Comboio de Refugiados Portugueses

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Desde os anos sessenta e durante mais de três décadas, o êxodo português em direcção a uma vida menos miserável, teve no comboio um grande aliado. Partir de comboio para as franças não era a sorte de todos; muitos dos “migrantes” (como agora se diz) portugueses que abandonavam o remanso de uma vida pobre e infeliz atravessavam as águas dos rios de fronteira a pé enxuto ou às cavalitas de um contrabandista espanhol, alto e espadaúdo.
A fotografia acima é da autoria de Joe McMillan, foi feita em 1966 na Linha da Beira Alta, não longe de Santa Comba Dão. A fotografia mostra um comboio Lisboa-Vilar Formoso, diz o autor, onde enlaçaria com um comboio espanhol. Possivelmente, esta circulação é um dos múltiplos desdobramentos ao serviço ferroviário internacional, tal era a procura. Chegaram a ser 10 comboios por dia a deixar Portugal. Se cada um levasse apenas 700 pessoas…
A máquina lá na frente fora fabricada na América quase 20 anos antes, aparecem também carruagens espanholas e outras fabricadas na Amadora. Lá dentro, portugueses buscando refúgio na Europa.
E se nos tivessem deixado náufragos?

Vai Devagar, Emigrante…

Não se sabe se leva consigo na bagagem o Troinca ou a puta-que-os-pariu…

Canta, Graciano, canta…

Jornalismo na Sarjeta…

A edição de ontem do Correio do Minho garante: centenas de minhotos perderam a vida no acidente (ferroviário) de Alcafache. Foram… centenas… só do Minho… centenas…

Aquele que terá sido o mais sério acidente ferroviário em Portugal, desde que há memória televisiva, não tem uma estatística conhecida; estariam a bordo dos dois comboios envolvidos cerca de 400 passageiros. A imensa maioria, assegura quem por lá andava, sobreviveu, até mesmo sem mazelas físicas.

Assim vai certa imprensa divinatória.

Sud-Express, ir de Portugal para a "Europa"

A RDP anuncia que o Sud-Express faz hoje 100 anos. No entanto, outras fontes afirmam que o comboio começou a operar em 1884, ou seja há 126 anos.

Entre os dezoito e os vinte e tal anos conheci bem o Sud-Express: várias viagens para Paris, duas para Bordéus, uma ou duas para San Sebastian, bastantes para Salamanca, muitíssimas para Vilar Formoso. Estávamos no final dos anos setenta e no início dos oitenta. Para jovens como eu era, o Sud-Express tinha uma aura de aventura e liberdade, significava abandonar um Portugalzinho cinzento e em fim de festa, atravessar uma Espanha que fervilhava e se iniciava nas lides democráticas,  entrar na Europa, à qual os países Ibéricos “não pertenciam”.

Viajei nos dois sentidos, umas vezes de cá para lá, outras de lá para cá, raramente fiz viagens de ida-e-volta. Para mim, nesse tempo, o “verdadeiro” Sud-Express era o que ia de Lisboa até Hendaia, não apenas porque nos levava para fora mas, particularmente, porque nele viajavam muitos emigrantes portugueses que, ou partiam pela primeira vez, ou regressavam depois de umas vacances e um séjour em Portugal. As bagagens incluíam obrigatoriamente bacalhaus e presuntos, garrafões de vinho, chouriços, sardinhas de escabeche, broas de milho, gaitas de beiços, baralhos de cartas, uma ou outra concertina minhota, um cavaquinho gasto e mal afinado. As carruagens dividiam-se em compartimentos, oito pessoas por cubículo, mais tralhas, malas e trouxas, cada um, de relance, tentava escolher a companhia que lhe agradasse para dois dias de viagem e ala, au revoir, que me vou embora. [Read more…]