Comboio de Refugiados Portugueses

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Desde os anos sessenta e durante mais de três décadas, o êxodo português em direcção a uma vida menos miserável, teve no comboio um grande aliado. Partir de comboio para as franças não era a sorte de todos; muitos dos “migrantes” (como agora se diz) portugueses que abandonavam o remanso de uma vida pobre e infeliz atravessavam as águas dos rios de fronteira a pé enxuto ou às cavalitas de um contrabandista espanhol, alto e espadaúdo.
A fotografia acima é da autoria de Joe McMillan, foi feita em 1966 na Linha da Beira Alta, não longe de Santa Comba Dão. A fotografia mostra um comboio Lisboa-Vilar Formoso, diz o autor, onde enlaçaria com um comboio espanhol. Possivelmente, esta circulação é um dos múltiplos desdobramentos ao serviço ferroviário internacional, tal era a procura. Chegaram a ser 10 comboios por dia a deixar Portugal. Se cada um levasse apenas 700 pessoas…
A máquina lá na frente fora fabricada na América quase 20 anos antes, aparecem também carruagens espanholas e outras fabricadas na Amadora. Lá dentro, portugueses buscando refúgio na Europa.
E se nos tivessem deixado náufragos?

Comments

  1. Jaculina says:

    Mais de 2 milhões a sair de Portugal? E só contando com os comboios?

    • Quem falou em dois milhões?

      • Jaculina says:

        Dez comboios por dia, cada um com um mínimo de 700 pessoas, dá aproximadamente 2.5 milhões de portugueses a emigrarem por ano (só de comboio…). E durante mais de três décadas?

        Na realidade, o mais importante não é saber quantos são/eram. O que interessa é saber porque saem e resolver os problemas que os levam a abandonar o país.

        • Jaculina, chegaram a ser 10 comboios por dia. Isto não quer dizer que assim foi todos os dias de todos os meses ao longo de 20 ou 30 anos. Houve alturas em que assim foi: uns milhares de “refugiados” a sair de Portugal por dia. Noutras alturas, apenas um ou dois comboios por dias. Às vezes com 10 carruagens, às vezes com 12, às vezes com 18.

  2. os portugueses não fugiram de uma morte certa, não fugiram de genocidas por serem cristãos… refugiados de guerra não são migrantes… o facto é que são pessoas altamente traumatizadas por guerras híbridas de anos e que não têm fim à vista, perpetuadas pela indústria do armamento…

  3. António Macedo says:

    Cada um fala da realidade que comhece. Mas se acolhecemos sempre todos os refugiados que fogem de um conflito armado, metade do planeta estava desabitado…e para terminar gostava de perguntar onde estão os policias de todos (ou quase todos) conflitos do mundo, sim os U.S.A….pois é os despojos de guerra não justificam os meios.

  4. xana lopes says:

    por cá por Terras Lusas…a D. Maria já tem mais um Presépio na sua Colecção… naquele tempo, os Portugueses? Eram mais umas centenas dados de comer aos Tubarões…Quem sentiria falta? Não temos Petróleo!

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