É da esquerda, é da esquerda, da esquerda…

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via FB do Alex Gozblau

Sala de espera

Sento-me entre estas mulheres, eu que apenas espero por quem há-de sair, como se partilhasse a angústia delas, uma mais entre elas, na sala de espera, eu tão vestida –  de roupa, de palavras, de artifícios -, elas nuas com a sua roupa coçada, os seus gestos bruscos, o seu cansaço de muitos anos. Mulheres castigadas, que até da doença se sentem culpadas, que se deitam para que um médico as toque como se assim se rebaixassem, que sentem o corpo como algo que lhes não pertence mas do qual devem sentir vergonha. [Read more…]

Swap ou a Inversão da Culpa

Os swaps socratinos constituirão um caso de estudo político-mediático de inversão de culpa a analisar nas academias. Feitos na quase totalidade pelos Governos Sócrates (embora o instrumento já fosse usado desde 2003), para empolar receita no curto prazo e esconder dívidas das grandes empresas públicas e ainda com a probabilidade de ganhos de especulação na taxa de juro, uma variante dos swaps cambiais gregos feitos anos antes com o mesmo propósito «Eurostat friendly», a culpa da perda dos três mil milhões de euros acaba por recair toda sobre o Governo PSD-CDS que não fez nenhum!… E mesmo que a demora na resolução do caso, pelos motivos que já aqui dissequei, tivesse custado a diferença para os 1.646 milhões de euros que o socratismo tinha deixado, ainda assim, nem essa fatia lhes é assacada.

ABC

– 20% nas pensões de reforma

«(…) Quererão os actuais reformados pôr em cima dos seus filhos e netos a responsabilidade de pagarem [tantos e tão elevados] impostos, para virem mais à frente a receber pensões mais reduzidas, quando eles próprios se reformarem?» – Relatório do FMI, Questões-chave

Vamos ao castigo

A fazer fé nesta notícia, deduz-se a lógica reformadora: os cidadãos e seus mandatários é que têm culpa nos atrasos da Justiça. Não há Magistrados incompetentes, nem processos que se atrasam por culpa de quem os julga, nem recursos pendentes por meses ou mesmo anos nos tribunais superiores porque estes não despacham… Nada disso. A culpa é dos cidadãos e dos seus mandatários. Por isso, há que castigar essa gente. Apenas me resta uma dúvida: esta Ministra, enquanto Advogada, andou a exercer em que planeta?

Alto e pára o baile!

Agora é moda em dicursos políticos fazer passar uma espécie de mensagem subliminar de que a culpa do país ter chegado ao ponto a que chegou é de todos nós, para apelar à mobilização do povo face às adversidades.

Ora, nada como atribuir a culpa a toda a gente, para que ninguém seja culpado.

Se nos dessem alguns dos muitos milhões que enriqueceram alguns e desgraçaram todos nós, então talvez fosse de aceitar a sociedade na culpa. Doutro modo, razão tem o senhorio do Vasquinho, na Canção de Lisboa: “Ou comem todos ou há moralidade” (ao 8º minuto do vídeo).

os trabalhos que dou à mulher que amo

a cor desta flor é a do amor distraído

Nós, homens, mal sabemos tratar das nossas pessoas.

Não escrevo esta frase com desapreço a nós varões, de qualquer orientação sexual. Em tarefas domésticas, somos um desastre. Em relações amorosas, desatinados. Oferecemos uma flor e justamente escolhemos a que a nossa mulher não gosta. Não é por maldade, é por andarmos sempre a pensar no Benfica, no nosso trabalho, ou, ainda, a olharmos para uma mulher bonita que passa, o que me cheira a um quase adultério.

As nossas mulheres tratam de nós e de todos estes dissabores para os quais nunca fomos ensinados. Assim como não há escola de pais, não existem escolas de maridos, amancebados ou amantes. O difícil é demonstrar à nossa mulher o quanto a amamos. Porque nós, homens, vivemos, desde o Concílio de Trento, numa eterna gaiola

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Faltam 435 dias para o fim do Mundo

Eu já tinha ouvido falar de uma que queimou o soutien nos idos de setenta. Ao longo destes anos já me habituei a ver queimar a bandeira dos Estados Unidos e de Israel com o devido esmero, nas inúmeras manifestações nos diferentes países do eixo do mal (e não, não estou a falar do programa da Sic Notícias). Agora, ver um enfermeiro a queimar a sua bata numa manif é uma estreia. Só não sei se ria ou se chore. É que o ridículo mata… Nos tempos da outra senhora que se divertia, qual pirómana, a queimar soutiens, o Povo gritava nas ruas: “Os ricos que paguem a crise”. Como diz essa grande referência intelectual portuguesa: “acho bem!”.

Agora, algo completamente diferente mas que me permite manter o rumo neste post, uma vez que se pode enquadrar entre a senhora pirómana e a referência intelectual e, sobretudo, tirar do sério os aventadores professores, mais que muitos, que por aqui circulam:

Se o aluno chumba o ano, a culpa é do professor; se o aluno desiste de estudar, a culpa também é do professor; e se o aluno falta às aulas, a culpa é outra vez do professor. O sucesso escolar de uma criança está sempre nas mãos do professor. Nem as origens socioeconómicas nem o contexto familiar servem de justificação – a culpa é sempre da escola, que não soube encontrar as estratégias certas para ensinar os seus alunos.
Esta é a convicção de Paul Pastorek.

Pois é, com toda a cagança, segundo o i, o Braga continua a liderar. É com cagança e com toda a pujança. Não nego, está um título do caraças! Realmente o Braga continua com “ela toda”….olha, olha, o meu Word diz que “caraças” é “locução própria do nível de língua informal, pondere o emprego de uma expressão alternativa”! Olha-me este Word todo ele cheio de cagança, deve ser de Braga! Sem pujança ficou o Carvalhal. Ele há dias assim. Já o meu Porto, com a devida cagança própria dos maiores do Mundo (e somos, carago!) foi buscar Kléber, o Gladiador. Vai ser um massacre!!! Ele fez falta no túnel, tinha sido uma mortandade, tipo a que aconteceu junto de Paredes da Beira, no seu conhecido Vale dos Mil, onde os cristãos mataram mais de mil mouros numa só noite…

Assim se caminha rumo ao fim do Mundo. Bom fim-de-semana.

A EDP não tem culpa do temporal

Pois não, quem tem mesmo culpa são as pessoas que ficaram sem os seus bens, e a maioria deles na miséria.

Se o meu vizinho, para fazer o negócio dele, tiver que passar redes de alta tensão por cima do meu quintal, ou se tiver um mastro de bandeira que, ao cair, me deite a casa abaixo, não tem culpa nenhuma, a não ser que não haja temporal.

É como leu! Se houver temporal a EDP não tem culpa, porque não é possível construir estruturas que aguentem mais de 180/200 Kms/hora, logo, quem leva com as linhas de alta tensão em cima só tem que se desviar. Ou então começa do zero!

Mas não impede que começando do zero não lhe imponham as redes em cima, apesar de toda a gente andar a desconfiar que pode, inclusivamente, ser gravemente prejudicial para a saúde.

Quer dizer, a EDP monopolista ou quase, que ganha milhões e milhões cá dentro e que depois investe nos US em energia renováveis (isto é tudo muito fino) esses milhões que ganhou com os preços que pratica cá dentro, não aceita as culpas dos temporais.

Se  aventar ( estilo vento na ramaria) ainda pode ser que pague alguma coisa, mas quem é que já viu o aventar deitar abaixo torres de redes de alta tensão?

A EDP não paga nunca os prejuízos que causa, é como andar de carro a chover, ter um acidente e atribuir a culpa à chuva. Quem ficou sem carro que se amanhe.

Angústias sem refúgio

Ando cheio de angústias, o que virá, o que foi e não me faz feliz, que não posso mudar e que bem seria diferente se tivesse a maturidade ou o conselho avisado.

 

E as angústias estranhas às minhas decisões, ao arrepio da bondade ou do simples bom senso. As angústias resultam da culpa ou da ignorância?

 

Sou culpado porque não fiz tudo o que estaria ao meu alcance ou porque não sabia mais ?

 

Movimentar-me neste labirinto de sentimentos,empurra-me para um cenário em que as coisas tomam dimensões que não são reais e isso potencia o sentimento de culpa. Mas a ignorância tambem não é refúgio para a angústia. Que culpa se pode ter de algo que se teme e que não aconteceu? Carrego o sentimento de medo e de angústia que dominou a minha infância?

 

Há mais angústia no que pode acontecer do que no facto em si mesmo, como seja preferível o ataque, à sombra que ameaça e que nos mantém em alerta. É a angústia um estado de alerta? Estou melhor preparado para me defender e a angústia é o preço a pagar? Ou a angústia é um sentimento que me destrói sem controle? A angústia é inútil ?

 

Onde posso encontrar lenitivo para a angústia ? Na convicção profunda que fiz sempre o melhor que estava ao meu alcance ou na capacidade de viver a vida, com os seus fantasmas, as suas ameaças e os seus momentos felizes?

 

Ando cheio de angústias, sempre que vejo as folhas a cair, a noite a apropriar-se do dia, a chuva que cai e que me dá um sentimento de fragilidade como se fora uma criança.

 

As angústias tambem se partilham. Desculpem ou obrigado. Fica a vosso cargo.

 

 

 

 

 

 

 

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