel aos princípios que sempre o nortearam política e ideologicamente, é certo, mas algo de muito estranho se passou para que, totalmente desalinhado com o discurso dos seus amigos e companheiros, outrora governantes falhados, hoje profetas da desgraça igualmente incompetentes, tenha protagonizado tamanha traição.  [Read more…]

Coerências de um resgate

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Já não é a primeira vez que acontece. Andamos todos para aqui a protestar com os excessos da austeridade, chamam-nos radicais, somos confrontados com um governo que afirma com convicção e suposta legitimidade que não existem alternativas e depois aparece a senhora Lagarde a dizer que ai e tal isto afinal não está bem calibrado.

Fico sempre perplexo com falta de sintonia entre o governo de Portas/JSD e os “representantes dos nossos credores”. Eles querem “ir além da Troika”, falam de recuperação mas não conseguem ver o país a despedaçar-se pela janela do gabinete. Bons velhos tempos em que até o Moedas da Goldman dizia que a reestruturação da dívida era o único caminho que nos restava. Pena ter vendido a sua opinião à pandilha do grande aldrabão.

Moedas, o mensageiro

Carlos MoedasComo se depreendia, e ao contrário do afirmado previamente por Passos Coelho no estilo de torpeza que lhe é próprio, a reunião deste Sábado do Conselho de Ministros teve, como principal ponto da ordem de trabalhos, ‘o corte dos 4 mil milhões de euros para efectivação da ‘reforma do Estado’.

No final, e desta vez sem o auxílio da censora Galvão, lá apareceu o Moedas na função de ‘mensageiro’. O jovem engenheiro-financeiro, a quem até nem ficaria desajustada a designação de ‘moço de recados’, traz-me à memória ‘O Mensageiro’, de Oren Moverman.

No filme, dois oficiais estão incumbidos de anunciar às famílias a morte de soldados em combate. A Carlos Moedas também foi cometida pelos chefes, Gaspar e Coelho, a tarefa de anunciar desgraças às famílias portuguesas. Haverá apenas uma ínfima coincidência sinóptica. Moedas não foi autorizado a divulgar pormenores do ‘dossier’. –Assuste-os apenas! – ter-lhe-ão ordenado os chefes.

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A bravata

Santana Castilho *

1. Em livro que escrevi em 1999, em plena euforia dos milhões diários que nos entravam porta dentro, afirmei ser pouco sério confundir essas imediatas vantagens financeiras com vantagens económicas de futuro. Admiti então, qual velho do Restelo, que subjacente a tanta prata fácil estava uma bem escondida estratégia hegemónica. E adiantei, contra-corrente, que se víssemos as coisas por esse ângulo não cairíamos na esparrela que se desenhava: ao longo dos anos fomos financiados para deixar de produzir e destruir a agricultura e a indústria. Ora se somos responsáveis pelo caminho que aceitámos, também a União Europeia o é, por nos ter induzido a trilhá-lo. Chegados onde estamos, é penoso ver que a bravata tapa a realidade. Podermos continuar a endividar-nos a um juro superior ao que agora pagamos à troika (4,891 versus 3,4 por cento) justifica a bravata? Se em Abril de 2011 fomos “expulsos” dos mercados, por que razão nos receberiam agora, quando a dívida, em lugar de diminuir, cresceu 25 mil milhões de euros e a economia se afunda a cada dia que passa? [Read more…]

Charles Coins

moedas2Está no ar o mais recente programa de humor negro, o Programa do Governo. Trata-se, na realidade, de um reality show com a apresentação a cargo de Miguel Relvas: a produção não gostou do casting de Teresa Guilherme, considerada demasiada calma e inteligente.

Apesar da preponderância de Relvas, tem sido o concorrente Carlos Moedas a ganhar algum destaque nos últimos tempos, uma vez que soube inventar uma frase que fica no ouvido: “O relatório é um bom relatório”. Inspirando-se no Diácono Remédios, Moedas soube valorizar o seu aspecto exterior, resultante de um cruzamento entre o padreca escanhoado e o programador de jogos sem vida social.

Fontes próximas do secretário de Estado confidenciaram que, em rapaz, já Carlos Moedas era um humorista nato que procurava seduzir fêmeas anglófonas com a frase “You must insert coins”, o que lhe provocava ataques de riso sufocantes. Sendo-lhe impossível evitar o recurso ao humor, foi ele o inventor do trocadilho “Goldman Saques”, associando, nesse caso, a risota à adivinhação.

A sua participação nos mais recentes episódios do Programa do Governo tem sido, portanto, um sucesso. Foi graças à sua interminável veia cómica que pôde afirmar que um relatório cheio de erros é um bom relatório. Àqueles que lhe perguntarem como pode ser bom com tantas imprecisões, o afamado autor de facécias saberá responder, sempre chistoso: “Então? Estava a falar da encadernação. E este papel couché, hein? Hehehe! Sou muito brincalhão, sempre na brincadeira! Heheheh! Mas não se ri porquê?”

Uma nota para Moedas

Santana Castilho *

Como estaria a educação nacional se tivéssemos um curriculum coerente, de alto a baixo? E se o modelo de gestão das escolas atraísse os melhores? Que teria acontecido se a política educativa privilegiasse a cooperação, que une, em detrimento da competição, que divide? E se os professores fossem respeitados, que não vilipendiados? O exercício dicotómico que esbocei prolongar-se-ia longamente, opondo o que é ao que poderia ser. Mas porque não aconteceu cada metade de cada pergunta, os putativos resultados permanecerão no campo da dialéctica. Diferente é o que está apurado e passou a factual. É por isso que o relatório do FMI está mal feito. Nesta crónica, que é uma nota para Moedas, apontarei alguns dos muitos erros que tornam mau aquilo que Moedas diz que é bom. E porque nem eles, técnicos, nem ele, político, podem ignorar a verdade, concluirei dizendo que uns e outro foram desonestos. Eles, intelectualmente. Ele, politicamente.

Diz o relatório, a abrir (p.58), que o sistema de educação em Portugal perde por comparação com os demais países da Europa, no que toca à relação entre os custos, por referência ao PIB, e os resultados. O relatório diz que gastámos, em 2010, 6,2 por cento do PIB. Está errado. Gastámos cinco, inferior à média da UE. Mas, porquê 2010? Depois de tanta avaliação e tantas missões, estes mafarricos não conhecem o valor actual, que se cifrará por volta dos 3,8 por cento? A afirmação é falsa e particularmente grave, por coexistir com a recente divulgação dos resultados de dois dos mais credíveis instrumentos de notação dos sistemas de educação: o TIMMS (Trends in International Mathematics and Science Study) e o PIRLS (Progress in International Reading Literacy Study). Como, aliás, referi no meu último artigo, Portugal foi o país que mais progrediu no ensino da Matemática e o segundo que melhores resultados obteve no que toca às ciências. Que mundo observam estes peritos? Linhas à frente, afirmam que nos dois últimos anos o Governo melhorou a avaliação dos professores. Saberão que nesse tempo a coisa não mexeu, simplesmente hibernou? [Read more…]

Um governo de cobardes deslumbrados

Como já aconteceu com o Memorando da Troika e volta a acontecer com o Relatório-parece-que-do-FMI, os governos portugueses não estão para perder tempo a mandar traduzir os documentos em que vão basear as políticas com que mimosearão os portugueses. Com o Memorando, foi preciso a sociedade civil, sob a forma deste vosso blogue, fazer o trabalho que cabia ao governo de então. Nada de novo, que isto da política só serve para que uns mandem e outros obedeçam, ficando os primeiros com o exclusivo do duro trabalho intelectual, produzindo ideias que os segundos, devidamente providos de ferraduras, não poderiam alcançar. E sempre se evitam uns coices.

Quando soube que havia um relatório do FMI em que se repetia tudo aquilo que os membros do governo defendem, concluí, facilmente, que se tratava de uma encomenda típica dos cobardes deslumbrados que nos governam há anos, que precisam de pagar a estrangeiros para que escrevam em língua estrangeira a preconização das medidas que os ditos cobardes deslumbrados querem aplicar ao País. Assim, os cobardes deslumbrados podem exercitar a cobardia, alijando as responsabilidades das medidas que irão aplicar, e podem estourar de deslumbramento, porque qualquer parolo que se preze adora ver a sua actividade caucionada por documentos escritos em inglês. [Read more…]

Carta do Canadá: Portugal desamparado

Com a lentidão meditativa  a que obrigam as informações importantes,  acabo de ler  uma obra de Marc Roche que, nestes tempos incertos de Pátria e Europa,  todos devíamos ler:  O BANCO – Como o Goldman Sachs Dirige o Mundo. Ficamos a saber que, de forma secreta, praticamente de seita, laboriosamente,  persistentemente, ao longo dos anos, o Banco Goldman Sachs adquiriu a configuração de um polvo monstruoso, cujos tentáculos, sob a forma de homens de mão, está infiltrado em toda a parte. Objectivo: empobrecer países mal governados e passar o seu património para o capital selvagem e sem pátria.  Tudo isto o autor denuncia com grande pormenor e acervo de provas.

Na União Europeia, os homens principais do Goldman Sachs são Mario Draghi (presidente do BCE) e Mario Monti (primeiro ministro de Itália). O autor descreve, ao pormenor, as golpadas do banco sobre a Grécia, com a colaboração de governos da direita e da esquerda, para grande proveito e regozijo dos banqueiros alemães.
Em Portugal, segundo Marc Roche, os tentáculos do Goldman Sachs são António Borges, Carlos Moedas e, de forma sonsa, Victor Gaspar. Todos os figurantes da coisa pública  que com eles colaboram servilmente, são a repetição gananciosa e sem escrúpulos dos que, em 1580, entregaram Portugal à Espanha a troco de fortunas e títulos. Toda uma elite negativa e traidora que,ontem como hoje, cabe no grito desesperado de Almada-Negreiros: “maquereaux da Pátria que vos pariu ingénuos / e vos amortalha infames”. [Read more…]

Troika a obedecer!

troika passos coelhoA mal-avinda troika estará, a partir de hoje, uns dias em Lisboa. Vem em nova missão de vigilância do comportamento do governo português, no cumprimento do ‘memorando de entendimento’.

Podem estar tranquilos os homens do FMI-CE-BCE. Quando ordenaram: “Troika a obedecer!”, PPC e sua equipa arrancou com extremo zelo para uma caminhada de cega disciplina e, ainda mais!, até excedeu o programa. Tomou – e continuará a tomar! – medidas de austeridade para além do que havia sido estabelecido no nefasto memorando.

A imagem é ilustrativa da postura de meninos obedientes; no caso, Passos Coelho e o assessor Moedas. O gesto é tudo, como sói dizer-se.

Passos Coelho, de resto, faz-me lembrar o irmão, entre irmãos, que faz questão de transcender o exigido por austeras ordens paternas. Não por respeito, mas como actos de cínica subserviência que lhe rende o proveito do filho preferido.

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OGE de 2012 – Moedas, Trocas & Baldrocas

Homens felizes

Carlos Moedas publica no “The Wall Street Journal” um artigo destinado, claramente, a contraditar notícias adversas e recentes, naquele mesmo jornal. Noticiava-se, antes, que “Portugal dificilmente terá capacidade de voltar aos mercados em 2013, em função da persistência e dimensão da crise…”.

Moedas – Secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro, note-se –recorre a um estilo superficial e hiperbólico. Contornando as difíceis realidades sociais, económicas e financeiras do País, declarou:

A descida do défice abre espaço a corte de impostos.

Moedas agora nega ter dito que vai baixar os impostos. Tem razão. No entanto, ao valer-se de um discurso meramente teórico, usou um princípio elementar (descida de défice público => corte de impostos) que, correcto em matéria de teoria de finanças públicas, se distancia da realidade da Economia Portuguesa; sobretudo, dos efeitos da política de austeridade que, respeitando e/ou excedendo as medidas da ‘troika’, o governo, de que faz parte, aplica de forma brutal.

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Mais um caso de jornalismo de oportunidade

O Adriano Campos fez no Adeus Lenine uma investigação sobre Carlos Moedas e os seus interesses económico-profissionais, que era para ter aqui referido e  por qualquer amnésia perdi pelo caminho. A revista Sábado publica agora o que era obviamente notícia. Referência à fonte? não a vejo. O costume.

Vem isto também a propósito de um artigo do Público Uma década depois do boom, o que é feito dos blogues? que utiliza o curioso método de ir perguntar a quem já cá não anda, ou mal anda, como isto anda, uma grande andança em prol da investigação jornalística. O Pedro já tratou do assunto, mas como lá deixei um comentário que foi censurado aproveito para o deixar aqui, desenvolvido: quem está a morrer são os jornais, jornais como o Público que inventa este fantástico modelo de negócio: Quer ler o Ipsilon completo? depois de comprar o jornal paga mais, usa a aplicação para tablet e descarrega a versão completa, uns 400 MB, coisa pouca, deve vir em papel couché de 200gr. Ou como o Expresso que depois de ter andado pelos lados do Aeiou vai agora para o Sapo, o que se por um lado se compreende porque ali andam bons profissionais é no mínimo ridículo, nenhum jornal de referência se mete dentro de um portal.  [Read more…]

Carlos Moedas: um percurso invejável

Passou por quase tudo o que é pai da crise. É obra, é o que se chama um homem preparado. A ler Carlos Moedas, ao seu dispor.